
A Fundação Livraria Lello, no Norte de Portugal, recebe esta quinta-feira, 22 de maio, pelas 21h, a cerimónia de entrega do “Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia”, iniciativa que volta a reunir autores de vários países de língua portuguesa em torno da valorização da criação literária no espaço lusófono. A sessão decorre em Leça do Balio e homenageará os escritores Joaquim Arena, distinguido por Cabo Verde em 2024, e Daniel Braga, laureado por Timor-Leste em 2025.
A iniciativa reforça o posicionamento do prémio enquanto plataforma de reconhecimento da literatura produzida em língua portuguesa nos diferentes continentes, “promovendo o diálogo entre geografias, identidades e memórias culturais que compõem a lusofonia contemporânea”.
O evento conta com o envolvimento da Fundação Livraria Lello, entidade que tem vindo a consolidar a sua presença na promoção cultural e literária em Portugal, acolhendo projetos ligados à língua portuguesa e à circulação internacional de autores.
A curadora do prémio, Avelina Ferraz, destacou a atualidade da obra de Guerra Junqueiro e a forma como os escritores distinguidos mantêm viva a dimensão ética e humanista da literatura.
“Recordamos inevitavelmente um escritor que ultrapassou o seu tempo. A sua obra permanece viva porque continua a dialogar com questões universais. E, tal como Junqueiro, Joaquim Arena compreende que a literatura pode ser simultaneamente beleza estética e reflexão crítica sobre o destino humano, sobre as desigualdades, os silêncios da história e as permanências da memória”, afirmou.
Sobre Daniel Braga, escritor distinguido por Timor-Leste, Avelina Ferraz sublinhou a ligação entre literatura, identidade e resistência cultural.
“Também Daniel Braga, através da sua escrita marcada pela experiência timorense, pela resistência cultural e pela afirmação identitária, revela uma literatura profundamente comprometida com a dignidade humana. Na sua obra encontramos ecos de resiliência, pertença e reconstrução, temas que dialogam, de forma subtil mas poderosa, com a dimensão ética presente na obra de Guerra Junqueiro”, acrescentou.

Também o presidente da Câmara Municipal de Freixo de Espada à Cinta, Nuno Ferreira, destacou o significado cultural do prémio e a ligação da iniciativa ao território associado à memória de Guerra Junqueiro.
“Embora separados pelo tempo, pelas geografias e pelos contextos históricos, estes autores aproximam-se naquilo que talvez seja a essência maior da literatura: a capacidade de dar voz às inquietações humanas e de transformar a palavra num espaço de consciência e de liberdade. Assim é a missão do Prémio que assumimos como identidade e memória do nosso território”, declarou.
Segundo apurámos, o “Prémio Literário Guerra Junqueiro Lusofonia” tem vindo a afirmar-se como um dos “espaços de valorização da produção literária no universo da língua portuguesa, reunindo autores de diferentes países e sensibilidades culturais”.
A edição de 2025 distinguiu nomes de vários países lusófonos, entre eles Inês Pedrosa, Paulo Coelho, Francisco Conduto de Pina, Fátima Bettencourt, Lúcio Neto Amado, Maria Jesús Evuna Andeme, José Mena Abrantes e Sónia Sultuane.

A cerimónia desta quinta-feira reforça ainda o papel da Fundação Livraria Lello como espaço de encontro entre literatura, património e pensamento contemporâneo, acolhendo autores oriundos de diferentes realidades do mundo lusófono num momento de afirmação cultural da língua portuguesa.
Em 2025, prémio foi entregue a Dulce Maria Cardoso
A escritora portuguesa Dulce Maria Cardoso recebeu o Prémio Literário Guerra Junqueiro – Lusofonia 2024 na sessão de abertura da primeira edição da Fliporto Portugal, realizada no Mosteiro de Leça do Balio, em Matosinhos.
Durante a cerimónia, a autora afirmou estar “comprometida em continuar a ficcionar” e agradeceu a homenagem. A investigadora Margarida Calafate Ribeiro destacou a relevância da obra da escritora.
A abertura reuniu representantes culturais, institucionais e governamentais, como Emídio Sousa, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, que defendeu a cultura como “investimento e sublinhou a língua portuguesa como elemento de união entre os países lusófonos”.
No âmbito desse mesmo evento, a escritora e poetisa angolana Amélia Dalomba recebeu o “Prémio Literário Guerra Junqueiro – Lusofonia 2024”.
Natural de Cabinda, a autora desenvolveu percurso na literatura, jornalismo e ativismo social, integrando instituições como a União de Escritores Angolanos e a Academia Angolana de Letras. Entre as distinções recebidas estão o Prémio Nacional de Cultura e Artes de Angola e a Ordem do Vulcão de Cabo Verde. ■




