
Não há como falar do Dia 10 de Junho: “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” sem tecer breves considerações sobre a importância estratégica da Diáspora para a Política Externa e para o desenvolvimento do país, bem como para o desenvolvimento dos países de acolhimento, a agregar a experiência e o testemunho pessoal de cada cidadão junto às comunidades a que estes estão integrados.
No âmbito da Política Externa portuguesa, a Diáspora tem um papel fundamental e estratégico, considerando a grande rede de países que a compõe e sua capilaridade, com mais de 5 milhões de indivíduos, incluindo os lusodescendentes, sempre muito bem integrados e ativos nos países de acolhimento, tornando-se um grande ativo estratégico na dinamização de negócios, na exportação de produtos portugueses, na divulgação da língua, da cultura, no investimento direto estrangeiro, na internacionalização e criação de empresas, sem falar nas remessas enviadas por estes cidadãos a Portugal.
No que tange a minha experiência pessoal, tive a honra de nascer e viver no seio da comunidade portuguesa e ser o primeiro deputado luso-brasileiro na história da Assembleia da República de Portugal, dando meu contributo pessoal e agregando esta experiência junto aos meus pares, ocasião em que tive a oportunidade de visitar vários países de acolhimento da nossa comunidade portuguesa. Nestes contatos próximos, pude constatar que os cidadãos da Diáspora são muito ativos e integrados às comunidades locais, muito envolvidos com as causas sociais locais, entrementes não se afastam de suas raízes e sempre se mostram sensíveis às causas que afetam as comunidades portuguesas.
Outra característica muito evidente é que muitos cidadãos da Diáspora se destacam pelo empreendedorismo, seja no comércio, na indústria, nos serviços, no judiciário e na política, bem como na economia social e solidária, sempre ocupando cargos de direção ou de grande destaque e influência na comunidade local.
O “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” é muito mais do que uma homenagem ao legado de Camões ou uma mera data comemorativa, é uma justa homenagem e um merecido reconhecimento a cada indivíduo da Diáspora Portuguesa, seja aos que residem nas Américas, na Ásia, África, Oceania ou na Europa, pois estes cidadãos são uma extensão de Portugal, um património de valor inestimável, os quais podem contribuir, tanto para política externa portuguesa quanto para o desenvolvimento de Portugal em várias áreas e nos diversos países de acolhimento da Diáspora portuguesa. ■
Paulo Porto Fernandes
Advogado, Deputado à Assembleia da República na XIV Legislatura, Membro da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e da Comissão de Assuntos Constitucionais Direitos Liberdades e Garantias, Vice-presidente das Comissões Parlamentares de Amizade Portugal/Brasil e Portugal/Venezuela (2019 a 2022), Licenciado em Direito e Gestão, Pós-graduado em Mediação e Resolução de Conflitos – P. Universidade Católica São Paulo, Mestrando em Práticas Jurídicas da Economia Social – I.P. Porto




