
A cidade de Florianópolis, no estado brasileiro de Santa Catarina, acolheu, entre os dias 21 e 23 de julho, a 11.ª edição do “Fórum Internacional de Património Arquitetónico Brasil-Portugal” (FIPA Brasil), iniciativa integrada na “2.ª Semana de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina”, que assinalou uma década de cooperação entre Portugal e Brasil através de uma programação dedicada à preservação do património arquitetónico, à investigação científica, ao intercâmbio académico e ao reforço das relações institucionais entre os dois países.
Ao longo de três dias, investigadores, arquitetos, urbanistas, conservadores, docentes universitários e especialistas da gestão patrimonial partilharam experiências e apresentaram estudos, reforçando a cooperação técnico-científica construída entre Portugal e Brasil ao longo das onze edições do fórum.
Sob o tema “Diversidades”, o encontro centrou o debate em quatro grandes áreas: a diversidade das manifestações do património cultural, o diagnóstico das patologias das edificações históricas, a adaptação do património às alterações climáticas e os impactos ambientais sobre os bens patrimoniais.
Sessão inaugural distinguiu personalidades ligadas ao património
A abertura solene decorreu no histórico Teatro Álvaro de Carvalho, um dos mais emblemáticos edifícios patrimoniais de Santa Catarina, reunindo representantes institucionais, profissionais da arquitetura e especialistas em conservação patrimonial.
A cerimónia foi conduzida pelas coordenadoras-gerais do fórum, Maria Rita Silveira de Paula Amoroso, pelo FIPA Brasil, e Alice Tavares, pelo FIPA Portugal, contando igualmente com a presença do presidente da Câmara Municipal de Florianópolis, Topázio Neto, de representantes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), do CAU de Santa Catarina (CAU/SC) e do Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
Durante a sessão inaugural, o CAU/BR distinguiu cinco personalidades com a Medalha Comemorativa dos 15 anos do Conselho, reconhecendo o contributo prestado para a arquitetura, o urbanismo e a preservação do património cultural brasileiro.
Foram homenageados Andrey Rosenthal Schlee, Jussara da Silveira Derenji, Graciete Guerra da Costa, Dalmo Vieira Filho e Maria Rita Silveira de Paula Amoroso, esta última destacada pelo papel desempenhado na construção da cooperação entre Portugal e Brasil e pelo contributo dado ao desenvolvimento do próprio FIPA.
De igual modo, a abertura ficou marcada por conferências dedicadas ao património arquitetónico dos dois países, incluindo uma intervenção da historiadora Kátia Bogéa sobre o Museu dos Azulejos de São Luís, no Maranhão, e uma apresentação do presidente do CAU/SC, Carlos Barbosa, dedicada ao trabalho desenvolvido em Santa Catarina na valorização e proteção do património construído.
Programa científico e cultural marcou os três dias do encontro
Ao longo da semana, o fórum desenvolveu mais de três dezenas de atividades paralelas, entre palestras, mesas-redondas, apresentações de artigos científicos, exposições de pósteres, oficinas, visitas técnicas e iniciativas culturais, reforçando simultaneamente as dimensões científica, profissional e comunitária do encontro.
Entre as atividades destacaram-se as visitas guiadas ao centro histórico de Florianópolis, à Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim e à cidade histórica de Laguna, bem como uma roda de rendeiras, apresentações do tradicional Boi de Mamão e uma exposição fotográfica dedicada ao centenário da Ponte Hercílio Luz, um dos principais símbolos arquitetónicos de Santa Catarina.
A programação integrou ainda iniciativas de caráter institucional, como o lançamento da plataforma CAU Digital e a assinatura de um acordo de cooperação entre entidades do Mercosul, destinado a facilitar a mobilidade profissional e o exercício da arquitetura e do urbanismo entre os países da região.
No encerramento dos trabalhos foi anunciado que a 12.ª edição do Fórum Internacional de Património Arquitetónico Brasil-Portugal decorrerá em Portugal, garantindo a continuidade de uma iniciativa que, ao longo da última década, se consolidou como um dos mais relevantes espaços de cooperação científica, académica e institucional entre Portugal e Brasil na área da preservação do património arquitetónico. ■






