O Governo português observou um Dia de Luto Nacional no passado domingo, 5 de julho, após ter decretado, vários dias antes, a medida em homenagem às vítimas dos terramotos que abalaram a Venezuela a 24 de junho e que já provocaram a morte de 135 portugueses e lusodescendentes, 28 dos quais menores de idade. A iniciativa foi anunciada pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O número de portugueses e lusodescendentes mortos nos sismos que devastaram a Venezuela subiu para 135, dos quais 115 são lusodescendentes, de acordo com os dados revelados pelas autoridades na quinta-feira, 29 de julho. Entre as vítimas confirmadas encontram-se 28 menores e 107 adultos. Há ainda 11 pessoas desaparecidas.
O duplo sismo que abalou a Venezuela a 24 de junho causou a morte de 135 portugueses e lusodescendentes, havendo ainda 11 desaparecidos, segundo o balanço divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português. De acordo com os dados do MNE, residem no país cerca de 182 mil cidadãos portugueses inscritos na rede consular.
O balanço total da tragédia agravou-se também de forma significativa, com 5398 mortos confirmados até ao momento. Os dois sismos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
O balanço anterior, divulgado na segunda-feira, indicava 134 portugueses e lusodescendentes mortos e 12 desaparecidos. Dois abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram, a 24 de junho, o norte do país, em particular o estado costeiro de La Guaira, próximo da capital, Caracas.
Na sexta-feira, completou-se um mês desde o duplo sismo que afetou sobretudo o norte da Venezuela, provocando pelo menos 5546 mortos, 16 740 feridos e 17 907 desalojados, segundo os dados oficiais. Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Em relação ao luto nacional, o primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, explicou que este foi decretado em memória das vítimas dos terramotos na Venezuela e, em particular, das vítimas de nacionalidade portuguesa e de ascendência portuguesa afetadas pela emergência. O dia 5 de julho assinalou os 215 anos da independência da Venezuela em relação ao Reino de Espanha.
O chefe do Executivo português reiterou a solidariedade do Governo e do país para com o povo venezuelano e salientou que tem mantido contactos regulares com as equipas portuguesas que se encontram no terreno e com as autoridades do país das Caraíbas, com o objetivo de contribuir para os trabalhos de busca, resgate e salvamento.
A medida foi anunciada pelo chefe do Governo português através dos seus canais oficiais de comunicação, após ter mantido um contacto institucional com as autoridades venezuelanas. Montenegro explicou que a decisão foi tomada como um ato de solidariedade e respeito para com as vítimas mortais e as suas famílias.
Na sua declaração oficial na rede social X, o chefe do Governo português afirmou: «Em memória das vítimas dos sismos na Venezuela, em particular dos portugueses e dos descendentes de portugueses, decretámos Dia de Luto Nacional no próximo domingo, 5 de julho. Agradeço as palavras que a presidente @delcyrodriguezv acaba de me transmitir, em reconhecimento pela ação de Portugal, bem como as condolências do povo venezuelano às famílias das vítimas portuguesas. Acompanhamos de muito perto as nossas equipas e todos os trabalhos no terreno, em contacto permanente com as autoridades venezuelanas».
Além disso, manifestou o desejo de que a recuperação da Venezuela «seja rápida», para que «se inicie uma nova etapa» num país que, para Portugal, «significa muito, por diversas razões», entre as quais a numerosa comunidade de portugueses que ali vive e trabalha.
«O Governo, em consulta com o Presidente da República, decidiu designar o próximo domingo como Dia de Luto Nacional pelas vítimas dos terramotos que atingiram a Venezuela e, em particular, pelos cidadãos portugueses e descendentes de portugueses que perderam a vida, bem como por todos aqueles que sofreram em consequência destas tragédias», afirmou Montenegro.
Portugal esteve entre os vários países que enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela. A operação portuguesa está sediada em Catia La Mar, no estado de La Guaira, onde se encontra uma das maiores comunidades portuguesas do país. ■
Marcos Ramos Jardim
Correspondente na Venezuela e nas Caraíbas







