“Portugal Nação Global”: Luís Miguel Ribeiro avalia evento como “nova fase da valorização do ativo estratégico de Portugal”

Presidente do Conselho de Administração da Fundação AEP sublinhou que as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo representam uma das maiores oportunidades económicas do país, defendendo uma nova fase de valorização institucional da diáspora enquanto rede global de negócios, conhecimento, influência e captação de investimento, mencionando ainda a atração e geração de talentos

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Luís Miguel Ribeiro, presidente do Conselho de Administração da Fundação AEP. Foto: Fundação AEP/divulgação
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O presidente do Conselho de Administração da Fundação AEP (Associação Empresarial de Portugal), Luís Miguel Ribeiro, considerou que a diáspora portuguesa representa hoje um dos mais relevantes ativos estratégicos de Portugal nos planos económico, empresarial e demográfico, defendendo uma mobilização mais estruturada das comunidades no apoio às exportações, à captação de investimento e ao regresso de talento qualificado.

Em entrevista exclusiva à Agência Incomparáveis no âmbito do Fórum “Portugal Nação Global”, realizado nos dias 29 e 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Luís Miguel Ribeiro começou por recordar que a AEP trabalha a temática da diáspora “há mais de sete anos”, através de uma estratégia continuada de aproximação às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, trabalho esse que deu origem à plataforma digital redeglobal.pt, atualmente com portugueses registados em mais de 150 países.

“Nós já há mais de sete anos a esta parte que trabalhamos este tema da diáspora”, afirmou, acrescentando que a plataforma construída ao longo deste percurso reúne “portugueses de mais de 150 países inscritos”, bem como “milhares de empresas registadas” e “centenas ou milhares de organizações portuguesas espalhadas pelo mundo”.

Segundo este responsável, o desafio lançado pelo secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, para coorganizar o fórum representou uma oportunidade para reforçar, em escala nacional, a mensagem sobre o valor estratégico das comunidades portuguesas no exterior.

“Fomos desafiados pelo senhor secretário de Estado das Comunidades Portuguesas para, em conjunto, organizarmos um fórum com impacto, com dimensão, em que, de facto, se passe a mensagem clara ao país daquilo que é a importância da diáspora portuguesa, do que é o ativo estratégico que esta diáspora representa”, sublinhou.

Na análise de Luís Miguel Ribeiro, a diáspora deve ser encarada não apenas como uma rede emocional ou cultural, mas como uma verdadeira infraestrutura económica global capaz de gerar oportunidades concretas para empresas portuguesas de diferentes dimensões.

“Estes portugueses que estão espalhados pelo mundo podem ser também embaixadores. Embaixadores que abrem portas, que identificam oportunidades nos mercados, que permitem a empresas mais pequenas poderem também exportar para estes países”, afirmou.

O presidente da Fundação AEP destacou igualmente a importância de captar investimento proveniente das comunidades portuguesas, defendendo que Portugal precisa de criar condições mais competitivas e menos burocráticas para transformar esse potencial em resultados concretos.

“Se o país criar as condições, se o país não complicar aquilo que são os processos, muitas vezes, para investir no nosso país, se nós mostrarmos aquilo que é Portugal hoje, aquilo que temos para oferecer, nós podemos atrair também investimento”, sustentou.

Questionado sobre o verdadeiro alcance da chamada diáspora económica, Luís Miguel Ribeiro fez questão de sublinhar que esta realidade vai muito além do universo empresarial tradicional, integrando também gestores internacionais, quadros especializados e profissionais portugueses com influência em grandes organizações globais.

“A diáspora económica não é só empresários, não é só empreendedores, é também gestores”, afirmou, acrescentando que Portugal dispõe hoje de “muitos gestores que estão em empresas de topo e são gestores de topo em empresas espalhadas um bocado pelo mundo”, cujo conhecimento internacional poderá ser determinante para o reforço da competitividade nacional.

Além da dimensão económica, Luís Miguel Ribeiro destacou ainda o impacto que a diáspora poderá ter na resposta ao desafio demográfico que Portugal enfrenta, defendendo políticas capazes de estimular o regresso qualificado de portugueses emigrados.

“O desafio demográfico que o país enfrenta, em parte também pode ser resolvido pelo regresso de muitos destes portugueses que emigraram”, referiu, salientando que esses profissionais regressam com “uma experiência de vida, um conhecimento do mundo” e competências que podem ser “uma mais-valia seja em organizações, seja em empresas, seja no país como um todo, seja até em termos sociais”.

Na reta final da nossa entrevista, mostrou-se convicto de que esta primeira edição do Fórum “Portugal Nação Global” poderá marcar o início de um novo ciclo na relação entre Portugal e as suas comunidades internacionais.

“Espero, sinceramente, e tenho essa convicção, que esta seja a primeira de muitas e que este seja o início de uma nova fase da valorização do ativo estratégico de Portugal, que se chama diáspora portuguesa e que pode tornar Portugal, que já é histórico no nosso país, uma nação global”, concluiu. 

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