“Penafiel Racing Fest”: “Levar as corridas às pessoas, e não esperar que as pessoas vão às corridas, foi o nosso toque de mágica”, afirma Óscar Coelho após edição histórica

Óscar Coelho, diretor e principal responsável pela organização do “Penafiel Racing Fest”, através da Cooperativa de Desenvolvimento Desportivo e Cultural (CDDC), fez o balanço de uma edição marcada por recordes de público, forte presença da comunidade lusófona e crescente projeção internacional, defendendo que o sucesso do evento resulta da capacidade de aproximar o desporto motorizado das pessoas e de transformar Penafiel num ponto de encontro entre culturas

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O “Penafiel Racing Fest” encerrou mais uma edição histórica, reforçando o seu estatuto como o maior festival motorizado urbano da Europa e consolidando-se como um dos mais relevantes eventos desportivos realizados anualmente em Portugal. Ao longo de três dias, entre 12 e 14 de junho, a cidade de Penafiel, no norte de Portugal, reuniu mais de 500 pilotos distribuídos por seis modalidades federadas e atraiu uma assistência superior a 150 mil espectadores provenientes de diferentes regiões portuguesas e de vários pontos da Península Ibérica, num ambiente marcado pela competição, pelo entretenimento e pela convivência entre comunidades.

A oitava edição ficou igualmente assinalada pela crescente dimensão internacional do festival, nomeadamente através da expressiva presença da comunidade brasileira residente em Portugal. O fenómeno, identificado pela imprensa local como um dos maiores registos de participação brasileira de sempre no evento, reforçou a capacidade do “Penafiel Racing Fest” para afirmar o desporto enquanto instrumento de integração social e aproximação entre os povos do espaço lusófono.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, Óscar Coelho, diretor do “Penafiel Racing Fest” e rosto da organização através da Cooperativa de Desenvolvimento Desportivo e Cultural (CDDC), fez o balanço do evento, analisando os fatores que explicam o sucesso da iniciativa, o impacto económico e cultural gerado na região e os desafios que se colocam ao futuro daquele que considera ser “o evento motorizado mais eclético da Europa”.

O “Penafiel Racing Fest” já se afirmou como o maior festival motorizado do país. No entanto, nesta 8.ª edição, a grande vitória parece estar na “massa humana”. O Jornal Paivense acabou de constatar que teremos um recorde histórico de público brasileiro nas bancadas. Como analista da Lusofonia, pergunto-lhe: como é que o asfalto de Penafiel se transformou neste forte polo de integração cultural?

É uma enorme satisfação receber essa moldura humana e, em particular, a nossa comunidade irmã do Brasil. O Racing Fest nasceu para ser uma homenagem a todos os pilotos da nossa região, mas foi desenhado sob um conceito estritamente urbano exatamente para aproximar as modalidades dos espetadores, familiares e amigos que, por norma, não se deslocam às montanhas. O intuito de levar as corridas às pessoas, e não esperar que as pessoas vão às corridas, foi o nosso toque de mágica.

Foto: divulgação

Ao longo dos anos, a notoriedade internacional cresceu de forma orgânica. Hoje, Penafiel e todo o Vale do Sousa são palcos de um dinamismo comercial incrível que atrai milhares de cidadãos brasileiros para viver e trabalhar. Saber que este festival – que é totalmente gratuito – serve de ponto de encontro para eles celebrarem a integração no nosso país através do desporto é extraordinário. O desporto motorizado aqui não divide; une e cria comunidade.

Sentimos que a vossa estratégia para este ano passa por humanizar o festival, deixando um pouco de lado a frieza técnica das máquinas e apostando forte no ambiente, no convívio e na cultura. A parceria com o Ponto C Cultura e Criatividade é o reflexo disso?

Absolutamente. O público que nos visita é fiel, mas nós percebemos que as pessoas também ficam cansadas de ver apenas carros a passar. Elas querem ver os pilotos, querem ver rostos, querem interagir, ter uma Fun Zone recheada, uma Praça de Alimentação cosmopolita e um palco bonito. Querem experiências. A nova gestão do Palco PRF a cargo da excelente equipa do Ponto C é o nosso grande trunfo cultural. Teremos mais de 30 horas de atividade com bandas, DJ’s e artes performativas — como o concerto de Tributo a Smashing Pumpkins, os The Black Wizards ou as batalhas de freestyle com a Roda Universo. Queremos que a população e os mais de 2200 credenciados tenham momentos de descontração e festa pura entre as competições sérias e federadas.

Olhando para o “grid” de partida, temos em Penafiel uma autêntica constelação internacional. O que representa para o prestígio do evento contar com nomes que vão desde recordistas mundiais portugueses até campeões e fenómenos digitais vindos de Espanha?

Mostra o nível de qualidade e o respeito que o festival conquistou na Europa. Na velocidade pura do Drag Racing, temos o José “Zezé” Realista, que detém o recorde mundial do carro a gasóleo com tração dianteira mais rápido do planeta com o seu VW Polo TDI. No Trial 4×4, jogamos com o nosso herói local, o Emanuel Costa, que é Campeão Europeu de Ultra4 e uma lenda viva do todo-o-terreno. A nível de Espanha, a Galiza traz-nos o Xosé Anxo Ares, bicampeão espanhol e atual líder do campeonato português de Hard Enduro, e o Welele Hard Enduro Team, que além de piloto é um fenómeno gigante como influencer no TikTok e Instagram. Esta mistura atrai um fluxo imenso de público ibérico que esgota por completo a hotelaria da região. Mas há um impacto económico e empresarial invisível e profundo: esta região é amplamente conhecida na Europa pela qualidade das suas empresas e mão de obra especializada nas áreas de engenharia mecânica, eletrónica, estruturas e metalomecânica de alta competição. O Racing Fest projeta internacionalmente os nossos especialistas locais.

O grande símbolo desportivo do fim de semana continua a ser o Rally da Taça Joaquim Santos. Que mensagem de identidade transmite esta homenagem ao país e ao mundo?

É o nosso maior statement. Manter viva a memória do Joaquim Santos, que foi uma figura queridíssima a nível nacional e inspirou todas as gerações de pilotos nos anos 80, é a prova de que nesta região somos feitos de uma fibra diferente. Ele foi o exemplo vivo de que um jovem de família humilde, vindo de uma pequena comunidade local, conseguiu ser Tetra Campeão Nacional e bater-se com os maiores nomes do panorama mundial do desporto automóvel. Ele criou em todos nós a expectativa de que se ele pôde chegar lá, todos podemos almejar o mesmo. Não é por acaso que Penafiel é o concelho com o maior número de campeões e vencedores de troféus motorizados de toda a Europa.

Para fechar, depois de consolidar este sucesso ibérico e lusófono na 8.ª edição, qual é o próximo passo para o “Penafiel Racing Fest” nos próximos anos?

Nós atingimos o nosso limite físico em Penafiel. As listas de inscritos estão cheias e não temos mais capacidade de crescer em espaço sem perder a mobilidade do paddock ou comprometer as exigências rigorosas de segurança das nossas federações (FPAK e FMP). O futuro do projeto passa agora pela expansão do modelo.

Foto: divulgação

O “Penafiel Racing Fest” é o evento mais eclético da Europa e, desde que haja marcas com capacidade de investir ao nível do marketing, o nosso objetivo é replicar este conceito noutras localidades, nomeadamente em capitais de distrito, profissionalizando a equipa e criando infraestruturas que elevem ainda mais o desporto motorizado nacional. ■15

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