Sofia Lourenço destaca “cooperação lusófona” e defende novas pontes entre “tradição, inovação e acolhimento” no Interior de Portugal

Cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu participou na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, em Castelo Branco, e apontou o evento como “espaço de intercâmbio cultural, criação de parcerias e valorização das comunidades lusófonas”

45
Sofia Lourenço, cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu. Foto: Agência Incomparáveis
- Publicidade -

A primeira edição da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”, realizada nos dias 4 e 5 de setembro, no Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco, reuniu representantes de Portugal, Brasil e Cabo Verde em torno da valorização do património, das indústrias criativas e da cooperação entre territórios. Integrado na programação do “Festival Sabores de Perdição”, o encontro decorreu numa cidade que integra, desde 2023, a “Rede de Cidades Criativas da UNESCO”, na categoria de “Artesanato e Artes Populares”, classificação que coloca a preservação dos saberes tradicionais, a transmissão de técnicas e a cooperação internacional entre os compromissos assumidos pelo município.

Entre as participantes esteve Sofia Lourenço, cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, que acompanhou os trabalhos e destacou, em declarações exclusivas à Agência Incomparáveis, a responsabilidade associada à representação do arquipélago num espaço dedicado ao património e às relações entre diferentes territórios.

Sofia Lourenço, cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu. Foto: Agência Incomparáveis

“Estar a representar Cabo Verde enquanto cônsul-honorária é uma responsabilidade acrescida, mas, neste percurso de intercâmbio cultural e de ação social, estamos apenas a dar continuidade ao trabalho desenvolvido. Claro que o aumento da responsabilidade nos gera também um leque de oportunidades maior”, afirmou.

Para Sofia Lourenço, o conteúdo apresentado durante os dois dias demonstrou a possibilidade de transformar encontros culturais em instrumentos para aprofundar relações institucionais.

“Os painéis do evento desta Bienal estão com uma qualidade indiscutível. Há um leque de informações e um intercâmbio de informação muito importante. No que toca a Portugal e Cabo Verde, falar de cultura e destas relações que podemos criar só nos enriquece e melhora também as oportunidades”, considerou.

A presença cabo-verdiana ficou igualmente materializada através de peças representativas do património do arquipélago. Entre elas esteve o pano de terra, uma das expressões do artesanato tradicional de Cabo Verde, que serviu também para introduzir uma das questões que atravessaram a programação da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”: a relação entre “preservação, tradição e capacidade de renovação”.

“Temos aqui peças de Cabo Verde, destacando o pano de terra, que é um ex-líbris de Cabo Verde. E o que podemos fazer entre inovação e tradição? Isso ficou muito presente em todos os painéis e em todos os oradores. É por aí que nós vamos avançar”, apontou.

A dimensão cultural cabo-verdiana esteve ainda presente através da presença de Ângela Barbosa, gestora do Centro Cultural de Cabo Verde em Lisboa e das Batucadeiras das Olaias, que participaram na abertura do evento. O batuque, expressão associada à história e à identidade cultural de Cabo Verde, entrou assim na programação como manifestação de um património que continua a ser transmitido fora do arquipélago.

“Tivemos a alegria de ter como abertura do evento as Batucadeiras das Olaias, que representam a tradição de Cabo Verde, mas mostrando que são contemporâneas. É isso que é importante preservarmos dentro da cultura lusófona”, sustentou.

Sofia Lourenço, cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu. Foto: Agência Incomparáveis

O encontro realizado em Castelo Branco ganhou também uma dimensão particular para Sofia Lourenço pela ligação pessoal e institucional que mantém com os três países representados.

“Sou privilegiada porque sou brasileira, portuguesa e represento Cabo Verde. Conseguir fazer esta sinergia entre os três países é muito importante”, assinalou.

Essa aproximação poderá, segundo a cônsul-honorária, traduzir-se em novas iniciativas entre estruturas consulares, como a do Brasil, por exemplo, e entidades dos diferentes territórios.

“Com relação a essa parceria que vai nascer entre dois consulados honorários do território, Cabo Verde e Brasil, teremos toda a responsabilidade de afirmar as duas culturas, perceber o que é possível melhorar entre os dois países, e esse é o ponto de partida desta parceria entre Brasil e Cabo Verde”, antecipou.

A diplomacia cultural e a cooperação entre comunidades apareceram, desta forma, associadas ao próprio espírito da “Bienal Internacional de Artes e Ofícios”. Para Sofia Lourenço, a continuidade do trabalho passa pelo reforço de protocolos, parcerias e projetos construídos a partir dos contactos existentes.

A discussão sobre cultura foi ainda relacionada com outro tema que acompanha a atuação consular no Interior de Portugal: o acolhimento das comunidades migrantes. Sofia Lourenço destacou o trabalho desenvolvido nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu junto de cidadãos cabo-verdianos que chegam ao país para estudar ou trabalhar.

“Os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu têm já feito um trabalho de interior muito importante relativamente ao acolhimento dos cabo-verdianos que vêm, tanto para trabalhar como para estudar”, reconheceu.

Para a cônsul-honorária, este processo exige continuidade na qualificação, integração e criação de condições para a permanência das novas gerações.

“Nós temos que não perder o foco e continuar a reforçar sempre estas ligações, melhorar a capacitação dos jovens que vêm para cá, habilitá-los com melhor qualidade formativa e, ao mesmo tempo, mostrar aos que trabalham e aos que se fixam cá que têm um país que os acolhe verdadeiramente”, defendeu.

Sofia Lourenço, cônsul-honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu. Foto: Agência Incomparáveis

Sofia Lourenço considera que este trabalho também faz parte da missão de uma representação consular de proximidade.

“Este é o trabalho de um cônsul-honorário de um país que quer melhorar toda esta ligação lusófona”, concluiu.

A participação cabo-verdiana na “Bienal Internacional de Artes e Ofícios” acrescentou, assim, uma dimensão de cooperação lusófona a um evento pensado para aproximar patrimónios, artesãos, instituições e territórios. A própria “Rede de Cidades Criativas da UNESCO” estabelece entre os objetivos de Castelo Branco o “aprofundamento da cooperação e do intercâmbio internacional através do artesanato e das artes populares, enquadramento que reforça a importância de iniciativas capazes de ligar cultura, transmissão de saberes e relações entre comunidades”.

A organização da Bienal foi da responsabilidade da Divisão de Museus e Cultura da Câmara Municipal de Castelo Branco, liderada por Sónia Abreu. ■

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.