“Para que a transformação aconteça, é necessário que a nossa atitude no mundo se transforme”

Cátia Simionato, terapeuta brasileira e criadora do “Método de Reorganização Interna”, defende que a transformação emocional depende do auto-amor e da integração das partes esquecidas de cada um, sendo o sentir a ponte entre pensamento e ação para uma mudança real e profunda

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Cátia Simionato, terapeuta brasileira e criadora do “Método de Reorganização Interna”. Foto: Agência Incomparáveis
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Cátia Simionato, terapeuta brasileira, produtora digital, responsável pelo canal no YouTube “Ser Felicidade”, e mentora internacional, desde cedo se dedicou à própria cura e ao estudo do desenvolvimento humano. Nascida na Grande São Paulo em contexto urbano e familiar “humilde”, estudou filosofia, história, simbologia, esoterismo e Artes Plásticas e trabalhou como professora de inglês. Aos 30 anos, mudou-se para a carreira de terapeuta, criou o “Método de Reorganização Interna” (MRI), tendo atendido mais de quatro mil pessoas. Hoje, vive em Garopaba, Santa Catarina, orientando indivíduos na jornada da mente ao coração.

Entre os dias 18 e 19 de abril, esta profissional esteve em Lisboa, no Seminário Torre d’Aguilha, para participar na segunda edição do Congresso Internacional Metamorfose da Alma, onde apresentou a palestra “Acolhimento: uma jornada de cura através do sentir”, abordando a importância de “integrar emoções e experiências internas” e mostrando como a “consciência do sentir permite mudanças profundas no comportamento, na perceção do mundo e na relação consigo mesma”.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, Cátia Simionato falou não apenas sobre a sua experiência no congresso, os objetivos da sua intervenção, o conceito de acolhimento e a relevância do sentir para a transformação pessoal, mas também sobre a forma como sugere lidar com emoções nos dias de hoje, o papel do contexto social como reflexo do mundo interno e ainda a importância de eventos internacionais para a troca de conhecimento e prática no desenvolvimento humano.

Como define o conceito de “acolhimento” no contexto do desenvolvimento humano e da cura emocional, tema central da sua intervenção neste congresso?
Acolhimento é “autoamor”, é integração de partes nossas que estão esquecidas ou negadas; essas partes, em geral escondidas no inconsciente, carregam memórias emocionais que passam a se repetir na nossa vida. Quando integradas com amor, transformam a nossa percepção do mundo e de nós mesmos.

De que forma o “sentir” pode ser entendido como ferramenta estruturante num processo de transformação pessoal?
Não é possível uma real transformação apenas com a compreensão intelectual, o sentir é a ponte entre o pensar e o agir. Para que a transformação aconteça, é necessário que a nossa atitude no mundo se transforme, sem esforço, sem aprisionamento em regras, e a ponte para que isso aconteça é o sentir. Em geral, evitamos o sentir, principalmente porque dói. A real transformação é olhar para as dores emocionais com coragem, amor e presença.

Que desafios identifica na capacidade das pessoas, hoje, de acolherem as próprias emoções e experiências?
Existe sempre o desafio da coragem; não é fácil olhar para onde dói, mas, na minha experiência, é a única forma. Existe também o desafio da crença em “fórmulas mágicas”. Estudei muitas delas, na esperança de trazerem cura, mas apenas tocam a superfície e adiam a grande tomada de decisão de trabalho interno.

A sua abordagem propôs uma jornada de cura. Que etapas considera essenciais nesse percurso?
Calma, auto-observação, conexão com o Divino, com a consciência, decisão por “ver de forma diferente”, alterando a perspectiva, a emoção muda e integração.

De que modo a sua prática tem evoluído ao longo dos anos no que respeita ao trabalho com emoções e processos internos?
A princípio, como a maioria das pessoas, busquei mudar as emoções através do conhecimento, dos estudos. Percebi que isso não adiantava, era teoria sem prática. Saber não adianta, é como ler a receita de um bolo, mas não o fazer, não o experimentar, e continuamos com fome. Depois busquei técnicas que prometiam transformação de forma rápida e mágica, traz a ilusão da transformação, mas não aprofunda e é passageiro. Isso me levou a buscar mais e mais técnicas, em busca da certa e melhor. Todo o buscador, na verdade, está perdido. Aos poucos, fui vendo que o caminho era olhar para dentro, entender que era necessário o autocuidado, auto-amor e integração. Esse é o caminho que vai da mente ao coração, da dualidade à unidade. Resumindo: é deslocar a consciência da mente, meditar, expandir o amor.

Que papel desempenha o contexto social e cultural na forma como os indivíduos lidam com o sentir e com o acolhimento?
O contexto externo funciona apenas como espelho do que está acontecendo internamente. A interpretação do contexto externo, aos poucos, deve ser compreendida como o modo como uma pessoa interpreta a si mesma. Na verdade, é como uma telenovela ou um romance literário: é o mesmo drama, com heróis e inimigos, apenas o cenário muda. Não importa o contexto social e cultural, o que importa é o olhar interno.

O que procurou transmitir ao público presente em Lisboa, particularmente no momento de abertura do congresso e na sua intervenção?
Procurei falar com o meu coração, transmitir a importância de ver o mundo e a si mesmo por outra perspectiva, mais integrativa, amorosa e pacífica.

Como avalia a importância de eventos internacionais como este para a partilha de conhecimento e práticas no campo do desenvolvimento pessoal?
Eu viajei muito pelo mundo e conheci muitos professores internacionais, estive em cerca de 15 países em diferentes contextos e visões de mundo, e, para mim, essa experiência foi riquíssima para a compreensão do ser humano e para a junção de diferentes pontos de vista. Somos como cegos tentando compreender algo jamais visto, assim, é importante podermos tatear por muitos ângulos para ter a compreensão do todo. Existe uma história que contextualiza isso: Um grupo de cegos (ou sábios cegos) ouve falar de um animal estranho, o elefante, e decide conhecê-lo pelo tato. A Exploração: Cada um apalpa apenas uma parte do animal: Tromba – “É como uma cobra/cano”; Orelha – “Parece um leque/tapete”; Perna – “É como um tronco/coluna”; Barriga – “Parece um muro”; Cauda – “É como uma corda”; Presa – “É como uma lança”. O Conflito: Eles discutem calorosamente, pois cada um insiste que a sua descrição é a única correta, sem perceberem que todos têm parte da razão, mas não a visão do todo. A Moral: A história ensina sobre a subjetividade da percepção, a limitação do conhecimento humano e a importância de aceitar múltiplas perspectivas para compreender a realidade (o todo).

Como avalia a sua participação no Congresso?
Como eu achei que haveria um público maior que não me conhecia, acabei optando por um tema mais abrangente, o que foi muito básico para o meu público.

Quais foram os seus objetivos?
Expandir o meu público em Portugal.

Foi a sua primeira presença em Portugal?

Já estive muitas vezes em Portugal, em outros eventos também. O Congresso Metamorfose da Alma está em fase inicial, mas tem potencial para crescer e unir profissionais brasileiros e portugueses na busca de diferentes visões.

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