Ensino profissional português atrai a atenção de Espanha e da Islândia

Delegações das Ilhas Canárias e da Islândia vão visitar escolas e instituições portuguesas nas próximas semanas para conhecer de perto o modelo português de ensino profissional, apontado como referência europeia pela qualidade formativa, inovação pedagógica e ligação ao mercado de trabalho

27
Criada em 1991, a ANESPO congrega atualmente a maioria das escolas profissionais portuguesas ligadas a associações empresariais, fundações, cooperativas, autarquias e outras entidades da sociedade civil. Foto: Associação Nacional de Escolas Profissionais
- Publicidade -

O sistema português de ensino profissional, desenvolvido no país desde 1989, continua a afirmar-se além-fronteiras e a despertar interesse internacional. Neste sentido, Portugal vai receber, entre o final de abril e o início de junho, duas missões internacionais oriundas de Espanha, Ilhas Canárias, e da Islândia interessadas em estudar o ensino profissional em Portugal.

Promovidas com apoio da Associação Nacional de Escolas Profissionais (ANESPO), estas visitas incluem reuniões técnicas e deslocações a várias escolas do país por parte de responsáveis educativos das Ilhas Canárias e de mais de uma centena de professores islandeses, tendo como objetivo “analisar no terreno práticas pedagógicas, mecanismos de qualidade e modelos de articulação entre escola e mercado de trabalho”.

A primeira iniciativa decorre entre 27 e 30 de abril e envolve uma delegação dos serviços públicos das Canárias, no âmbito do programa Erasmus+. O objetivo passa por conhecer o sistema nacional de educação e formação profissional, com especial enfoque no modelo de gestão da qualidade adotado pelas escolas portuguesas e alinhado com o quadro europeu EQAVET – European Quality Assurance Reference Framework for Vocational Education and Training (Quadro de Referência Europeu de Garantia da Qualidade para o Ensino e Formação Profissionais).

O programa inclui uma reunião de trabalho na sede da ANESPO e visitas à Magestil – Escola Profissional, em Lisboa, à Escola Profissional de Salvaterra de Magos, no distrito de Santarém, e ao Chapitô – Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo, igualmente na capital. Nestas instituições serão apresentados exemplos concretos de implementação de processos de avaliação, inovação pedagógica e gestão escolar.

Já entre 2 e 3 de junho, Portugal acolhe uma segunda missão internacional, desta vez proveniente da Islândia. Mais de uma centena de docentes da Tækniskólinn, considerada a maior escola profissional islandesa, participarão num programa técnico-pedagógico centrado na observação direta de práticas educativas em escolas portuguesas.

As visitas decorrerão em estabelecimentos previamente escolhidos pelos próprios professores islandeses, abrangendo diferentes áreas de especialização e modelos de ensino, sendo que entre as escolas selecionadas encontram-se o INETE – Instituto de Educação Técnica, a Escola Técnica Profissional de Mafra, a Escola Profissional de Tecnologia Digital, a Escola Profissional de Imagem e a Escola de Comércio de Lisboa.

No âmbito desta deslocação, a ANESPO promoverá ainda uma sessão plenária dedicada ao ensino profissional em Portugal e às boas práticas consolidadas no setor, antes de os participantes se distribuírem pelas várias escolas envolvidas.

O presidente da ANESPO, Amadeu Dinis, considera que este interesse externo confirma a reputação alcançada por Portugal nesta área estratégica da educação: “Este reconhecimento internacional não é circunstancial. Portugal tem vindo a afirmar-se de forma consistente neste domínio”, sublinhou.

O responsável recordou a realização, em outubro de 2025, da conferência anual do EFVET – European Forum of Technical and Vocational Education and Training (Fórum Europeu do Ensino Técnico e Profissional), realizada em Fátima, que reuniu mais de 400 participantes oriundos de mais de três dezenas de países.

Amadeu Dinis referiu ainda que “o ensino profissional português é hoje um sistema estruturado e exigente que consegue conciliar a formação técnica com uma sólida dimensão de cidadania”, acrescentando que o interesse demonstrado por delegações governamentais e grupos internacionais traduz “um reconhecimento inequívoco da qualidade das nossas escolas, da robustez dos nossos mecanismos de garantia da qualidade e da capacidade de inovação pedagógica”.  ■

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.