Brasileiros ampliam “migração produtiva” para o Paraguai em meio à diferença tributária

País vizinho concentrou 64% das residências concedidas a estrangeiros no primeiro trimestre de 2026, segundo dados migratórios paraguaios

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Empresas brasileiras têm ampliado suas operações no Paraguai por meio do regime de maquila e de incentivos fiscais. Foto: divulgação
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Empresários e trabalhadores brasileiros ampliaram a migração para o Paraguai nos últimos anos, impulsionados pela menor carga tributária e pelos incentivos fiscais oferecidos pelo país vizinho. Dados da Direção Nacional de Migrações do Paraguai apontam que 23.526 brasileiros receberam autorização de residência em 2025, mais do que o dobro dos cerca de 10 mil registros contabilizados em 2020.

No primeiro trimestre de 2026, o Paraguai recebeu 18.071 pedidos de residência de estrangeiros, alta de 85% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os brasileiros representaram 64% das concessões realizadas entre janeiro e março.

O economista Charles Mendlowicz atribui o movimento principalmente à diferença entre os sistemas tributários dos dois países. Segundo ele, empresários brasileiros buscam reduzir custos operacionais diante da elevada carga tributária nacional.

Enquanto o Paraguai mantém o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) em 10%, o Brasil discute uma reforma tributária que, segundo análise do Taxgroup citada no material, pode elevar a carga total do IVA para entre 26,5% e 28%.

No setor industrial, um dos principais atrativos é a Lei de Maquila, regime que permite às empresas operar com imposto de importação de 1% sobre o valor agregado. De acordo com o Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, mais de 200 empresas brasileiras migraram para esse modelo desde 2007.

Segundo Mendlowicz, sete em cada dez fabricantes instalados no regime de maquila têm origem brasileira. Empresas como a Karsten e a Lupo ampliaram operações no território paraguaio.

O economista afirmou ainda que diferenças tributárias provocam distorções de preços entre os países, incluindo veículos produzidos no Brasil, vendidos a valores menores no Paraguai. Apesar disso, ponderou que o país vizinho ainda enfrenta limitações estruturais e indicadores de desenvolvimento inferiores aos de economias mais avançadas. 

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