
O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas é mais do que uma data nacional. É uma afirmação de história, língua, identidade e presença no mundo. Para nós, brasileiros, esta celebração também possui um significado que atravessa o Atlântico e alcança a própria formação do Brasil, de nossas instituições, de nossa cultura e de nossa inserção internacional. Portugal não é apenas uma referência histórica. É um parceiro do presente e uma ponte necessária para o futuro.
A Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex) reconhece nesta data, 10 de junho, um momento de valorização da história portuguesa e das ligações que unem Brasil e Portugal. Essas ligações não se limitam ao passado comum. Estão vivas na língua, nas comunidades, nas empresas, nas universidades, nas instituições e nas novas agendas de cooperação entre a Europa, o Mercosul e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Foi com essa visão que instalamos a Funcex Europa em Portugal. A escolha não foi casual. Portugal ocupa uma posição estratégica na relação entre o Brasil, o continente europeu e a CPLP, mas possui também uma dimensão simbólica e institucional que merece ser reconhecida. É uma porta de entrada para a Europa, mas é igualmente um espaço de diálogo, confiança e convergência entre países que compartilham língua, memória e interesses comuns.
Neste Dia de Portugal, saudamos o povo português, suas instituições e suas comunidades espalhadas pelo mundo. A diáspora portuguesa demonstra, há gerações, que uma nação também se constrói fora de suas fronteiras. Em cada comunidade portuguesa no exterior há trabalho, cultura, pertencimento e capacidade de integração. Há também uma presença que reforça a imagem de Portugal como país de vocação internacional.
Para a Funcex, valorizar Portugal é também valorizar as possibilidades de cooperação entre economias, empresas e sociedades. O mundo vive uma transformação marcada por tecnologia, novas cadeias de valor, desafios energéticos, exigências ambientais e redefinições geopolíticas. Nesse cenário, Brasil e Portugal podem atuar de forma mais articulada, com visão estratégica, conhecimento técnico e compromisso institucional.
A relação entre os dois países precisa ser observada para além da afetividade, embora a afetividade seja parte importante desta história. É necessário transformá-la em projetos, investimentos, formação, comércio exterior, inovação e internacionalização de empresas. A aproximação entre Brasil e Portugal deve ser tratada como agenda de desenvolvimento, capaz de beneficiar também a Europa, o Mercosul e o espaço lusófono.
Portugal ensinou ao mundo que a geografia pode ser ponto de partida, mas nunca limite. A língua portuguesa, que atravessou oceanos, é hoje uma ferramenta de diálogo econômico, cultural e diplomático. Camões permanece como símbolo maior dessa dimensão, mas as comunidades portuguesas mostram, todos os dias, que a língua continua a ser movimento, trabalho e futuro.
Neste 10 de junho, a Funcex reafirma seu respeito pela história de Portugal e seu compromisso com o fortalecimento das relações luso-brasileiras. A instalação da Funcex Europa em território português representa esse entendimento: não estamos apenas diante de uma operação internacional, mas de uma escolha estratégica baseada em confiança, memória e visão de futuro.
Celebrar Portugal é reconhecer uma história que nos formou e uma parceria que ainda tem muito a construir. Entre Brasil e Portugal há mais do que laços históricos. Há uma responsabilidade comum: transformar a herança compartilhada em cooperação efetiva, desenvolvimento econômico e presença internacional qualificada. ■
Antonio Carlos da Silveira Pinheiro
Presidente da Fundação de Comércio Exterior e Relações Internacionais (Funcex)




