A participação de Énia Lipanga no Flitabira acontece no dia 30 de outubro, sexta-feira, às 17h, na mesa intitulada “Outras Formas de Existir”, ao lado da escritora e psicóloga indígena guarani Geni Núñez, com mediação de Ale Santos. O encontro aproxima perspectivas africanas e indígenas sobre as relações humanas, os efeitos da colonização e as possibilidades de construir outros modos de viver.
O 6º Flitabira tem patrocínio master da Vale, via Lei Rouanet, apoio da Prefeitura de Itabira, do Itaú e da FCCDA. Todas as atividades do Flitabira são gratuitas, com recursos de acessibilidade e transmissão ao vivo pelo YouTube: @flitabira. A conversa integra a programação do “6º Flitabira”, cujo tema, “A Máquina do Mundo em Nós”, celebra os 75 anos de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade. A curadoria é de Afonso Borges, Sérgio Abranches e Calila das Mercês.
Natural de Maputo, Énia Lipanga construiu uma obra marcada pela experiência das mulheres moçambicanas e pela crítica às desigualdades sociais. A sua escrita percorre a poesia e a prosa, aproximando a criação literária das questões que atravessam a sociedade contemporânea. Autora de seis livros, ela também atua como rapper e promotora cultural, fazendo da palavra escrita e falada uma forma de intervenção pública.
O seu primeiro livro, “Sonolência e Alguns Rabiscos,” lançado em 2020, tornou-se um marco editorial ao ser publicado simultaneamente em tinta e braille, iniciativa pioneira na poesia moçambicana. Vieram depois obras como “Para Enxugar as Nódoas dos Meus Olhos” e “Ensaios da Partida”, nas quais a autora desenvolve uma escrita atravessada pelas experiências femininas, pelas relações humanas e pelas transformações da vida.
A trajetória de Énia também se distingue pela criação de espaços para a literatura fora dos circuitos tradicionais. Fundadora do sarau “Palavras São Palavras”, há mais de uma década ela promove encontros de poesia e apresentações artísticas que revelam novos talentos em Moçambique. À frente do movimento “IncluArte”, trabalha pela participação de artistas com deficiência na vida cultural. Sua concepção de acessibilidade vai além da adaptação dos eventos: propõe que a inclusão esteja presente desde a própria organização das atividades.
A escritora já participou de festivais e encontros literários em diferentes países, incluindo Portugal e Brasil. Em 2024, realizou uma circulação por cidades brasileiras, estabelecendo diálogos com autores e instituições culturais. Sua atuação em defesa dos direitos humanos também recebeu reconhecimento no Brasil.
A presença de Énia Lipanga no Flitabira amplia o diálogo do Festival com a literatura africana contemporânea, aproximando duas experiências literárias que compartilham a língua portuguesa, mas guardam histórias e expressões culturais próprias.
A programação desta nova edição do Flitabira pode ser conhecida em: https://flitabira.com.br/ ■







