Suíça: 14.ª Gala da “Revista Repórter X” juntou cultura, homenagens e emoção numa noite marcante para a diáspora lusófona no país helvético

Iniciativa voltou a afirmar-se como um dos mais “emblemáticos” encontros culturais da comunidade portuguesa na Suíça, reunindo artistas, escritores, jornalistas, empresários, dirigentes associativos e emigrantes de vários cantões num evento marcado pela celebração da identidade lusófona, pela partilha artística e por momentos de forte carga humana, cultural e social

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Evento reuniu comunidade lusófona. Foto: Agência Incomparáveis
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A “Revista Repórter X” realizou a sua 14.ª Gala no último dia 2 de maio, no Centro D’Olímpia, em Uffikon, no cantão de Lucerna, na Suíça, reunindo dezenas de convidados oriundos de diferentes regiões do país helvético numa noite dedicada à cultura portuguesa, contando com apresentações musicais, desfiles de moda, declamação de poemas, apresentação de livros e homenagens públicas. A ideia do fundador da publicação, João Carlos Veloso Gonçalves, conhecido por “Quelhas”, foi “valorizar figuras ligadas à comunicação, à literatura, à música, às artes e à comunidade emigrante”.

Esse capítulo de afirmação cultural da diáspora portuguesa na Suíça teve lugar num lugar emblemático para os portugueses na região. Descrito em palco como “um espaço de carácter raro, com palco de gavetões e cortinados ao estilo do cinema antigo, onde a arte respirou, a cultura se revelou e a comunidade se reencontrou”, o Centro D’Olímpia, liderado por Jenny Silva, abriu as portas uma noite onde diferentes expressões artísticas se cruzaram sob o mesmo teto, acolhendo uma gala marcada pela identidade própria do local, pela proximidade humana e pelo ambiente intimista. Um momento acompanhado de perto por José Dias Fernandes, deputado eleito para atuar na Assembleia da República portuguesa pela emigração pelo círculo da Europa.

A programação musical arrancou com “DJ Mike – Miguel Vilaça”. A apresentação oficial da gala ficou a cargo de José Figueiras, conhecido apresentador da SIC. Ao longo da noite, a gala foi ganhando forma através de uma programação diversificada que integrou gastronomia, música, dança, canto, fado, literatura, arte plástica, moda, homenagens, discursos, testemunhos sociais e bancas de exposição. As atuações musicais estiveram a cargo de Tom Sawyer, José Figueiras e Álvaro Tai Ho, enquanto os momentos de fado à capela foram protagonizados por Ruth Collaço e Álvaro Tai Ho. A literatura voltou igualmente a ocupar lugar central, com intervenções de Ruth Collaço, Zezinha Peniche, Ígor Lopes, Álvaro Tai Ho e João Carlos Veloso Gonçalves. Ao nível das exposições e espaços temáticos, marcaram presença projetos como Nini Shop, Cake Designer e Thermomix, além de momentos dedicados à arte plástica e à troca simbólica de livros entre autores. Durante a gala, foram entregues homenagens, distinguindo DJ Mike, Abílio Novais, José Dias Fernandes, Ruth Collaço, Ígor Lopes, Jenny Silva e Álvaro Tai Ho, reconhecendo o contributo de cada um para a cultura e para a comunidade lusófona.

A segunda parte da gala contou com um desfile de moda promovido pela “Kamakosa51”, representada pela atriz e modelo Carla Debbie, com participação de várias modelos ligadas à comunidade portuguesa. A noite ficou igualmente marcada por intervenções de carácter social, com testemunhos públicos sobre problemáticas que afetam emigrantes portugueses residentes na Suíça.

Protagonistas destacam sucesso da Gala

O fundador da iniciativa, “Quelhas”, fez um balanço positivo desta 14.ª edição.

“Tivemos pessoas de vários cantões. Isso é interessante numa gala, porque são pessoas que acompanham os trabalhos do Quelhas”, afirmou, sublinhando o facto de ter escolhido o Centro D’Olímpia para acolher o evento.

“Todos os locais escolhidos são especiais, mas eu sou “apaixonado” por este Centro. Para já, fica na serra, longe da cidade, é tranquilo, há estacionamentos, e, além disso, é uma casa antiga, com um palco antiguíssimo. É um local histórico, acolhedor, onde também a parte humana funciona”, disse, sublinhando que “as galas também dão voz aos artistas”.

Também Jenny Silva, responsável pelo Centro, destacou a diversidade de homenagens e expressões culturais reunidas numa só noite.

“Tiro um resultado bastante positivo desta gala, porque foi feita aqui uma homenagem a nível diversificado”, afirmou a empresária e dinamizadora cultural, acrescentando que o espaço continua a apostar fortemente na promoção da cultura portuguesa.

“Este Centro foi uma homenagem que eu fiz à minha mãe, à Dona Olímpia, e nós tentamos trazer artistas e fazer várias festas. Para mim, é muito especial ver esta casa cheia de cultura, de pessoas, de emoção”, reforçou, atestando ainda que, “com certeza”, considera hoje o espaço “uma referência nesta zona da Suíça em termos de entretenimento para a comunidade portuguesa”.

Fundador da “Revista Repórter X”, João Carlos Veloso Gonçalves, conhecido por “Quelhas”. Foto: Agência Incomparáveis

Por sua vez, José Dias Fernandes, deputado eleito pela emigração, aproveitou a gala para reforçar a importância de iniciativas que continuam a dar palco e voz às comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

“Sou emigrante há mais de cinco décadas e, por isso, vivi as maiores dificuldades que havia naquela altura para nós emigrantes”, afirmou este parlamentar, que referiu ainda que encontros desta natureza têm um simbolismo especial para quem vive fora de Portugal, defendendo que estes momentos ajudam a reforçar o sentimento de pertença entre emigrantes.

“Constato hoje que a diáspora portuguesa, os expatriados portugueses, foram esquecidos completamente pelo poder político em Portugal”, declarou, acrescentando que “nós seremos sempre uma mais-valia financeira para Portugal e não o equivalente de portugueses cidadãos”. 

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