Empresária Ada Helena leva semijoias brasileiras a Milão e Genebra em momento de “expansão da marca” no cenário internacional

De Belo Horizonte para a Europa, Ada Helena transforma semijoias em negócio e oportunidade para mulheres; empresária brasileira participou no “Summit Estética by Lu Pires”, em Genebra, depois de as peças da sua marca integrarem produções apresentadas em Milão; agora, prepara o processo de internacionalização, mantendo uma rede de revendedoras, novos projetos no Brasil e um olhar atento à comunidade lusófona

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Ada Helena Gomes Torres, empresária. Foto: Agência Incomparáveis
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A empresária brasileira Ada Helena Gomes Torres levou a Genebra, na Suíça, um projeto que começou no Brasil e que, em 2026, entrou numa nova fase de internacionalização. Fundadora da “Ada Helena Semijoias”, participou, no dia 11 de outubro, na 9.ª edição do “Summit Estética by Lu Pires”, realizada no Hotel Royal, onde esteve como palestrante e expositora, apresentando a marca a um público formado por profissionais, empresários e empreendedores de diferentes nacionalidades.

A presença em Genebra aconteceu poucas semanas depois de peças da sua marca terem integrado produções apresentadas durante a “Milano Fashion Week”, em setembro. A participação resultou de uma parceria com a estilista Sofia Nose, que utilizou acessórios da marca na composição dos looks levados ao circuito de moda em Milão. Embora Ada Helena não tenha estado presencialmente na cidade italiana, acompanhou à distância a apresentação das peças e o momento em que o nome da empresa foi anunciado. A empresária descreveu a experiência como uma etapa que “não fazia parte dos seus planos iniciais de expansão internacional”.

Foi também a ligação criada a partir da experiência em Milão que aproximou Ada Helena da também empresária Lu Pires e abriu caminho para a participação no encontro realizado em Genebra. Na Suíça, Lu Pires recebeu Ada, numa iniciativa que reuniu áreas como beleza, estética, saúde, moda, empreendedorismo, comunicação, liderança e negócios.

Em entrevista à Agência Incomparáveis, realizada na Suíça, Ada Helena explicou que a presença na Europa reforçou uma possibilidade que começou a ser considerada apenas nos últimos meses: “transformar uma operação construída no Brasil numa marca com atuação internacional”.

“Estar aqui neste momento divulgando a marca “Ada Helena Semijoias”, trazendo essa marca que tem um propósito de ajudar e colaborar com a vida de outras mulheres, é motivo de muita alegria. Hoje temos uma rede de mulheres que se ajudam e que se desenvolvem”, afirmou.

Ada Helena Gomes Torres, empresária. Foto: Agência Incomparáveis

O percurso profissional dessa empresária começou longe do mercado de acessórios. Natural de Belo Horizonte, em Minas Gerais, Brasil, Ada Helena é formada em Psicologia e trabalhou durante 13 anos na área. A mudança ocorreu quando decidiu deixar o emprego para dedicar mais tempo à família. Casada e mãe de três filhos, encontrou posteriormente no comércio de semijoias uma possibilidade de regressar à atividade profissional através do empreendedorismo.

“Quando decidi cuidar da minha família, saí do trabalho para poder cuidar dos meus filhos e surgiu essa oportunidade de empreender. A semijoia trouxe essa verdadeira Ada que existia dentro de mim e que eu não conhecia. A partir daí, comecei também a ajudar outras mulheres a descobrirem-se”, recordou.

A marca “Ada Helena Semijoias” foi criada em 2021, com uma proposta baseada na comercialização de colares, brincos, pulseiras, anéis e outros acessórios. Paralelamente à venda direta e através dos canais digitais, a empresa desenvolveu uma rede de revendedoras, transformando o produto num “instrumento de geração de rendimento para outras mulheres”.

Esta vertente tornou-se um dos principais eixos do modelo de negócio. Segundo Ada, entre as revendedoras encontram-se mulheres que passaram a contribuir diretamente para o rendimento familiar e mães que sustentam os seus agregados através da atividade comercial.

“Tenho muitas mulheres que começaram a empreender a partir da semijoia. Tenho mulheres que sustentam os seus lares no Brasil, mães que sustentam famílias, e mulheres que não tinham sonhos e que hoje construíram e realizaram sonhos”, relatou.

A empresa desenvolve ainda um trabalho com as revendedoras direcionado para a definição de objetivos pessoais. Ada Helena contou o caso de uma participante que estabeleceu metas durante uma atividade promovida pela marca e conseguiu concretizá-las antes de completar um ano, entre elas a obtenção das cartas de condução de automóvel e motociclo.

Para a empresária, a lógica ultrapassa a simples comercialização de acessórios. A estratégia passa por associar revenda, formação pessoal e criação de rendimento, procurando oferecer às participantes uma atividade que possa ser desenvolvida de acordo com a realidade profissional e familiar de cada uma.

Ada Helena Gomes Torres, empresária. Foto: Agência Incomparáveis

“Se conhecermos a história destas mulheres, começamos a perceber o quanto foram crescendo e desenvolvendo-se”, afirmou Ada Helena.

A política comercial da empresa procura também atingir diferentes segmentos de rendimento. Ada Helena recordou que, no início da atividade, vendeu produtos a consumidoras que nunca tinham comprado uma semijoia. Essa experiência ajudou a definir uma proposta que procura combinar diversidade de preços e acesso a diferentes públicos.

A expansão internacional começou a ganhar forma em junho deste ano. Antes da deslocação à Europa, a empresária procurou informações sobre os procedimentos necessários para uma futura operação de exportação e iniciou contactos para receber acompanhamento técnico quando regressasse ao Brasil. A experiência na Suíça levou-a a avançar com estudos sobre logística, regulamentação e comercialização fora do mercado brasileiro.

“Quando voltar ao Brasil, quero estudar mais sobre exportação e perceber como vai funcionar esse processo. Diante do cenário que vivi aqui na Suíça e desta experiência no “Summit”, acredito muito na possibilidade de crescimento e de trazer a “Ada Helena Semijoias” para a Europa e para o mundo”, explicou.

Portugal e Suíça surgiram naturalmente nas primeiras experiências desta nova etapa. Produtos da marca já começaram a circular em território europeu e a empresa procura agora compreender como transformar estes contactos iniciais numa operação estruturada. Ada Helena recorreu ao Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), antes da viagem e deixou agendada uma consultoria para aprofundar o processo quando regressasse ao país.

Neste movimento, a empresária mantém também um olhar atento à comunidade lusófona, sobretudo pela afinidade linguística, cultural e comercial entre Brasil, Portugal e os brasileiros residentes em diferentes países europeus. A presença em Genebra, diante de um público multicultural, reforçou essa perceção e abriu novas possibilidades de aproximação a consumidores e empreendedoras que falam português, tanto na Suíça como noutros mercados europeus.

Desafios e oportunidades internacionais

A passagem pela “Milano Fashion Week” representou, neste percurso, a primeira exposição da marca num contexto internacional ligado diretamente à moda. A colaboração com Sofia Nose colocou as semijoias brasileiras na composição de produções apresentadas em Milão e funcionou como ponto de ligação para novas oportunidades.

“O desfile foi a porta de entrada. Fui convidada para patrocinar o desfile com as nossas semijoias. Foi através dessa possibilidade e dessa ligação com Sofia Nose que conheci a Lu Pires e nos conectámos para eu estar aqui hoje”, explicou Ada, durante a entrevista em Genebra.

Ao recordar o momento em que ouviu o nome da empresa associado à apresentação em Milão, a empresária relacionou o episódio com um percurso construído ao longo dos últimos anos.

“Quando ouvi “Ada Helena Semijoias” no palco da Fashion Week de Milão, pensei: meu Deus, é um sonho inimaginável. Hoje, fazendo uma retrospectiva da minha história, vejo que é toda uma construção”, disse.

Essa construção inclui também iniciativas próprias de moda no Brasil. A “Ada Helena Semijoias” prepara para 12 de novembro a segunda edição do seu desfile, denominado “Celebrare 2026”. O tema escolhido para este ano é “O essencial que você leva para a vida” e a proposta passa por “apresentar as peças a partir da realidade quotidiana das próprias consumidoras”.

“As nossas clientes são mulheres comuns. A mensagem que queremos trazer neste desfile é para que essa mulher não deixe de ser quem ela é nos diversos lugares que ocupa”, explicou.

A utilização dos acessórios em produções de moda integra uma estratégia da empresa de posicionar as semijoias para além do consumo isolado. A marca procura relacionar os produtos com a construção de uma imagem e com a composição completa dos looks, como aconteceu na parceria desenvolvida com Sofia Nose em Milão.

Ao mesmo tempo, a estrutura de revenda continua a ocupar uma posição central no crescimento da empresa. O modelo permite que mulheres comercializem as peças e criem uma atividade empresarial própria, enquanto a marca aumenta a distribuição sem depender exclusivamente dos canais tradicionais de retalho.

Em Genebra, esta dupla vertente esteve no centro da intervenção de Ada Helena: internacionalizar a empresa e, ao mesmo tempo, manter a ligação a uma rede de mulheres que utiliza a venda das peças como fonte de rendimento. A empresária apresentou ainda a importância do autoconhecimento e da definição de objetivos na construção de um negócio.

“Um dos pontos principais é o autoconhecimento. Quando sabemos quem somos, ganhamos força e coragem para alcançar novos lugares. Para uma pessoa ter sucesso, tem de fazer aquilo de que gosta, com propósito”, declarou.

Depois de as peças terem passado por Milão, de já estar a chegar ao público português e de a fundadora ter apresentado pessoalmente o projeto em Genebra, a “Ada Helena Semijoias” regressa ao Brasil com a internacionalização ainda em fase de estruturação, porém, segundo apurámos, o próximo passo passa pelo estudo dos processos de exportação e pela definição dos mercados em que a marca poderá operar de forma regular.

Para Ada Helena, a viagem à Europa alterou a dimensão do projeto que começou em Belo Horizonte. O que nasceu como uma alternativa profissional após a saída da Psicologia passou a reunir comércio, revenda, moda e empreendedorismo feminino.

Milão abriu uma primeira montra internacional. Genebra colocou a empresária diante de novos públicos. O desafio agora é transformar essas experiências numa estratégia de entrada da marca noutros mercados. ■

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