O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, abordou o significado do “Dia da Comunidade Luso-Brasileira” em entrevista à nossa reportagem, no contexto das comemorações assinaladas ontem, dia 22 de abril, enquadrando a efeméride como um “elemento central na projeção externa de Portugal”.
Segundo este governante, a comunidade luso-brasileira assumiu-se como um dos principais pilares dessa estratégia, ultrapassando a dimensão simbólica e afirmando-se como uma ponte com impacto geopolítico e económico, com expressão direta na atração de investimento, na criação de parcerias empresariais e na difusão da língua e da cultura portuguesas no Brasil.
“A comunidade luso-brasileira é, hoje, um dos pilares fundamentais da projeção estratégica de Portugal no mundo. Não se trata apenas de uma ligação afetiva, mas de uma ponte de influência geopolítica e económica. Os luso-brasileiros são os principais embaixadores da cultura, da língua e dos valores portugueses no Brasil, a maior nação lusófona do mundo”, afirmou Emídio Sousa, que sublinhou que “esta comunidade desempenha um papel crucial na economia, na atração de investimento, e na criação de parcerias empresariais que modernizam a imagem de Portugal, posicionando o país como uma nação inovadora, aberta e segura”.
“A integração plena de portugueses no Brasil e o regresso e fixação de lusodescendentes em Portugal reforçam o prestígio da nossa nacionalidade, demonstrando que ser português, para além do vínculo ao nosso país, é pertencer a uma identidade global unida por características e valores únicos”, disse.
Na opinião deste responsável, o “Dia da Comunidade Luso-Brasileira” deve ser entendido como “um espaço de proximidade”, pois “esta data permite promover um diálogo franco que reconheça o passado comum, mas que se foque no presente e no futuro”.
“Para os lusodescendentes no Brasil, a data valida o seu sentimento de pertença, e para Portugal, é o momento de ouvir as necessidades de quem vive a “portugalidade” à distância. É um momento importante para incentivar as novas gerações de lusodescendentes, muitas vezes mais conectadas digitalmente, a redescobrirem um Portugal moderno, tecnológico e sustentável, mantendo vivo o lastro histórico através de novas formas de interação”, referiu.
Emídio Sousa salientou que “devemos igualmente refletir sobre o português como uma língua de trabalho, de ciência e de negócios, que nos une em quatro continentes e nos confere uma vantagem competitiva global ímpar”.
“Nesta efeméride, a mensagem central que devemos transmitir à nossa diáspora é a de unidade na diversidade. Portugal não termina nas suas fronteiras geográficas. Os luso-brasileiros devem sentir-se como parte integrante de uma nação. Num mundo em constante mudança, a rede da nossa diáspora deve ser uma rede de apoio mútuo. Queremos que esta data inspire os luso-brasileiros a serem protagonistas na construção de um espaço lusófono coeso, próspero e influente no cenário internacional”, finalizou Emídio Sousa.
Assinalada no Brasil pela Lei n.º 5.270, de 1967, e enquadrada pelo Tratado de Amizade, Cooperação e Consulta, assinado em Porto Seguro em 2000, a data voltou a evidenciar uma relação sustentada por ligações históricas e pela presença ativa de cidadãos em ambos os países. ■





