O dia 10 de Junho é, como sabemos, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Os portugueses no estrangeiro aproveitam para festejar a sua identidade portuguesa. Estes festejos ocorrem onde há portugueses, ou seja, um pouco por todo o mundo. Por exemplo, há festas no Canadá, Estados Unidos, Brasil, França, Suíça e Luxemburgo, onde este ano se realizam as cerimónias oficiais com a presença do Presidente da República.
E como é celebrada essa identidade? Nos Estados Unidos, com grandes desfiles; em todo o lado, com música portuguesa, e claro, com comida. A gastronomia portuguesa é um sinal de pertença, não há nada mais português do que uma sardinhada e um churrasco, umas bifanas, um caldo verde, acompanhados com vinho e cerveja portuguesas.
A música portuguesa dá o tom às festas. Dos ranchos folclóricos aos cantores em voga, os sons de Portugal animam as almas e agitam os pés. Toda esta alegria, todo este convívio, ajudam a que os portugueses que vivem no estrangeiro se sintam mais próximos uns dos outros, e de Portugal.
Mas há nestas festividades uma oportunidade perdida. A cultura portuguesa é mais que isto. No dia em que também se comemora Camões, num país com um Prémio Nobel da Literatura, faltam os livros.
Aqui ao lado de Portugal, na Catalunha, o dia de São Jorge (Jordi em Catalão) comemora-se de uma forma original: enquanto que os homens dão rosas às mulheres, as mulheres oferecem livros aos homens.
Sendo o 10 de Junho também o dia de Camões, proponho que se adote este costume – que namorados e namoradas, maridos e mulheres, amigos e amigas, ofereçam livros uns aos outros. Que se ofereçam livros a quem quisermos.
E proponho também que se aproveite a mesma ocasião para homenagear e premiar os autores da diáspora, os portugueses que vivem fora de Portugal, e que, mesmo assim, continuam a perpetuar a língua portuguesa com os seus livros, os seus poemas, as suas palavras. Que bom seria que fossem divulgados e acarinhados, especialmente neste dia.
Num mundo cada vez mais digital, cada vez mais marcado pelas imagens que se sucedem a um ritmo cada vez acelerado nos nossos telemóveis, fazem falta aqueles momentos em que a nossa imaginação, as nossas emoções, o nosso sentido de beleza, sejam avivadas por um bom livro.
A quem vai oferecer um livro neste 10 de Junho? ■
Paulo Costa
Presidente da Associação Todos Somos Portugueses – TSP
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