Rio de Janeiro: “Bar Glória” celebra 80 anos como símbolo de “resistência” do comércio local no centro da cidade

Fundado em 1945 e liderado pelo empresário português Domingos Cunha, restaurante mantém a tradição gastronómica luso-brasileira e reúne trabalhadores, empresários, artistas e representantes da comunidade portuguesa

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Domingos Cunha, responsável pelo "Bar Glória". Foto: Agência Incomparáveis
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O comércio local desempenha um papel importante na preservação da identidade, da atividade económica e da vida social do centro do Rio de Janeiro, no Brasil. Numa região marcada por transformações urbanas, alterações na circulação de pessoas e mudanças na dinâmica empresarial, os restaurantes tradicionais continuam a funcionar como espaços de convivência, geração de emprego e preservação da memória da cidade.

Entre estes estabelecimentos encontra-se o “Bar e Restaurante Glória”, fundado em 1945, que assinalou 80 anos de história em 2025. Localizado na Rua do Acre, n.º 6, junto à Praça Mauá, o espaço é um dos baluartes de resistência do comércio local, mantendo a atividade numa localização privilegiada, próxima de instituições públicas, empresas, espaços culturais, zonas de circulação turística e no centro do coração empresarial e económico fluminense, próximo de uma das principais artérias cariocas.

À frente do restaurante está o empresário português Domingos Cunha, natural da Póvoa de Lanhoso, no distrito de Braga, que chegou ao Brasil em 1964, aos 14 anos, e passou a integrar a sociedade do Glória na década de 1980. Ao longo dos anos, o empresário acompanhou as mudanças do centro carioca, mantendo a ligação do estabelecimento às tradições portuguesas e brasileiras.

O restaurante tornou-se um ponto de encontro de funcionários e servidores públicos, profissionais das artes, comerciantes, empresários, moradores e representantes da comunidade luso-brasileira. Para além das refeições, o espaço acolhe conversas, encontros profissionais e momentos de convívio, contribuindo para a manutenção das relações sociais e comerciais numa zona histórica da cidade.

A gastronomia constitui um dos principais elementos de identidade do Glória, que se consolidou como ponto de encontro gastronómico entre Portugal e o Brasil. O menu reúne pratos como bacalhau, bolinhos de bacalhau, leitão à pururuca, feijoada, dobradinha, paleta de cordeiro e salmão, além de petiscos, vinhos portugueses e aguardente bagaceira. A oferta inclui ainda receitas do quotidiano carioca e especialidades portuguesas, permitindo que o restaurante receba tanto quem procura uma refeição durante o horário de trabalho como famílias, turistas e grupos que ali se encontram para confraternizações.

A permanência do “Bar e Restaurante Glória” no centro do Rio representa ainda a resistência de pequenos e médios negócios perante as transformações da cidade. O estabelecimento atravessou períodos de redução do movimento comercial, as obras de requalificação da zona portuária e os efeitos da pandemia de COVID-19.

A revitalização da Praça Mauá, com a presença de museus, espaços culturais e atividades turísticas, trouxe novas oportunidades à região e um novo público ao restaurante.

Para Domingos Cunha, o local ultrapassa a função comercial e mantém uma dimensão social.

“Hoje, fico feliz quando vejo o meu negócio cumprir um papel social e estratégico, onde as pessoas conversam, debatem, realizam negócios e constroem vínculos duradouros”, disse.

O “Bar Glória” prossegue uma história iniciada há oito décadas, preservando um espaço de encontro entre gerações, profissões e culturas no coração do Rio de Janeiro, promovendo e valorizando a gastronomia e as tradições portuguesas. ■

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