
A Organização Internacional da Juventude Lusófona – Conexão Lusófona apresentou, esta sexta-feira, dia 17 de julho, um manifesto assinalando os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no qual propõe uma transformação do projeto lusófono, defendendo que a organização evolua de uma comunidade centrada nos Estados para uma verdadeira Comunidade de Povos e Cidadãos, sustentada por dez prioridades estratégicas a concretizar nos próximos 30 meses.
Mobilidade, ciência e participação jovem entre as prioridades
Intitulado “30 Anos da CPLP: Da Comunidade de Países à Comunidade de Povos e Cidadãos”, o documento, ao qual a Agência Incomparáveis teve acesso, parte do reconhecimento do percurso realizado desde a fundação da CPLP, em 1996, considerando que a organização cumpriu o objetivo de aproximar politicamente os Estados-membros, mas defendendo que “os próximos trinta anos devem provar que somos capazes de construir uma verdadeira Comunidade de Cidadãos da Lusofonia”.
Neste sentido, o manifesto assenta em três grandes eixos estratégicos: a criação de uma “CPLP da Mobilidade”, facilitando a circulação de estudantes, investigadores, artistas e profissionais; uma “CPLP do Conhecimento”, reforçando a cooperação científica e afirmando a língua portuguesa como língua de ciência, inovação e tecnologia; e uma “CPLP das Oportunidades”, promovendo maior integração económica, circulação de trabalhadores, estímulo ao empreendedorismo e desenvolvimento de um verdadeiro mercado lusófono.
Entre as dez prioridades apresentadas para os próximos dois anos e meio destacam-se a implementação do programa de mobilidade académica Frátria, inspirado no Erasmus; a criação do Passaporte da CPLP; o reconhecimento automático de qualificações profissionais entre os Estados-membros; a constituição de um mercado económico lusófono; o lançamento do Programa de Voluntariado Jovem da CPLP; a criação de um Fundo Lusófono para Investigação Científica; o reforço do ensino da língua portuguesa e da sua projeção internacional; o investimento na educação para a cidadania, democracia e direitos humanos; o alargamento do acesso dos jovens à cultura em todo o espaço lusófono e uma maior intervenção diplomática da CPLP em matérias como os direitos humanos, alterações climáticas e resolução de conflitos.
A organização defende igualmente um reforço do papel da juventude na governação da Comunidade, propondo a reformulação do Fórum da Juventude da CPLP e o reconhecimento formal das organizações juvenis transnacionais lusófonas como parceiros permanentes da secretária-executiva e da Conferência de Chefes de Estado e de Governo.
Para o presidente da Organização Internacional da Juventude Lusófona – Conexão Lusófona, Vítor Andrade André, “os primeiros trinta anos da CPLP demonstraram que era possível construir uma Comunidade de Estados unidos pela língua portuguesa; os próximos trinta terão de provar que somos capazes de construir uma verdadeira Comunidade de Povos e Cidadãos lusófonos”.
O responsável acrescenta que “a Língua Portuguesa não pode ser apenas um património comum, deve tornar-se numa oportunidade comum”, defendendo, por isso, o início de uma “terceira geração da CPLP”, o que representa “uma oportunidade histórica” com benefícios concretos para os cidadãos, através de oportunidades de mobilidade, educação, investigação científica, empreendedorismo, participação cívica e desenvolvimento económico.
O manifesto será agora enviado à secretária-executiva da CPLP, aos chefes de Estado e de Governo, aos governos dos Estados-membros, aos ministros responsáveis pela Juventude e às missões diplomáticas da Comunidade como contributo para a reflexão sobre a evolução do projeto lusófono. ■






