
A Estação Memória, em Fafe, no distrito de Braga, no norte de Portugal, acolheu na passada terça-feira, 4 de agosto, a apresentação do livro “Portugal: da Ditadura à Democracia”, da autoria do historiador da diáspora Daniel Bastos e concebido a partir do espólio fotográfico do fotojornalista Marques Valentim, numa sessão integrada na “Festa do Emigrante” que reuniu antigos e atuais emigrantes, veteranos da Guerra do Ultramar, dirigentes associativos e membros da comunidade local.
A sessão decorreu perante um auditório completamente lotado, num dos momentos centrais da programação da “Festa do Emigrante”, iniciativa promovida anualmente pelo Município de Fafe para assinalar o regresso ao concelho de milhares de emigrantes durante o período de férias.
Entre os presentes estiveram o presidente da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa, o presidente da Assembleia Municipal, Raúl Cunha, a vereadora da Cultura, Paula Nogueira, representantes do movimento associativo, antigos e atuais emigrantes, veteranos da Guerra do Ultramar e diversos elementos da comunidade local.
A sessão permitiu também reunir em torno da obra os seus principais intervenientes, com Daniel Bastos enquanto autor, Marques Valentim enquanto responsável pelo espólio fotográfico que sustenta a publicação e Paulo Teixeira enquanto tradutor da edição bilingue (português e inglês).
Na abertura do encontro, Paula Nogueira enquadrou a apresentação no papel da cultura e da memória histórica na preservação da identidade coletiva, sobretudo num programa dedicado à valorização das comunidades emigrantes e da sua ligação ao concelho.
A intervenção de Daniel Bastos centrou-se, por sua vez, na dimensão humana e coletiva da publicação. O historiador convidou o público a conhecer a obra e destacou o livro como uma homenagem às mulheres e aos homens que contribuíram para o desenvolvimento de Portugal, com particular atenção às comunidades locais e à diáspora portuguesa.
A apresentação serviu ainda para sublinhar a importância de revisitar um dos períodos mais determinantes da história contemporânea nacional, acompanhando através da fotografia o percurso que levou Portugal da ditadura à conquista da liberdade e à consolidação do regime democrático.
Já Marques Valentim abordou a dimensão patrimonial do projeto, expressando o significado de ver reunido numa única publicação um conjunto representativo do trabalho fotográfico que desenvolveu ao longo de décadas. O fotojornalista considerou a obra um instrumento de preservação da memória visual de uma época decisiva da história portuguesa e um contributo para a salvaguarda da memória coletiva.
Com mais de duas centenas de fotografias, “Portugal: da Ditadura à Democracia” combina imagens raramente divulgadas com registos inéditos e fotografias que documentam acontecimentos, protagonistas e transformações sociais ocorridas na segunda metade do século XX.
O percurso visual da publicação inclui episódios relacionados com a Guerra Colonial em Moçambique, o processo de integração dos chamados “retornados” após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e os diferentes momentos do período revolucionário que se seguiu à queda do Estado Novo.
As fotografias permitem, de igual modo, acompanhar mudanças profundas na sociedade portuguesa através de diferentes protagonistas e contextos, desde figuras da vida pública ao quotidiano de trabalhadores e famílias, passando pelas comunidades do chamado Portugal profundo e pelos emigrantes que deixaram o país em procura de melhores condições de vida.
Esta dimensão permite que a obra ultrapasse o registo estritamente político dos acontecimentos, valorizando também as experiências individuais e coletivas que acompanharam a transformação da sociedade portuguesa e a construção da democracia.
O livro beneficia ainda do apoio institucional da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, reforçando a dimensão de divulgação nacional e internacional da publicação.
No encerramento da sessão, Antero Barbosa destacou a importância de criar espaços de reflexão sobre a história recente de Portugal e sobre os valores associados à cidadania, à democracia e à liberdade.
O presidente da Câmara Municipal de Fafe valorizou também o contributo dos emigrantes para o desenvolvimento do concelho e do país, enquadrando a apresentação da obra na homenagem às comunidades portuguesas promovida pela “Festa do Emigrante”.
A passagem por Fafe integra o roteiro nacional e internacional de divulgação de “Portugal: da Ditadura à Democracia”, depois da apresentação inaugural na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa, e de outras sessões realizadas em diferentes cidades portuguesas e junto das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. ■






