Sofia Lourenço oficialmente nomeada cônsul honorária de Cabo Verde nos distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu

Cerimónia realizada na Câmara Municipal de Castelo Branco formalizou a nomeação de Sofia Lourenço para representar o país africano nesses distritos; objetivo é reforçar os laços institucionais, comunitários e culturais entre os dois países

19
Sofia Lourenço, empresária e ativista social, recebe carta patente das mãos da ministra plenipotenciária e diplomata da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, Fernanda Fernandes, em Castelo Branco. Foto: Agência Incomparáveis
- Publicidade -

A empresária e ativista social Sofia Lourenço recebeu, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Castelo Branco, a carta patente que oficializa a sua nomeação como cônsul honorária da República de Cabo Verde em Portugal para os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu, numa cerimónia promovida, no passado dia 17 de abril, pela Embaixada cabo-verdiana em solo português.

A entrega do documento foi conduzida por Fernanda Fernandes, ministra plenipotenciária e diplomata da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, perante diversas entidades institucionais, académicas e associativas da região. Entre os presentes estiveram a vereadora da Câmara Municipal de Castelo Branco, Christelle Domingos, o presidente da Assembleia Municipal de Castelo Branco, Valter Lemos, o presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco, António Fernandes, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Castelo Branco, José Augusto Alves, a presidente da Câmara de Comércio da Região das Beiras, Ana Correia, a presidente da Cáritas de Castelo Branco, Fátima Santos, o presidente da União de Freguesias de Cebolais de Cima e Retaxo, João Nunes Sobreira, a diretora pedagógica da Escola Profissional do Conservatório de Castelo Branco, Mónia Ventura, e a antiga deputada à Assembleia da República e professora, Cristina Granada.

A nomeação de Sofia Lourenço já havia sido anunciada anteriormente por Elisângela Carvalho, conselheira da Embaixada de Cabo Verde em Portugal, durante a quarta Gala Beneficente da Associação Mais Lusofonia, da  qual Sofia é presidente, realizada a 10 de janeiro, em Castelo Branco, ocasião em que foi referido tratar-se de uma decisão do ministro dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades de Cabo Verde, José Luís Livramento, com o objetivo de “dar continuidade ao trabalho já desenvolvido por Sofia Lourenço no apoio à diáspora e na dinamização de iniciativas sociais e culturais”.

Sofia Lourenço, cônsul honorária da República de Cabo Verde em Portugal para os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu; Christelle Domingos, vereadora da Câmara Municipal de Castelo Branco; e Fernanda Fernandes, ministra plenipotenciária e diplomata da Embaixada de Cabo Verde em Portugal

Em declarações à Agência Incomparáveis, Sofia Lourenço afirmou que o principal simbolismo da cerimónia traduz “sem dúvida nenhuma o sentido de responsabilidade”. 

A nova cônsul honorária salientou que o momento representa o reconhecimento de um percurso já desenvolvido, lembrando existir “um trabalho por trás já de alguns anos a respeito da ação social e do intercâmbio cultural”.

A ativista social considerou ainda que a nomeação assinala uma nova etapa de compromisso público, defendendo que se trata de “um marcar de que há mais para fazer”. Nesse contexto, acrescentou que receber a carta patente confere-lhe “mais responsabilidades, mas também abre mais horizontes”.

Quanto às prioridades para o exercício de funções, Sofia Lourenço destacou o apoio à comunidade estudantil cabo-verdiana instalada na região.

“Primeiramente, falar da educação e conseguir apoiar mais de perto os alunos cabo-verdianos que vêm para o território, não só no ensino profissional como no ensino académico”, afirmou a nova representante consular, que apontou igualmente a necessidade de proximidade junto dos residentes já integrados no mercado de trabalho, além de defender ser importante “dar algum apoio aos cabo-verdianos que já estão aqui radicados a título profissional, perceber se a documentação deles está em ordem a nível de censo, também recenseamento”.

Também a vertente cultural surge entre as prioridades, ao assumir a intenção de “desenvolver ainda mais o intercâmbio cultural entre os países”.

Sofia Lourenço salientou ainda que a nova função permitirá ampliar a capacidade de intervenção institucional.

“Sem dúvida nenhuma, é um continuar de um trabalho incrível, mas que agora conseguirei ter o apoio do governo, de instituições que em nome individual ou com uma associação sem fins lucrativos, teríamos aqui alguma limitação”, referiu.

“Tendo um título de cônsul honorária, conseguiremos enveredar por outros horizontes”, concluiu Sofia Lourenço.

Também à nossa reportagem, Fernanda Fernandes explicou que a escolha resultou do trabalho já desenvolvido por Sofia Lourenço no plano da cooperação.

Segundo a ministra de Cabo Verde, a nova cônsul honorária “vem fazendo um trabalho muito interessante a nível da cooperação” e “tem estabelecido pontes entre as instituições da sociedade civil e também públicas”.

A diplomata sublinhou que o Estado cabo-verdiano decidiu formalizar esse percurso institucionalmente.

“No fundo, o governo de Cabo Verde reconheceu o trabalho muito bom que a doutora Sofia Lourenço vem fazendo ao nível da solidariedade com instituições cabo-verdianas, tendo decidido formalizar esta função, que é a atribuição de uma carta-patente, quer dizer que a reconhece como cônsul honorária de Cabo Verde em três distritos, Castelo Branco, Guarda e Viseu”, salientou.

Esta responsável explicou igualmente que este tipo de designação pressupõe uma avaliação exigente.

“Normalmente a pessoa passa por um crivo, há um processo burocrático, mas também passa pela análise das suas características profissionais”, afirmou, acrescentando que também deve ser “uma pessoa idónea, reconhecida na sociedade, na comunidade onde reside e que tenha essa capacidade e essa vontade de estabelecer pontes”.

Por sua vez, Christelle Domingos, vereadora do município de Castelo Branco, considerou a distinção atribuída “um motivo de grande orgulho” para o concelho albicastrense, sublinhando que Sofia Lourenço é “uma orgulhosa albicastrense, como ela tão bem refere, que eleva o nome de Castelo Branco além-fronteiras”.

A vereadora acrescentou que esta nomeação valoriza princípios que o município considera centrais, designadamente “o espírito de solidariedade e de cooperação entre os povos”. 

A responsável revelou ainda expetativas concretas no plano institucional entre Castelo Branco e Cabo Verde, recordando que o município dispõe de “um acordo de geminação já aprovado pela nossa Assembleia Municipal com a cidade da Praia”. A autarca manifestou o desejo de que “agora com a cônsul Sofia Lourenço possamos efetivamente oficializar a assinatura deste acordo de geminação”.

Christelle Domingos concluiu destacando que Castelo Branco também irá acolher a Bienal do Artesanato no mês de setembro, no âmbito das Cidades Criativas da UNESCO, pretendendo contar com “a mais-valia” da nova representante consular para convidar cidades cabo-verdianas a marcarem presença no evento.

Percurso marcado pela ligação ao território e à lusofonia

Sofia Lourenço é uma cidadã luso-brasileira e reside em Castelo Branco há mais de 30 anos, terra de onde são naturais os seus pais, mantendo uma ligação profunda às raízes familiares e ao território albicastrense.

Sofia Lourenço, cônsul honorária da República de Cabo Verde em Portugal para os distritos de Castelo Branco, Guarda e Viseu. Foto: Agência Incomparáveis

É jurista, licenciada em Direito, com especialização em Medicina Legal, e possui ainda formação complementar nas áreas da saúde, incluindo pós-graduações em Medicina Ortomolecular, Nutrição Funcional e Bioquímica. Conta igualmente com uma licenciatura em Medicina Tradicional Chinesa, com especialização em Acupuntura.

No plano cívico e cultural, tem desenvolvido intensa atividade associativa: é membro correspondente da Academia Luso-Brasileira de Letras, conselheira da Sociedade da Excelência Luso-Brasileira e integra a Direção de Ação Social da Associação Romã Azul. 

Preside ainda à Associação Mais Lusofonia, criada em 2021, através da qual tem impulsionado iniciativas de solidariedade social e intercâmbio cultural entre Portugal, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e até no interior de Portugal.

Reconhecida pelo ativismo social e pela promoção da igualdade de género, foi recentemente distinguida pela Academia de Filosofia e Ciências Humanísticas Lucentina. 

No plano empresarial, lidera a Clinibeira, desenvolvendo atividade no setor da saúde e bem-estar.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.