Suíça: Ana Casanova apresentou “Espírito dos Tempos” ao lado de Olinda Beja

Sessão em Genebra reuniu comunidade lusófona em torno da criação literária contemporânea

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Novo livro surgiu na continuidade de uma trajetória marcada por outros títulos. Fotos: divulgação
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A escritora portuguesa Ana Cristina Dias Casanova Pinto Fernandes Lopes, conhecida apenas como Ana Casanova, apresentou, aos 58 anos, no último dia 18 de abril, o seu mais recente livro de poesia, “Espírito dos Tempos / L’Air du Temps”, numa sessão realizada nas instalações da Casa do Benfica de Genebra, na Suíça. A apresentação esteve a cargo da escritora e poeta Olinda Beja. Na mesa estava também João de Carvalho Figueiredo, presidente da “Associação Laços”, presidente da Assembleia da Casa do Benfica de Genebra, dirigente sindical na UNIA e conselheiro das Comunidades Portuguesas eleito pelos círculos da Suíça, Itália e Áustria.

“O lançamento de “Espírito dos Tempos” decorreu de forma muito especial, num ambiente de grande proximidade e partilha. Foi um momento marcado pela presença de pessoas queridas e pelo interesse genuíno pela literatura. A apresentação da escritora Olinda Beja foi profundamente cativante, trazendo uma leitura sensível e envolvente da obra. Ao longo do evento, houve também momentos de leitura de poemas por vários participantes, o que contribuiu para criar uma atmosfera intimista e emotiva”, disse Ana Casanova ao Gazeta Lusófona, que sublinhou que “um dos momentos mais marcantes foi a leitura de um poema em francês pelo meu filho Gonçalo como homenagem à Suíça, país que nos acolheu, depois de ter falado um pouco sobre o meu percurso no mundo da poesia”.

“Foi um instante de grande significado pessoal e simbólico. Sinto que foi um encontro verdadeiro entre palavras e pessoas, onde a poesia cumpriu o seu papel de unir, emocionar e criar ligação”, frisou.

Segundo apurámos, este novo livro surgiu na continuidade de uma trajetória marcada por títulos como “Desabafos d’Alma”, “Dialectos da Memória”, “Nós Eternos” e “Terra Vermelha”, entre outros. A autora participou também em eventos literários em Portugal, França e Suíça, tendo integrado júris, organizado projetos editoriais e colaborado em ações de promoção da língua portuguesa.

Empresária na área das semijoias e escritora, a sua formação construiu-se muito através da “vida, da experiência e da sensibilidade artística que sempre me acompanhou”.

“Estava a tirar o curso de sociologia na Universidade Nova de Lisboa que não concluí”, comentou, realçando que, atualmente, “dedico-me à gestão da minha marca Glow, ao mesmo tempo que continuo o meu percurso literário, com escrita ativa e novos projetos editoriais”.

Ana é presidente da Associação Mulher Migrante Suíça e membro da direcção da Associação Cultural Luso-Suíça Laços. Vive em Genebra.

“A ideia do livro nasce sempre de um lugar muito íntimo. Escrevo a partir do que sinto, do que observo e do que me atravessa. Este livro é uma continuação desse caminho, uma necessidade de dar forma às emoções, à memória e ao tempo que vivemos. Trata do corpo, da memória, da ausência, do amor e do tempo. É um livro muito sensorial, onde a palavra se aproxima da pele e onde cada poema é um fragmento de vida”, explicou esta escritora, que revelou que o livro passará por diferentes momentos de apresentação, começando pela Suíça, mas com ligação a Portugal e a outros espaços “onde a língua portuguesa vive e se sente”.

Sobre a sua vida na Suíça, Ana confessa ter um sentimento de “estabilidade e saudade”, pois “é um país que oferece segurança e qualidade de vida, mas onde o coração continua muito ligado às raízes”.

“A Suíça representa um lugar de construção, de recomeço e de crescimento. É onde reconstruí partes da minha vida, sem nunca deixar de levar comigo quem sou. Vim viver para a Suíça por motivos pessoais e de vida, numa fase em que foi necessário recomeçar. Foi uma decisão que trouxe desafios, mas também muitas aprendizagens”, elencou.

Entre letras e memórias

Ana Casanova construiu um percurso literário ligado à poesia e à prosa poética, iniciado em 1992. A autora começou por partilhar os seus textos num blogue, onde cruzava escrita e experiências pessoais, incluindo a vivência enquanto mãe de uma criança com necessidades educativas especiais. Ao longo dos anos, consolidou uma produção regular, com várias obras publicadas e presença em antologias e iniciativas culturais.

Ana Casanova (esq.) e Olinda Beja. Foto: divulgação

Distinguida por entidades ligadas à cultura lusófona, Ana Casanova recebeu reconhecimento pelo contributo na divulgação das culturas de língua portuguesa e pelo envolvimento em iniciativas de carácter social e literário. Ao longo do seu percurso, acumulou menções honrosas em concursos internacionais e participou em projetos solidários, incluindo antologias com fins sociais.

“Espero continuar a escrever, a crescer como pessoa e como autora, e a partilhar a minha voz com cada vez mais pessoas. A estar sempre ativa em projectos culturais e sociais. Acima de tudo, continuar fiel a mim própria”, destacou, sem esquecer como vive o coração do imigrante português na Suíça.

“O coração do imigrante vive dividido entre o lugar onde está e o lugar de onde veio. Vive de saudade, mas também de força. Aprende a criar raízes novas sem nunca esquecer as antigas”, finalizou Ana Casanova.

Os seus livros podem ser adquiridos através de pedido na sua página oficial de autora no Facebook em: “Ana Casanova Poesias” ou através do e-mail: ana_casanova10@hotmail.com

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