Opinião: “10 de junho: Celebramos a epopeia de quem parte e se reconstrói”, por Emídio Sousa

“A história de Portugal é indissociável da emigração. Ao longo dos séculos, foram muitos os que “partiram por mares nunca dantes navegados”, não apenas no sentido literal, mas também no simbólico: enfrentando o desconhecido, adaptando-se a novas realidades”

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Emídio Sousa, Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Foto: divulgação
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O 10 de Junho é, antes de mais, o dia em que celebramos todos os portugueses — independentemente de onde se encontram. É um momento que transcende fronteiras geográficas e políticas, convocando uma ideia mais profunda de pertença: a de uma Nação feita de histórias, de memórias e de ligações.

Este é, por isso, um dia de celebração, mas também de reflexão. Celebramos a nossa identidade coletiva, construída ao longo de séculos de história, de literatura e de cultura. Evocamos a epopeia portuguesa, cantada por Camões, que simboliza não apenas os feitos marítimos, mas a capacidade de um povo de se superar e de procurar sempre mais além. E, ao mesmo tempo, recordamos cada percurso individual — cada português que partiu, muitas vezes em condições adversas, para construir uma vida melhor, contribuindo para algo maior do que si próprio.

A história de Portugal é indissociável da emigração. Ao longo dos séculos, foram muitos os que “partiram por mares nunca dantes navegados”, não apenas no sentido literal, mas também no simbólico: enfrentando o desconhecido, adaptando-se a novas realidades. Esses percursos individuais, tantas vezes marcados pelo esforço e pelo sacrifício, são hoje pilares daquilo que somos enquanto comunidade global.

Os portugueses espalhados pelo mundo são uma extensão viva do país. Mantêm laços de pertença, constroem redes de solidariedade, promovem a língua e a cultura portuguesas, e projetam uma imagem de Portugal além das suas fronteiras. Nesse sentido, o 10 de Junho é também o dia da diáspora — o dia de celebrar que Portugal não se esgota no seu território.

Mas é precisamente aqui que emerge um dos grandes desafios do nosso tempo: a dispersão geográfica. Se, por um lado, esta globalidade é uma força, por outro, coloca dificuldades reais. Como garantir proximidade quando estamos espalhados por diferentes continentes? Como escutar verdadeiramente as comunidades quando a distância física se impõe? Como assegurar que todos os portugueses, onde quer que estejam, se sintam representados e incluídos nas decisões que os dizem respeito?

Estas questões não têm respostas simples. Exigem presença, escuta ativa e políticas públicas que não se limitem à intenção, mas que se traduzam em ações concretas. Exigem também uma relação de confiança entre o Estado e as comunidades, baseada no reconhecimento do seu valor e da sua diversidade.

Mais do que nunca, é fundamental reforçar os mecanismos de ligação entre Portugal e os seus cidadãos no estrangeiro — seja através da valorização das estruturas consulares, do apoio ao movimento associativo, do incentivo à participação cívica, ou da promoção de iniciativas que reforcem os laços culturais e identitários. A proximidade constrói-se, mesmo à distância, quando há vontade e compromisso. Esta tem sido a minha missão desde há um ano, como Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.

O 10 de Junho deve, assim, ser assumido como um ponto de partida para pensar o futuro. Um futuro em que Portugal se reconheça plenamente como uma Nação Global, capaz de integrar todas as suas partes — dentro e fora do território — num projeto comum. Um futuro em que a distância deixe de ser um obstáculo e passe a ser uma oportunidade de enriquecimento coletivo.

Celebrar Portugal é, no fundo, celebrar as pessoas. As suas histórias, os seus percursos, as suas conquistas. Mas é também assumir a responsabilidade de não deixar ninguém para trás — de garantir que todos os portugueses contam, que todos são escutados e que todos têm lugar neste projeto coletivo.

Neste 10 de Junho, mais do que lembrar o que fomos, importa afirmar o que queremos ser: uma Nação coesa, inclusiva e próxima — mesmo quando está espalhada pelo mundo, um Portugal Nação Global. ■

Emídio Sousa

Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas

Texto enviado à Agência Incomparáveis

*Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a visão do nosso órgão de comunicação social

 

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