Associação dos Emigrantes Açorianos distinguida com Insígnia Autonómica de 2026 no Dia dos Açores

Reconhecimento atribuído pela Assembleia Legislativa dos Açores destaca o trabalho desenvolvido pela Associação dos Emigrantes Açorianos no apoio às comunidades da diáspora e aos emigrantes que regressam ao arquipélago, reforçando a ligação entre os Açores e os seus descendentes espalhados pelo mundo

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Andrea Moniz-DeSouza, presidente da Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA). Foto: Agência Incomparáveis
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A Associação dos Emigrantes Açorianos (AEA), sediada na Ribeira Grande, ilha de São Miguel, foi escolhida para receber uma das Insígnias Autonómicas de 2026, uma distinção atribuída pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e que será entregue nas comemorações oficiais do Dia dos Açores, a 25 de maio. A decisão foi anunciada no passado dia 16 de abril, integrando um conjunto de homenagens a personalidades e instituições ligadas às comunidades açorianas no exterior.

Em comunicado público, a associação manifestou “enorme honra e profunda gratidão” pela distinção recebida, considerando tratar-se de um reconhecimento que valoriza o trabalho realizado em prol da emigração açoriana.

“A nossa associação foi escolhida pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores para receber uma das Insígnias Autonómicas de 2026, um reconhecimento que muito nos orgulha e que reforça o valor do trabalho que temos vindo a desenvolver em prol da comunidade emigrante açoriana”, refere a nota divulgada pela instituição.

A direção da AEA sublinhou também que a homenagem deve ser partilhada por todos os que contribuíram para a missão da organização ao longo dos anos.

“Este reconhecimento não é apenas nosso – pertence a todos os que, ao longo dos anos, têm contribuído com dedicação, espírito de missão e amor às nossas raízes. É a prova de que preservar a identidade açoriana além-fronteiras continua a ser uma causa viva e essencial”, acrescentou a associação.

Na mesma mensagem, a instituição felicitou ainda os restantes homenageados deste ano, considerando ser “uma honra partilhar esta distinção” com personalidades e entidades cujos percursos dignificam a diáspora açoriana e projetam o nome dos Açores no mundo.

Em declarações exclusivas à nossa reportagem, Andrea Moniz-DeSouza referiu que a associação expressa a sua “mais profunda honra, orgulho e gratidão por ter sido escolhida para ser distinguida pela Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores com uma das Insígnias Autonómicas de 2026, a ser atribuída no âmbito das comemorações do Dia da Região Autónoma dos Açores”.

“Esta distinção representa um reconhecimento de elevado significado pelo trabalho contínuo que a Associação tem vindo a desenvolver em prol das comunidades emigrantes açorianas, tanto no estrangeiro como no regresso à Região. Fundada por açorianos emigrantes e por aqueles que regressaram à sua terra, a Associação tem como missão apoiar os nossos emigrantes, promover a cultura, língua e tradições açorianas, e reforçar os laços entre a diáspora e os Açores. Ao longo dos anos, tem-se afirmado como um espaço de encontro, solidariedade e representação, dinamizando iniciativas culturais, sociais e comunitárias que mantêm vivas as nossas raízes além-fronteiras”, disse, referendo ainda que “esta distinção é partilhada com todos aqueles que contribuíram para este percurso, dirigentes, parceiros, voluntários e comunidades, cujo empenho, dedicação e amor aos Açores tornaram possível este reconhecimento. É também a confirmação de que a causa da emigração açoriana continua viva, relevante e merecedora de valorização”.

“Recebemos esta distinção com enorme orgulho e sentido de responsabilidade. Este reconhecimento pertence a todos os emigrantes açorianos e às suas famílias. Continuaremos a apoiar quem regressa à sua terra, ajudando na sua integração, e também os emigrantes no estrangeiro que procuram orientação e apoio. Ao mesmo tempo, trabalhamos para manter viva a nossa identidade e fortalecer a ligação aos Açores. A Associação dos Emigrantes Açorianos felicita igualmente todos os restantes homenageados, cujos contributos engrandecem a diáspora açoriana e dignificam o nome dos Açores no mundo. A Direção reafirma o seu compromisso de continuar a trabalhar em prol dos emigrantes açorianos, honrando este reconhecimento com responsabilidade e dedicação”, finalizou Andrea Moniz-DeSouza.

Segundo informações divulgadas pelo diretor regional das Comunidades do Governo dos Açores, José Andrade, entre os distinguidos com Insígnias Autonómicas de 2026 encontram-se ainda Ronald Kouchi, presidente do Senado do Estado do Havai, Daniel DaPonte, antigo senador do Estado de Rhode Island, Paulo Matos, ligado à Casa dos Açores do Maranhão, Régis Marques Gomes, fundador da Casa dos Açores do Rio Grande do Sul, e a Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA), criada em 2003 em Ponta Delgada.

Associação dos Emigrantes Açorianos distingue-se pelo trabalho com a diáspora e o acolhimento de regressados

Fundada em 2010, na cidade da Ribeira Grande, a Associação dos Emigrantes Açorianos tem desenvolvido trabalho de proximidade junto das comunidades açorianas emigradas e também no acompanhamento de cidadãos que regressam ao arquipélago após anos vividos no estrangeiro. Atualmente presidida por Andrea Moniz-DeSouza, antiga presidente da Casa dos Açores da Bermuda e atual cônsul honorário de Portugal nesse país, a associação tem reforçado nos últimos anos a sua intervenção social e comunitária.

Em entrevista recente à Agência Incomparáveis, no âmbito do 4.º Fórum das Migrações, realizado entre 8 e 10 de abril nas ilhas açorianas do Corvo e das Flores, Andrea Moniz-DeSouza explicou que a atuação da AEA assenta em duas vertentes principais: o apoio à diáspora açoriana espalhada por vários países e o acolhimento de emigrantes regressados aos Açores.

“Temos aquela parte de trabalhar com a diáspora lá fora e também temos aquela parte de trabalhar com os emigrantes que estão a regressar”, afirmou.

A dirigente salientou que esses regressos acontecem por motivos muito distintos, desde decisões pessoais até situações de vulnerabilidade social.

“Temos uma mistura que estão a regressar por decidir que estão naquele tempo de vida que querem a vida mais calma e querem voltar para a terra natal e tem alguns que têm que vir de razões como deportações e outros casos de mais vulnerabilidade”, explicou.

Andrea Moniz-DeSouza defendeu a importância de um acolhimento humanizado e estruturado para quem regressa ao arquipélago, lembrando que muitos retornados necessitam de apoio social, emocional e institucional para reconstruir a vida.

“Nós estamos aqui para apoiar nesse aspeto e porque é muito importante quando a pessoa regressa também sentir-se que a parte da terra às vezes precisa de acolhimento e apoio”, declarou a presidente da associação, que destacou ainda a importância de manter vivas as ligações entre os Açores e os seus emigrantes, considerando essencial fortalecer a identidade comum entre gerações nascidas fora do arquipélago.

“Também para nós é muito importante continuar a promover os nossos Açores na diáspora e sempre ficar naquela ponte e dar mais força aos laços entre os nossos emigrantes que estão na diáspora e os Açores”, sublinhou.

A distinção agora atribuída à Associação dos Emigrantes Açorianos representa o reconhecimento institucional de um trabalho continuado em defesa das comunidades açorianas no mundo e no apoio a quem escolhe regressar às origens, num momento em que as migrações continuam a marcar profundamente a realidade social do arquipélago.  ■

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