
Um cliente manda uma mensagem às onze da noite, decidido a comprar, e do outro lado responde-lhe alguém que percebe o que procura, esclarece as dúvidas e marca uma reunião para o dia seguinte. Esse alguém é uma inteligência artificial, e foi a ver novidades como esta que passei os últimos dias no Web Summit Rio, que reuniu mais de trinta e quatro mil pessoas entre 8 e 11 de junho.
Entre as muitas novidades, destacaram-se as ferramentas dedicadas ao atendimento de clientes. Em um dos eventos, conheci o OLAF, um simpático robô que conversa com os clientes diretamente no WhatsApp, percebe o que cada pessoa procura e marca, quando faz sentido, uma reunião com a equipa comercial. Pode parecer um pormenor técnico, mas resolve um problema bem antigo, o de não conseguirmos responder a toda a gente a tempo e horas.
Em Portugal, o WhatsApp é hoje a rede com maior penetração, presente em cerca de 90% dos utilizadores de redes sociais, segundo a Marktest. A adesão das empresas também acelera: segundo o Eurostat, a percentagem de empresas europeias que usam inteligência artificial subiu de 13,5% em 2024 para cerca de 20% em 2025. Agradou-me o seu lado discreto, capaz de servir tanto o comércio de bairro como uma grande empresa, encarregando-se do primeiro atendimento, sem ser percebido como uma inteligência artificial.
Fico, ainda assim, com uma pergunta que gostaria de vos devolver. Quem de nós teria, hoje, a coragem de deixar uma inteligência artificial atender os seus clientes? Escrevam-me para aguiar@a2digitalhub.com.br e digam-me que tarefa confiariam, ou nunca confiariam, a uma ferramenta destas. ■
André Aguiar
Especialista em Marketing, Escritor, Professor, Palestrante e Referência em Inteligência Artificial Aplicada aos Negócios e CEO
Linkedin: linkedin.com/m/in/aaguiar-mkt/
*Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a visão do nosso órgão de comunicação social




