
Elisabete Nóia, presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, destacou o potencial geográfico, económico e humano da ilha das Flores, nos Açores, considerando essencial “promover o concelho no exterior e criar condições para combater a perda populacional através da atração de turistas, investidores e imigrantes”. Declarações dadas à nossa reportagem no âmbito do 4.º Fórum das Migrações, promovido pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades do governo dos Açores, tutelada por Paulo Estêvão, nas ilhas do Corvo e das Flores, entre os dias 8 e 10 de abril, uma iniciativa que reuniu especialistas, académicos, instituições, associações, autoridades, membros da sociedade civil e imigrantes residentes no arquipélago para “debater os desafios e oportunidades das migrações nos territórios ultraperiféricos”.
Elisabete Nóia começou por caracterizar a ilha das Flores como um território singular no contexto europeu e atlântico, lembrando que representa “o ponto mais ocidental da Europa”. Para a presidente, a ilha assume-se como “uma plataforma no meio do oceano Atlântico”, funcionando como ponte entre continentes e culturas.
Segundo a autarca, o território reúne influências distintas por estar integrado em Portugal e na Europa, mantendo simultaneamente fortes ligações históricas e humanas ao outro lado do Atlântico.
“Nós temos influência da cultura europeia, somos europeus, estamos integrados em Portugal, na comunidade europeia, mas também temos uma grande ligação, através do Atlântico, às comunidades do outro lado do Atlântico”, afirmou, referindo os Estados Unidos, Canadá, Brasil e a América Latina.

Sobre a identidade local, Elisabete Nóia descreveu os habitantes da ilha como um povo “ilhéu, resiliente às tempestades”. Natural das Flores, disse rever-se nesse sentimento de pertença e resistência, explicando que viver na ilha exige persistência perante o isolamento e as condições naturais.
“É difícil de cá viver, é difícil de cá chegar, mas é maravilhoso”, enfatizou.
Para a presidente da Câmara, a ilha oferece algo raro no mundo atual, como “tranquilidade e segurança”.
“Representa-nos paz de espírito, é este cantinho no mundo que representa a paz, a segurança e, para mim, é o melhor sítio do mundo para se viver”, afirmou.
Questionada sobre o concelho de Santa Cruz das Flores, a autarca descreveu a população como “gente de teimosia, resiliente, gente forte”, historicamente ligada aos recursos naturais. Segundo explicou, a economia local vive tradicionalmente “do mar e da terra”, através da pesca e da agricultura, tendo o turismo ganho relevância nos últimos anos.
“Abrimos a nossa ilha recentemente, na última década, a acolher muitos visitantes”, disse, acrescentando que o objetivo passa por mostrar aos turistas “a cultura açoriana, as nossas tradições”. Entre os principais atrativos, destacou a gastronomia, lagoas, cascatas, grutas, passeios marítimos e paisagens naturais.
Relativamente ao perfil de quem visita a ilha, Elisabete Nóia considera tratar-se de um segmento turístico com capacidade financeira acima da média, atendendo aos custos de deslocação.
“Vir às Flores, por si só, o pagamento dos transportes já é caro”, afirmou, acrescentando que quem procura o destino revela verdadeiro interesse em conhecer o território.
Na área económica, a presidente defendeu uma estratégia ativa de promoção externa, revelando que o município pretende marcar presença em eventos nacionais e internacionais, depois de já ter participado na Bolsa de Turismo de Lisboa.

“Temos um projeto também de tentar participar em todos os fóruns, sejam eles nacionais ou internacionais, para capitalizar o máximo possível a economia local”, explicou.
Além do turismo, Elisabete recordou que a ilha exporta peixe e carne, sublinhando ainda o estatuto internacional das Flores como Reserva da Biosfera da UNESCO.
“Nós somos Reserva da Biosfera da Unesco desde 2009”, afirmou, considerando que essa distinção dá visibilidade externa e pode ajudar a “atrair riqueza e atrair investimento à nossa terra”.
Neste sentido, a autarca destacou a importância das políticas migratórias para responder ao declínio demográfico. Ainda no âmbito do 4.º Fórum das Migrações, defendeu que a ilha deve passar a mensagem de que “aqui vive-se bem, aqui consegue-se fixar família, aqui consegue-se ter boa qualidade de vida”.
Segundo explicou, estes encontros permitem mostrar ao exterior exemplos positivos de integração, dando voz aos imigrantes residentes para que “partilhem a sua experiência e deem a conhecer que conseguem aqui fixar vida, fazer família e residirem aqui plenamente”.
Outro dos temas abordados foi a instalação de uma estrutura da AIMA em Santa Cruz das Flores, medida recebida “com muito agrado” pela presidente. Até agora, muitos imigrantes tinham de se deslocar à ilha do Faial para tratar da documentação, suportando custos adicionais.
“Os imigrantes que cá vivem também têm direito a ser auxiliados”, afirmou, considerando que o novo serviço poderá facilitar processos administrativos e criar condições para fixar mais pessoas na ilha.

A concluir, Elisabete Nóia deixou um convite a quem ainda não conhece as Flores.
“Que nos visitem, conheçam a nossa realidade”, salientou, garantindo a hospitalidade da população local e reforçando que o povo florentino e as Flores têm “muito, muito, muito a oferecer”. ■




