Feira do Livro de Lisboa 2026: Ana Poltera desafia mulheres a descobrirem as suas forças interiores para “transformarem as suas vidas”

Empresária e autora destacou a importância da transformação interior, da maternidade consciente e da superação de padrões familiares, além de defender que o desenvolvimento pessoal é a base para construir relações, projetos e percursos de vida mais sólidos e equilibrados

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Ana Poltera, empresária, CEO do programa “Gravidez na Maturidade”, líder do movimento “E.L.A.S Foram Chamadas para Gerar”, mentora em “Fertilidade & Identidade”, criadora do método “Gerar” e autora de várias obras. Foto: Agência Incomparáveis
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A empresária brasileira radicada na Suíça Ana Poltera, CEO do programa “Gravidez na Maturidade”, líder do movimento “E.L.A.S Foram Chamadas para Gerar”, mentora em “Fertilidade & Identidade”, criadora do método “Gerar” e autora de várias obras, participou na Feira do Livro de Lisboa 2026, onde apresentou o livro “Chamadas para Gerar” e partilhou o seu percurso pessoal, as causas que defende e os projetos internacionais que desenvolve nas áreas da maternidade, da saúde emocional e da prevenção do suicídio.

Em entrevista à Agência Incomparáveis no âmbito do evento na capital portuguesa, que decorreu entre os dias 27 de maio e 14 de junho, no Parque Eduardo VII, Ana Poltera, convidada pela “Suíça Literatura Network”, clube liderado por Linia Brandt, começou por descrever a participação no evento como a “concretização de um objetivo que alimentava há vários anos, desde uma visita realizada ao evento em 2024”.

“Hoje, estar na Feira do Livro, aqui em Lisboa, é uma contemplação divina”, salientou.

Ao recordar essa experiência, explicou que o momento surgiu depois de ter acompanhado o lançamento de uma obra dedicada a mulheres que enfrentaram diferentes adversidades ao longo da vida.

“Eu estive aqui em 2024 com uma amiga que lançou um livro, ‘Pare de Lutar e Vença’, porque ela trouxe contos de mulheres que vivem o dia a dia lutando para sobreviver. Lutando, passando por cima de doenças, passando por cima do diagnóstico, passando por cima, sempre. Mas chega um momento em que o corpo fala, ‘para! Se você não parar, eu te paro’”, recordou.

Segundo Ana Poltera, foi nessa ocasião que decidiu que um dia regressaria a Lisboa para apresentar uma obra da sua autoria.

“Olhando para a minha amiga aqui em 2024, eu disse: um dia eu vou estar aqui em Lisboa lançando o meu livro. E hoje eu trouxe o meu livro aqui, “Chamadas para Gerar””, celebrou esta empresária, que explicou que o livro assenta na ideia de que a capacidade de gerar filhos, projetos, negócios ou relações saudáveis depende, antes de mais, da construção da identidade pessoal e emocional de cada mulher.

“Uma mulher não consegue gerar algo tão grandioso se ela não gerar o interior dela. Se ela não olhar para ela, olhar para a mulher, gerar a mulher para que o filho venha, para que o relacionamento venha, para que os negócios venham, para que as promessas venham, para que as realizações venham e para que essa mulher possa reter a vida nas mãos”, defendeu.

Ao longo da entrevista, Ana Poltera partilhou também aspectos do seu percurso pessoal, revelando que viveu períodos marcados por dificuldades familiares, emocionais e financeiras que influenciaram profundamente a sua visão da vida.

“Eu não conseguia reter nada nas minhas mãos. Nem filho, nem negócios, nem nada. Os filhos abortavam. O dinheiro escorria pelas mãos. Relacionamento, casamento, era tudo ceifado”, recordou.

Foto: Agência Incomparáveis

A autora explicou que a mudança começou quando procurou compreender padrões familiares que se repetiam ao longo das gerações.

“Quando eu olhei para a minha mãe e eu entendi o porquê eu estava vivendo aquilo, por honrar a dor dela, eu falei, ‘nossa!’. E eu descobri o meu maior segredo. Eu descobri, aí em mim, a mulher que gera, que mantém casamento e que casa, porque ela ouviu o chamado da vida”, afirmou.

Atualmente, Ana dedica grande parte do seu trabalho a apoia mulheres que enfrentam desafios semelhantes, incentivando-as a desenvolver uma relação mais consciente com elas próprias.

“Hoje eu estou aqui levantando mulheres do mundo inteiro para ouvir o chamado da vida. O chamado para gerar. Para gerar a mulher interior, aquela mulher que vive, aquela mulher que expressa, aquela mulher que gera e aquela mulher que mantém e sustenta tudo aquilo que ela conquistar”, sublinhou a nossa entrevistada, que abordou ainda que tem desenvolvido estudos e reflexões sobre questões relacionadas com a fertilidade e a maternidade, defendendo que muitas mulheres enfrentam atualmente dificuldades crescentes nesse domínio.

“Eu fiz uma pesquisa, entre 2011 para este ano. A dificuldade que a mulher tem para reter a vida, para a maternidade, para gerar um filho, para realmente reter aquela gravidez e mantê-la os nove meses”, referiu.

Durante a conversa, Ana Poltera abordou igualmente o projeto “Setembro Amarelo da Conexão Global”, iniciativa à qual está associada na Suíça e que procura sensibilizar para a prevenção do suicídio e para a importância da saúde mental.

A empresária explicou que a problemática afeta cada vez mais jovens e crianças expostos a contextos familiares difíceis.

Ana Poltera (esq.) e Linia Brandt, responsável pela “Suíça Literatura Network”, durante troca de livros. Foto: Agência Incomparáveis

“Na Suíça, nós estamos enfrentando o suicídio entre os jovens também. E não é só mulher, é entre jovens também. Quando os jovens, crianças, passam por situações como eu passei, de abuso infantil, violência doméstica, ou da indiferença dos pais, o silêncio, o jovem perde a direção”, alertou.

Na sua perspectiva, a estabilidade familiar desempenha um papel decisivo no desenvolvimento emocional das novas gerações.

“A base é o começo. Mas, se essa base está em ruínas, o filho não vai conseguir prosperar. O filho não vai conseguir reter a vida”, sustentou.

Ao apresentar o projeto, destacou a dimensão internacional da iniciativa e o objetivo de dar voz a pessoas que superaram situações de sofrimento.

“’Setembro Amarelo’ traz vozes de mulheres e homens no mundo inteiro com a Conexão Global na Suíça, da qual sou franqueada”, explicou Ana Poltera, que complementou dizendo que o trabalho desenvolvido pela fundadora e CEO do projeto, Rayssa Lucena, é “um exemplo de superação pessoal”.

“Essa mulher chegou ao ponto de não ter nem o que comer. E hoje ela está em 27 países porque ela recebeu o chamado da vida”, afirmou.

No âmbito desta iniciativa, Ana anunciou a realização de várias atividades em Portugal e na Suíça durante o mês de setembro. “Eu vou estar aqui em Portugal no dia 13 de setembro também”, disse.

Foto: Agência Incomparáveis

Relativamente à Suíça, revelou que os eventos decorrerão entre os dias 24 e 27 de setembro.

“No dia 24 eu vou lançar uma coletânea onde estarão 52 mulheres e 52 histórias de mulheres que receberam o chamado da vida. Mulheres que hoje falam para as mulheres, mulheres que hoje têm histórias, mulheres que hoje vão fazer a diferença na vida de outras mulheres”, explicou.

Para concluir, Ana Poltera deixou uma mensagem de incentivo dirigida às mulheres que acompanham o seu trabalho e que procuram ultrapassar desafios pessoais ou familiares.

“Você não pode ficar de fora porque você é essa mulher que recebeu o chamado para gerar”, finalizou. ■

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