Opinião: “Redes Sociais: sonho ou pesadelo?”, por Tati Pinheiro

“A questão é que essas redes sociais levam à uma distração que em muitos casos se torna até mesmo patológica. Então, a atenção fica dividida, dispersa e superficial”

46
Tati Pinheiro, jornalista e mentora de autoconhecimento. Foto: Aline Lemos
- Publicidade -

Quem sonharia em viver num mundo onde em apenas 3 segundos, num único clique, poderia visitar um museu do outro lado do mundo? E se ainda por cima essa “viagem” fosse sem custo nenhum? Ou melhor, uma viagem que custasse apenas um equipamento em si + energia elétrica + rede de internet.

Esse “novo mundo” se apresenta com as redes sociais que vão além da exibição do dia a adia de pseudocelebridades, mas se tornaram verdadeiros cartões de visita. Sob a perspectiva do pensamento sistêmico, elas fazem parte de um conjunto de influências que impactam nossa forma de pensar, sentir, aprender e nos relacionar com o mundo.

A questão é que essas redes sociais levam à uma distração que em muitos casos se torna até mesmo patológica. Então, a atenção fica dividida, dispersa e superficial. Percebemos que ela não é afetada apenas pelas notificações ou pelo excesso de informações. Nossa capacidade de concentração também está relacionada ao nosso estado emocional, aos hábitos que cultivamos e ao nível de presença que desenvolvemos no dia a dia. Quanto mais conscientes estamos de nós mesmos, mais autonomia temos para escolher onde colocamos nossa energia. Esse processo, no entanto, é um privilégio de quem busca o autoconhecimento.

Nas relações sociais, as redes podem aproximar pessoas e criar oportunidades de troca e pertencimento. Contudo, também podem despertar comparações, inseguranças e a necessidade constante de validação. A necessidade de pertencimento, inata ao ser humano, acaba por buscar relações que, na maioria das vezes, se inicia e se encerra online. Novamente, o autoconhecimento nos ajuda a perceber quando estamos utilizando as redes sociais para nos conectar genuinamente e quando estamos buscando preencher vazios emocionais que precisam ser acolhidos internamente. Esses sentimentos também são experenciados nas relações presenciais. Chegamos à conclusão que uma experiência não anula a outra: o ideal é viver em equilíbrio entre as redes sociais virtuais e os relacionamento pessoais presenciais.

Em relação à aprendizagem, vivemos uma era de acesso quase ilimitado ao conhecimento que necessita verdadeiramente de uma curadoria atenta a fim de evitarmos as distrações que nos levam à desatenção, mencionada anteriormente. Aprender não significa apenas consumir informações. O verdadeiro aprendizado acontece quando refletimos, questionamos e integramos aquilo que faz sentido para nossa jornada. O pensamento sistêmico nos convida a compreender que conhecimento sem consciência nem sempre gera transformação. E a Neurociência comprova que dados consumidos sem emoção não geram novas sinapses nem mudam redes neurais já estabelecidas.

Já no que tange à saúde mental consideramos como resultado da interação de diversos fatores. As redes sociais podem contribuir tanto para o bem-estar quanto para o sofrimento emocional, dependendo da forma como nos relacionamos com elas. Por isso, é importante observar não apenas quanto tempo passamos conectados, mas também quais emoções, pensamentos e comportamentos essa conexão desperta em nós. Sem esquecer, é claro, da tal curadoria das informações que consumimos diariamente. Definimos como prioritário a autorresponsabilidade.

Sob a ótica do autoconhecimento, as redes sociais funcionam como um espelho. Muitas vezes elas revelam nossos medos, desejos, crenças e necessidades mais profundas. Por isso, mais importante do que julgar a tecnologia é desenvolver consciência sobre a maneira como escolhemos utilizá-la. Afinal, toda transformação começa quando deixamos de olhar apenas para o ambiente externo e passamos a compreender o sistema interno que existe em cada um de nós. ■

Tati Pinheiro

Jornalista e Mentora de Autoconhecimento

Canal do Youtube: @TatiPinheiroOficial

Instagram: @tatipinheiro.oficial

Site: www.tatipinheiro.com.br

*Os artigos de opinião são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a visão do nosso órgão de comunicação social

 

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.