No próximo dia 25 de abril, o historiador da diáspora Daniel Bastos vai participar, em Andorra, nas comemorações do 25 de Abril com a conferência “Memórias da Ditadura: Sociedade, Emigração e Resistência”, uma iniciativa que terá lugar às 17h00, na sala de atos do Centro Cultural La Llacuna, em Andorra la Vella.
Promovida pelo Consulado-Geral de Portugal em Andorra e pelo Grupo Casa de Portugal, com apoio do Instituto Camões e da Comú d’Andorra la Vella, a sessão integra o programa evocativo da Revolução dos Cravos e dirige-se à comunidade portuguesa residente no principado, estimada em cerca de 10 mil pessoas.
A conferência terá como base as memórias ilustradas de Fernando Mariano Cardeira, antigo oposicionista ao regime, militar, emigrante e exilado político, a partir das quais Daniel Bastos desenvolveu uma obra historiográfica apoiada pela Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril.
O trabalho recupera aspetos marcantes da sociedade portuguesa durante o Estado Novo, nomeadamente o quotidiano marcado pela pobreza, a mobilização estudantil contra a ditadura, o envio de tropas para o Ultramar e os percursos da emigração clandestina “a salto”, seguidos por milhares de portugueses nas décadas de 1960 e 1970, quer em busca de melhores condições de vida, quer para fugir à Guerra Colonial.
No decurso da iniciativa, o autor apresentará também a sua mais recente obra, “Monumentos ao Emigrante – Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa”, desenvolvida em parceria com o fotógrafo Luís Carvalhido e com apoio institucional da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas.
O livro resulta de um levantamento dos monumentos dedicados ao emigrante existentes em todos os distritos de Portugal continental e nas regiões autónomas dos Açores e da Madeira, propondo um itinerário pela memória coletiva da emigração portuguesa e pelo património simbólico ligado à diáspora.
O investigador é igualmente responsável por outras publicações ligadas à história contemporânea portuguesa, entre as quais “Dias de Liberdade em Portugal”, realizada com o fotógrafo Gérald Bloncourt, e “Terras de Monte Longo”, concebida com José de Andrade, duas obras centradas, respetivamente, no período pós-revolucionário e nas transformações sociais do interior do país após a queda da ditadura.
Com várias obras dedicadas às memórias do regime, à construção da democracia e à história da emigração portuguesa, Daniel Bastos tem mantido uma ligação regular às comunidades portuguesas no estrangeiro, através de conferências, apresentações públicas e colaboração na imprensa internacional de língua portuguesa. ■





