Feira do Livro de Lisboa 2026: Ana Carvalho destaca regresso afetivo a Lisboa e realça a escrita como um exercício de “pausa refrescante”

Autora luso-brasileira reforçou a ligação emocional à capital portuguesa e ao percurso acadêmico que ali desenvolveu, sublinhando o papel da literatura como forma de observação do quotidiano e valorização do silêncio enquanto matéria criativa

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Ana Carvalho, diplomata civil, professora universitária, psicóloga de empresa e escritora, durante sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa. Fotos: Agência Incomparáveis
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A diplomata civil, professora universitária, psicóloga de empresa e escritora Ana Carvalho destacou, na Feira do Livro de Lisboa 2026, o seu percurso literário e acadêmico entre Portugal e Brasil, bem como a forma como a escrita reflete uma ligação íntima às suas raízes familiares, ao território lisboeta e à experiência do “silêncio” enquanto elemento central da sua obra.

Em entrevista à Agência Incomparáveis durante o evento na capital lisboeta, que decorreu no Parque Eduardo VII entre os dias 27 de maio e 14 de junho, Ana, convidada pela “Suíça Literatura Network”, partilhou a sua experiência enquanto autora e o significado da obra apresentada ao público.

A autora começou por sublinhar que a sua presença em Lisboa representa um “regresso simbólico a um espaço que sente como próprio, valorizando a sua identidade híbrida entre Brasil e Portugal e a ligação familiar às origens portuguesas”.

“Estar aqui em Lisboa, para a Feira do Livro, é uma honra, até porque eu sou uma portuguesa nascida no Brasil. Eu tenho origem tramontana, pai e mãe portugueses. Aliás, os meus pais são a minha titulação máxima, como eu costumo dizer. E, para mim, eu estou em casa, ou melhor, estou no quintal de casa, pois eu moro bem perto aqui da Feira do Livro”, acrescentou.

Sobre a obra apresentada na Feira do Livro, a autora explicou a sua gênese e inspiração literária.

“Este livro é como uma sugestão de silêncio. O livro chama-se ‘Silêncio, o espaço entre as palavras’ e foi editado pela Infinita Editorial. Este livro foi construído desde 2021/ 2022, a partir dos outonos e invernos em Lisboa, por ocasião do meu pós-doutoramento aqui. Uma obra concebida após estudar e ficar na vida acadêmica, científica, pesquisando, ou seja, depois desses estudos, eu costumava dar uma volta por Lisboa. Então, comecei a observar, a ouvir, a escutar o silêncio das pessoas, das árvores, das coisas. Para mim, é uma brisa refrescante, como eu costumo dizer. E foi também porque, muitas vezes, eu ia ao Rio Tejo. Então, no livro, tem vários momentos em que eu falo, “hoje vou ao Tejo”, referiu.

Ao ser questionada sobre a sua identidade literária, Ana destacou o percurso pessoal e acadêmico que sustenta a sua escrita.

“Eu estou no meu oitavo livro. Escrevo sobre soft skills como resiliência, inteligência emocional, liderança e fiz também algumas co-autorias que foram lançadas, há meses. Uma em Curitiba (Brasil), outra em Vila Real (Portugal), também em Utrecht (Holanda) e em Genebra (Suíça). Inclusive, esse livro, ‘Silêncio’, também foi lançado no Salão do Livro de Genebra, tendo recebido um selo de obra literária premiada e dois prêmios”, salientou.

Sobre quando começou a escrever, destaca que foi desde a infância: “Quando a gente fazia um passeio, os meus pais sempre me estimulavam a fazer uma redação sobre o passeio. Então, lá estava eu, escrevendo sobre o que eu via no passeio”, acrescentou.

Sobre a ligação ao projeto editorial associado à “Suíça Literatura Network”, a autora destacou o sentimento de acolhimento.

“O livro foi lançado em Genebra pela “Suíça Literatura Network”, a quem eu honro, a nossa CEO, a Línia Brandt, e a Dany Franco, curadora do nosso trabalho. E, assim, a gente se sente acolhida e eu dou muito valor a esse termo, ao acolhimento”, enfatizou.

Quanto aos próximos projetos literários, Ana Carvalho revelou a existência de novas obras já concluídas e planos de internacionalização.

“Relativamente a próximos projetos, já tenho dois livros prontos, além do ‘Silêncio’ que será lançado também na Feira do Livro de Frankfurt, em alemão, em outubro”, explicou.

Questionada sobre o significado de Lisboa no seu percurso pessoal e profissional, a autora concluiu a entrevista sintetizando a sua ligação à cidade.

“Muitos me perguntam isso e a resposta é sempre a mesma: Perguntam-me ‘o que você veio fazer em Portugal, o que você veio fazer em Lisboa?’. E eu sempre digo, “vim ficar à vontade”, finalizou. ■

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