“Prémio Caminhos de Literatura” amplia circulação da ficção brasileira para Portugal na terceira edição

Concurso nacional, destinado a autores em estreia no romance, mantém inscrições gratuitas abertas até 15 de setembro e passa a assegurar a publicação da obra vencedora no Brasil, em Angola e, pela primeira vez, em Portugal

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Izabella Cristo (esq.) e Paula Novais foram as vencedoras das duas primeiras edições do “Prémio Caminhos de Literatura”. Foto: divulgação
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O “Prémio Caminhos de Literatura” está com inscrições abertas para a sua terceira edição, numa iniciativa que procura revelar novos talentos da ficção brasileira contemporânea e que, este ano, amplia a circulação internacional da obra vencedora com uma publicação prevista também em Portugal, em 2027. Promovido pelo escritor e produtor cultural Henrique Rodrigues, através do Instituto Caminhos da Palavra, o concurso aceita candidaturas (gratuitas) até ao próximo dia 15 de setembro.

Destinado exclusivamente a escritores e escritoras de todo o Brasil que estejam a escrever o seu primeiro romance, o prémio terá a cerimónia de entrega a 9 de dezembro, no Teatro YouTube, na Galeria Magalu, em São Paulo, com o apoio da Estante Virtual.

A obra vencedora será publicada pela Dublinense, editora parceira do prémio desde a primeira edição, e pela Editora Kacimbo, em Angola. A principal novidade desta terceira edição é a entrada do mercado editorial português no percurso da obra, através do Grupo Infinito Particular, que prevê a sua publicação em Portugal em 2027.

O grupo editorial publica no país autoras brasileiras como Carla Madeira, Socorro Acioli e Aline Bei, passando agora a integrar a rede editorial construída pelo “Prémio Caminhos de Literatura”. A expansão para Portugal reforça a dimensão internacional do concurso e estabelece uma ligação entre três espaços editoriais de língua portuguesa: Brasil, Angola e Portugal.

Henrique Rodrigues considera que a chegada a Portugal representa uma nova etapa para o projeto, sobretudo pela oportunidade de proporcionar a escritores em início de carreira uma circulação que ultrapassa o mercado brasileiro. 

“Essa chegada do ‘Prêmio Caminhos’ a Portugal é um grande salto para o projeto. Sabemos como é difícil para uma pessoa iniciante ter o seu livro publicado por uma editora que dê um tratamento profissional e distribua a obra”, explicou.

O responsável realçou também o modelo de seleção baseado no anonimato, procurando concentrar a avaliação na qualidade literária dos textos apresentados. 

“A seleção é protegida por anonimato, a fim de que seja revelado um romance pela sua qualidade”, salientou Henrique Rodrigues, que também oferecerá uma mentoria literária ao vencedor ou vencedora.

A primeira edição do prémio teve como vencedora Izabella Cristo, escritora paraense radicada em São Paulo, com o romance “Mãezinha”, obra que ganhou destaque no panorama literário brasileiro e esteve entre os livros comentados de 2025.

Na segunda edição, a distinção foi atribuída à escritora mineira Paula Novais, autora de “Gaiolas de concreto armado”. O romance foi posteriormente incluído pelo jornal “O Globo” entre os destaques literários do primeiro semestre de 2026, consolidando o percurso iniciado através do concurso.

Para além da descoberta de novos autores, a experiência das vencedoras anteriores evidencia a dimensão editorial do projeto. Paula Novais destacou que o prémio permitiu a publicação do seu romance no Brasil e em Angola e contribuiu para a sua projeção no meio literário.

“O ‘Prêmio Caminhos de Literatura’ tem um lugar determinante na minha trajetória como escritora”, considerou Paula Novais, acrescentando que a distinção permitiu que o seu romance de estreia fosse publicado “por duas editoras que trabalham com grande seriedade” e lhe proporcionou uma importante chancela de qualidade literária.

Também Izabella Cristo associou o prémio a uma mudança no seu percurso profissional enquanto escritora, destacando o acesso a leitores, à publicação e a novas relações no meio literário. 

“O ‘Prêmio Caminhos’ foi, literalmente, uma abertura de caminhos na minha profissão”, declarou.

A dimensão internacional do projeto começou a ganhar expressão na segunda edição, através da publicação em Angola pela Kacimbo, editora criada pelo escritor angolano Ondjaki. A editora pretende manter a ligação com a produção literária brasileira e continuar a desenvolver essa aproximação entre os dois mercados.

Com a entrada de Portugal, o concurso passa, assim, a contar com uma trajetória editorial que atravessa três países de língua portuguesa. João Gonçalves, publisher do Grupo Infinito Particular, considera que a parceria contribui para reforçar a aproximação entre os leitores portugueses e a literatura brasileira contemporânea.

“A parceria com o ‘Prêmio Caminhos’ reforça a missão do Grupo Infinito Particular de aproximar Portugal da melhor literatura brasileira contemporânea”, destacou João Gonçalves, defendendo igualmente a importância de iniciativas que contribuam para revelar novas vozes e fortalecer o intercâmbio literário entre os dois países.

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