Ronezete Antolini leva a Lausanne reflexão sobre “saúde emocional, acolhimento e maternidade atípica”

Master Terapeuta em TRG, missionária e palestrante, brasileira radicada na Suíça há 32 anos, participou no “Conexão Global Suíça”, onde partilhou a própria história, abordou saúde mental e integrou um painel dedicado ao “Setembro Amarelo”

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Ronezete Antolini, Master Terapeuta em TRG, missionária e palestrante. Foto: Agência Incomparáveis
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Ronezete Antolini, 55 anos, vive em Zurique há 32 anos e construiu na Suíça um percurso que cruza experiência pessoal, maternidade, fé e acompanhamento emocional. Com dupla nacionalidade, brasileira e suíça, começou a trajetória profissional na gastronomia e trabalhou também como cuidadora, antes de direcionar a atividade para a área terapêutica. Atualmente, atua como Master Terapeuta e terapeuta emocional, com formação em Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG) e estudos relacionados com traumas, fobias, psicossomática e leitura corporal e comportamental, além da atividade como missionária e palestrante.

Foi a partir desta experiência que participou, no dia 26 de setembro, no “Conexão Global Suíça”, em Lausanne, integrado na edição “Setembro Amarelo de 2026”, evento realizado entre 24 e 27 de setembro nas instalações da Église du Centre. Na sua intervenção, Ronezete colocou a saúde mental no centro da reflexão, recorrendo à própria história para falar das marcas emocionais da infância, da procura de apoio terapêutico e da maternidade atípica. A mensagem que levou ao público partiu de uma aprendizagem pessoal: “para cuidar de outras pessoas, é necessário reconhecer também a necessidade de cuidar de si”.

Ronezete Antolini, Master Terapeuta em TRG, missionária e palestrante. Foto: Agência Incomparáveis

A participação incluiu ainda um painel dedicado à saúde mental, no qual foram abordadas questões como depressão, síndrome do pânico, atendimento ao paciente, prevenção e procura de ajuda profissional. Ronezete integrou a conversa com o médico especialista Francisco Fernández e outras terapeutas, num espaço de perguntas e partilha de conhecimento. Em entrevista à Agência Incomparáveis, esta terapeuta faz um balanço da passagem por Lausanne, explica o trabalho que desenvolve atualmente através da TRG e deixa uma mensagem dirigida à comunidade lusófona sobre a importância de reconhecer o sofrimento emocional, procurar apoio qualificado e criar redes de acolhimento, sobretudo entre quem vive longe do país de origem.

Como foi a sua participação no “Conexão Global Suíça, edição Setembro Amarelo – Conectar é acolher”, em Lausanne?

Participei como palestrante no dia 26 de setembro de 2026, durante a programação da edição “Setembro Amarelo”, com o tema “Conectar é acolher”. O evento em Lausanne foi organizado pela empresária Ana Poltera, em conjunto com a “Conexão Global Suíça”. Também participei num painel de debate com o médico Francisco Fernández, no qual eu e outras terapeutas colocámos perguntas. Foi uma experiência especial de acolhimento e partilha de conhecimentos. Encontrar mulheres fortes, de diferentes profissões e com tantas histórias para partilhar, tornou este encontro marcante para mim.

Qual foi o tema central da sua palestra ou participação?

O “Setembro Amarelo” orientou o conjunto das palestras do evento. Na minha participação, abordei a saúde mental através da minha própria história. Partilhei os desafios da infância, as marcas emocionais que carreguei e as mudanças que vivi ao procurar apoio terapêutico. Falei também sobre a maternidade atípica e sobre como as necessidades da minha família me levaram à terapia. Nesse caminho, compreendi que precisava de cuidar primeiro de mim para poder cuidar de outras pessoas com responsabilidade e acolhimento. Quis mostrar a importância de olhar para a nossa mente, para as nossas emoções e para a nossa história com atenção e respeito. Encerrei com uma mensagem de esperança: a minha trajetória poderia inspirar outras pessoas a reconhecerem as suas possibilidades, procurarem apoio e darem os seus próprios passos.

Qual foi o retorno do público à sua palestra?

O retorno foi excelente. As pessoas pararam para ouvir a minha história com muita atenção e senti uma ligação forte com o público. Partilhar a minha trajetória e perceber esse acolhimento foi muito emocionante. Foi um momento marcante para mim.

E como foi a sua participação no painel de debate, especificamente?

Durante o encontro, participei num painel sobre saúde mental, no qual discutimos depressão, síndrome do pânico e atendimento ao paciente. Eu e outras profissionais colocámos perguntas ao médico Francisco Fernández, que respondeu às nossas questões. Foi uma partilha de conhecimentos muito enriquecedora e uma oportunidade para refletir sobre o cuidado e o acolhimento de quem procura ajuda.

Como foi a sua participação no “Fórum SABE” e que assunto abordou na entrevista com Linia Brandt?

Fui entrevistada por Linia Brandt no “Fórum SABE”, onde abordei o congelamento emocional. Conversámos sobre situações em que a pessoa sente que o corpo bloqueia, mesmo com o coração acelerado e uma intensa reação interna. Falámos sobre como experiências da infância podem influenciar as emoções e as reações na vida adulta, sobre o inconsciente e sobre o papel da terapia no cuidado emocional.

Ronezete Antolini, Master Terapeuta em TRG, missionária e palestrante. Foto: Agência Incomparáveis

A Linia colocou várias perguntas e pude esclarecer o tema com exemplos e uma linguagem acessível. Foi uma oportunidade especial para trazer compreensão a uma experiência que muitas pessoas vivem, mas que nem sempre conseguem identificar ou explicar.

Que balanço faz desta edição do “Conexão Global Suíça” e da resposta do público às questões relacionadas com saúde emocional, acolhimento e prevenção abordadas durante os três dias?

Faço um balanço muito positivo. Ao longo dos três dias, o público demonstrou interesse e acolheu muito bem as conversas sobre saúde emocional, relações de casal, acolhimento e prevenção. Dentro da proposta do “Setembro Amarelo”, a prevenção do suicídio trouxe uma reflexão essencial: precisamos de estar atentos ao sofrimento do próximo, ouvir com respeito e ajudar a pessoa a procurar apoio profissional adequado. Para mim, o encontro reforçou a importância de falar sobre estes assuntos com sensibilidade e responsabilidade. Foi uma oportunidade para ampliar a consciencialização e lembrar que cada um de nós pode contribuir para que alguém se sinta acolhido e encontre ajuda.

Enquanto Master Terapeuta em TRG, que trabalho desenvolve atualmente e que tipo de situações procura acompanhar através desta abordagem terapêutica?

Atualmente, desenvolvo atendimento terapêutico emocional online através da Terapia de Reprocessamento Generativo (TRG). Acolho pessoas que procuram apoio para lidar com marcas de experiências difíceis, traumas, medos, fobias, ansiedade, dependência emocional e bloqueios que afetam a sua vida e os seus relacionamentos. Também acompanho pessoas que apresentam sofrimento relacionado com rejeição, abandono, experiências de abuso e repetição de padrões emocionais. Tenho um olhar especialmente sensível para as mulheres e as mães atípicas, pela minha própria vivência, respeitando sempre a realidade de cada pessoa. Na TRG, o trabalho concentra-se no reprocessamento de experiências e respostas emocionais associadas ao sofrimento, sem depender apenas do relato detalhado dessas vivências. Procuro compreender a necessidade de cada pessoa e conduzir o acompanhamento com acolhimento, ética e respeito pelo seu ritmo. O meu compromisso é trabalhar dentro dos limites da minha atuação e reconhecer quando existe necessidade de outros cuidados profissionais.

A partir da sua experiência profissional, que resultados tem observado nas pessoas que acompanha e de que forma avalia a evolução de cada processo terapêutico?

Tenho observado mudanças positivas na forma como as pessoas compreendem as suas emoções e lidam com situações que antes lhes causavam sofrimento. Muitas reconhecem essa evolução e partilham comigo as diferenças que percebem no próprio dia a dia. Cada pessoa é única e o processo terapêutico precisa de respeitar a sua história, as suas necessidades e o seu ritmo.

Ronezete Antolini, Master Terapeuta em TRG, missionária e palestrante. Foto: Agência Incomparáveis

Avalio a evolução através da escuta, dos relatos da pessoa e das mudanças que observo ao longo das sessões. Considero como ela se sente perante as questões que a levaram a procurar atendimento e como essas questões passam a afetar a sua vida.

Ronezete Antolini, Master Terapeuta em TRG, missionária e palestrante. Foto: Agência Incomparáveis

Esse acompanhamento é contínuo: conversamos sobre os avanços e sobre aquilo que ainda precisa de atenção, ajustando o trabalho quando necessário. A evolução não acontece da mesma forma nem no mesmo tempo para todos. O meu compromisso é oferecer um cuidado ético, atento e dedicado, vendo a pessoa para além das suas dificuldades e respeitando a sua individualidade.

Depois da experiência em Lausanne, que mensagem considera importante deixar à comunidade de língua portuguesa no mundo sobre a procura de apoio emocional e a importância de reconhecer quando é necessário acompanhamento profissional?

A mensagem que desejo deixar é que cuidar da saúde emocional merece a mesma atenção que damos à saúde física. Procurar apoio é um gesto de coragem e de cuidado connosco próprios. Não precisamos de esperar que o sofrimento se torne insuportável para pedir ajuda. É importante reconhecer quando as dificuldades emocionais começam a afetar o sono, os relacionamentos, o trabalho ou as atividades do dia a dia. Quando sentimos que não conseguimos lidar sozinhos com aquilo que estamos a viver, procurar um profissional qualificado pode ser um passo importante. Para quem vive fora do seu país, a saudade, a adaptação cultural e as dificuldades com o idioma também podem trazer desafios emocionais. Poder expressar aquilo que sentimos na nossa língua e encontrar alguém que compreenda a nossa realidade pode facilitar essa procura por apoio. A família, os amigos e a comunidade têm um papel importante no acolhimento. Ouvir sem julgar, levar o sofrimento a sério e incentivar a procura de ajuda são atitudes que podem fazer a diferença.

Ronezete Antolini, Master Terapeuta em TRG, missionária e palestrante. Foto: Agência Incomparáveis

A fé é uma fonte de força na minha vida e pode caminhar lado a lado com o cuidado profissional. Não precisa de enfrentar tudo sozinho. A sua história merece respeito, a sua dor merece atenção e merece encontrar um espaço seguro para receber ajuda.

De que forma o público pode conhecer o seu trabalho?

As pessoas podem visitar o meu Instagram: @ronezeteantolini_ ■

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