Mentora, formadora e executive coach explica o conceito do evento, o papel da juventude, a importância da decisão consciente e os planos de expansão da “Faz a Tua Mudança” para outros mercados lusófonos; iniciativa realiza-se a 19 de setembro e reúne especialistas, empresários, jovens e diferentes vozes da lusofonia para discutir autoliderança, comunicação, inteligência artificial e processos de transformação pessoal e profissional

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Adriana Carneiro Nunes de Almeida é a responsável pelo evento “EU DECIDO | FAZ A TUA MUDANÇA 2026”. Foto: divulgação/acervo pessoal
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Adriana Carneiro Nunes de Almeida é a responsável pelo evento “EU DECIDO | FAZ A TUA MUDANÇA 2026”, uma iniciativa que decorre dia 19 de setembro no Auditório Taguspark, em Oeiras, e que está centrada no desenvolvimento pessoal, liderança, comunicação e processos de mudança. Natural do Porto, tem 53 anos e desenvolve atividade como mentora, formadora, palestrante, Trainer Master em Programação Neurolinguística (PNL) e executive coach, sendo também fundadora da “Faz a Tua Mudança®”, “Faz a Tua Mudança NextGen” e criadora do “Método M”.

Com formação de base em Direito e especialização nas áreas do comportamento humano, comunicação, liderança e desenvolvimento pessoal e organizacional, Adriana Carneiro apresenta, nesta entrevista à Agência Incomparáveis, os objetivos da edição de 2026, o conceito que sustenta o evento e a forma como a iniciativa pretende levar os participantes a refletirem sobre decisões, mudança e construção de novos percursos pessoais e profissionais.

O evento ‘EU DECIDO | Faz a Tua Mudança 2026’ realiza-se a 19 de setembro, no Auditório Taguspark, e propõe um dia centrado na liderança, comunicação, inteligência emocional, empatia, tecnologia e capacidade de decisão. Que necessidade identificou para criar este encontro e qual é o principal objetivo desta edição?

Identifiquei uma contradição muito presente na sociedade e nas organizações, nunca tivemos tanto acesso a conhecimento e, ao mesmo tempo, tantas pessoas se sentem bloqueadas no momento de decidir. Sabem que precisam de mudar, mas adiam por medo, excesso de informação, falta de clareza ou ausência de confiança. Nas empresas, esse bloqueio traduz-se em equipas cansadas, comunicação pouco clara, resistência à mudança e decisões que chegam tarde. Na vida pessoal, traduz-se em sonhos adiados e numa sensação permanente de estagnação. O “EU DECIDO” nasceu para encurtar a distância entre saber e agir e ensinar o como do que sabes que tens que fazer, mas não executas. Falar de liderança sem auto liderança sem conhecer os gatilhos e repetição de padrões comportamentais é uma utopia. O principal objetivo desta edição é proporcionar um dia de reflexão, aprendizagem e experiência, mas sobretudo criar um ponto de viragem, que cada pessoa saia do Auditório Taguspark com mais clareza, uma decisão assumida e uma primeira ação concreta. Não prometemos mudar a vida de ninguém num dia, isso e marketing não é mudança. Criamos as condições para que cada pessoa deixe de entregar ao tempo, ao medo ou aos outros a responsabilidade pela mudança que lhe pertence. A frase que resume o evento é simples, a mudança começa quando a decisão deixa de ser uma intenção e passa a ser um compromisso. Uma decisão muda tudo, com uma ação sustentada.

O programa reúne perfis de diferentes áreas, entre os quais Alexandre Monteiro, Paulo Moreira, Agatha Arêas, Jéssica França, Maria Falcão, Sofia Castro Fernandes, Fábio Borges, Tânia Tomé e Pedro Ramos, além de momentos culturais e de debate. Que outros nomes estarão presentes, que critérios estiveram na escolha dos participantes e que complementaridade procurou construir entre os diferentes percursos e temas?

O palco foi pensado como um encontro de perspetivas, não como uma sucessão de discursos semelhantes. Além dos nomes referidos, teremos a participação de Linda Pereira, num momento particularmente desafiante, a dinâmica da cadeira vazia, e a presença de convidados e embaixadores ligados à liderança, ao empreendedorismo, à comunicação e ao impacto social. O programa integra ainda a soprano Bárbara Barradas e momentos de dança com a LMKDance de Odivelas, porque acredito que a transformação não acontece apenas através da razão. A música, o movimento e a emoção também abrem espaço para novas decisões. A presença de Tânia Tomé tem, para mim, um significado muito especial. Para além do seu percurso e da sua autoridade, representa a força da lusofonia e a possibilidade de criarmos pontes entre pessoas, organizações e mercados que partilham a língua portuguesa, mas transportam experiências e realidades muito diferentes. A Faz a Tua Mudança tem uma visão que ultrapassa fronteiras, com especial atenção a Angola e Moçambique, Cabo Verde e Brasil. Quero que o “EU DECIDO” seja também um espaço de aproximação entre Portugal e os países lusófonos, onde o conhecimento circule nos dois sentidos, com uma mudança real, efetiva e sustentável.

Adriana Carneiro Nunes de Almeida é a responsável pelo evento “EU DECIDO | FAZ A TUA MUDANÇA 2026”. Foto: divulgação/acervo pessoal

Não se trata apenas de levar projetos para fora, trata-se de ouvir, aprender e construir em conjunto. A escolha não foi feita apenas com base na notoriedade. Procurei pessoas com experiência real, coerência entre o que defendem e o que fazem, capacidade de comunicar e percursos distintos. Há especialistas em comportamento humano, liderança, comunicação, inteligência emocional, resiliência, tecnologia e inteligência artificial, mas também empresários, jovens e pessoas com histórias de vida que dão substância aos temas. A complementaridade está precisamente aí, pois nenhuma mudança séria se constrói a partir de uma única visão. Quero que o participante seja confrontado, inspirado e, em alguns momentos, até desconfortado. Um bom evento não deve apenas confirmar aquilo que já pensamos, deve obrigar-nos a fazer perguntas melhores.

Um dos momentos do evento será o painel ‘EU DECIDO NextGen’, dedicado à juventude e a temas como liderança, futuro, escolhas e responsabilidade. Porque considerou importante colocar uma nova geração no centro desta discussão e que respostas espera ouvir destes jovens sobre os desafios que enfrentam atualmente?

Falamos demasiado sobre os jovens e ainda os ouvimos pouco. Dizemos que são o futuro, mas muitas vezes construímos esse futuro sem lhes dar verdadeiro espaço de participação. O “NextGen” nasce para corrigir essa incoerência, não quero jovens no evento como elemento decorativo ou como destinatários de conselhos. Quero-os no centro da conversa, com voz própria, pensamento crítico e liberdade para questionarem as gerações que os antecederam. Esta geração vive desafios muito particulares, a pressão para ter tudo decidido demasiado cedo, comparação constante nas redes sociais, ansiedade, incerteza profissional, novas formas de trabalho e uma relação com a tecnologia que traz enormes oportunidades, mas também riscos. Ao mesmo tempo, tem uma consciência muito forte sobre propósito, diversidade, sustentabilidade e saúde mental. Não espero respostas perfeitas. Espero verdade. Quero perceber o que estes jovens pedem às empresas, aos líderes, às famílias e à sociedade, mas também que responsabilidade estão dispostos a assumir. Dar-lhes voz não é apenas falar do futuro. É melhorar as decisões que tomamos no presente.

Comunicação, liderança, inteligência emocional, empatia, resiliência e inteligência artificial aparecem entre os eixos do programa. Porque considera que estas áreas devem hoje ser trabalhadas de forma integrada quando se fala de desenvolvimento pessoal, carreira, empresas e capacidade de adaptação à mudança?

Porque, no mundo real, estas competências não funcionam em gavetas separadas. Um líder pode dominar a estratégia e falhar porque não sabe comunicar. Pode conhecer ferramentas de inteligência artificial e não conseguir mobilizar pessoas. Pode exigir resiliência à equipa e ignorar o desgaste emocional que está a provocar. E pode falar de empatia sem ter coragem para tomar decisões difíceis. A tecnologia está a mudar a forma como trabalhamos, mas continua a ser a qualidade humana das decisões que determina o impacto. A inteligência artificial aumenta a velocidade e a capacidade de execução. A inteligência emocional, a ética, a empatia e o pensamento crítico ajudam-nos a decidir onde queremos chegar e que consequências estamos dispostos a assumir. Nas organizações, a mudança falha muitas vezes não porque a solução técnica seja fraca, mas porque as pessoas não compreendem o propósito, não confiam em quem conduz o processo ou não se sentem envolvidas. É por isso que defendo uma abordagem integrada, liderar a mudança exige competência, consciência e comunicação. Se faltar uma destas dimensões, até uma boa estratégia pode ficar apenas no papel.

A comunicação do ‘EU DECIDO’ sublinha que o encontro não pretende prometer uma transformação num único dia, mas criar condições para que cada participante saia com maior clareza, uma decisão e uma ação concreta. Como pretende transformar os conteúdos apresentados em ferramentas que possam ter continuidade na vida pessoal e profissional de quem estiver presente?

Tenho muita resistência ao discurso da transformação instantânea. Um evento pode emocionar, despertar e até mudar uma perspetiva, mas a transformação só se consolida quando existe ação repetida depois de o entusiasmo passar. Por isso, o “EU DECIDO” foi desenhado como uma experiência participativa, com exercícios, perguntas de reflexão e compromissos concretos, e não apenas como um conjunto de palestras. Um dos símbolos dessa passagem à ação será o quadro do compromisso. Cada participante será convidado a identificar aquilo que tem vindo a adiar e a definir uma ação para as 24 horas seguintes. É uma proposta simples, mas intencional, trocar o ‘um dia faço’ por ‘qual é o primeiro passo e quando o vou dar?’. Os conteúdos serão apresentados de forma prática e aplicável à vida pessoal e profissional. A intenção é que cada pessoa leve ferramentas, mas também critérios para continuar a decidir melhor. Clareza sem ação torna-se apenas consciência ou frustração. Ação sem clareza transforma-se em esforço disperso. Precisamos das duas.

Quando terminar o evento de 19 de setembro, que resultado gostaria de reconhecer nos participantes e também no próprio projeto? O ‘EU DECIDO’ foi pensado como uma iniciativa com continuidade, capaz de gerar novas edições, comunidades, projetos ou outras formas de acompanhamento depois deste encontro?

Gostaria de reconhecer um resultado muito concreto: pessoas que, nos dias seguintes, fizeram aquilo que há demasiado tempo diziam querer fazer. Pode ser iniciar uma conversa difícil, estabelecer um limite, apresentar uma proposta, mudar um comportamento, pedir ajuda ou assumir um novo projeto. O impacto não se mede apenas pelos aplausos no auditório. Mede-se pelas decisões que continuam vivas quando as luzes se apagam. No próprio projeto, quero consolidar o EU DECIDO como um encontro anual de referência sobre autoliderança, mudança e ação responsável. Existe uma visão de continuidade, através de novas edições, conteúdos, encontros e iniciativas de acompanhamento integradas no ecossistema “Faz a Tua Mudança”. Quero construir comunidade, mas uma comunidade com propósito, que não viva apenas de motivação momentânea. Há ainda uma dimensão de impacto social que considero essencial, 10% das receitas do evento revertem para a Casa Novo Mundo e para a Associação Semear Cabo Verde. Decidir também é escolher que impacto queremos deixar para além de nós.

Que outros projetos tem em mente ou em andamento?

Estou a desenvolver a “Academia Faz a Tua Mudança”, um ecossistema que reúne formação executiva, mentorias, palestras, o podcast EU DECIDO, Leadership Talks e experiências de desenvolvimento pessoal e profissional. A próxima edição do Treino Intensivo de PNL, ‘Da Consciência ao Resultado’, realiza-se de 23 a 25 de outubro e trabalha precisamente a passagem entre compreender padrões e produzir resultados sustentáveis. No mercado empresarial, estou a reforçar programas de autoliderança, comunicação, performance e gestão da mudança, dirigidos a líderes e equipas. Quero aprofundar o trabalho com empresas, universidades e organizações que compreendem que desenvolver pessoas não é um benefício acessório. É uma decisão estratégica. Estou também a trabalhar na expansão da marca para Angola e Moçambique, procurando criar parcerias locais e adaptar os conteúdos à realidade de cada mercado. Não quero exportar fórmulas. Quero construir pontes, ouvir o contexto e desenvolver projetos que façam sentido para as pessoas e para as organizações de cada país. O próximo capítulo da Faz a Tua Mudança será de crescimento, mas quero que seja, acima de tudo, um crescimento com coerência e impacto. Lidera a tua vida, antes que te liderem a ti.

Quem é Adriana Carneiro para além da organizadora e anfitriã deste evento? Como é que o seu percurso como mentora e coach de liderança, bem como o trabalho desenvolvido através do projeto ‘Faz a Tua Mudança’, conduziram à criação do ‘EU DECIDO’ e à definição deste conceito?

Sou uma mulher de 53 anos, mãe de dois filhos, viúva, antiga advogada e profissional com mais de duas décadas de experiência no setor bancário como Diretora de várias agências do Millenniumbcp. Passei também pela liderança operacional e pelo marketing, fui empresária da empresa do meu falecido marido de Marketing digital e publicidade a SmartKISS e Head Operations e Diretora Comercial de uma imobiliária e hoje trabalho como mentora, formadora, palestrante e executive coach nas áreas da liderança, comunicação e gestão da mudança. A minha formação em coaching e Programação Neurolinguística deu-me ferramentas, mas foi a vida que me ensinou muitas das lições que hoje levo para o palco. Conheci a instabilidade, a fome, o medo, a perda e a necessidade de recomeçar. Vivi períodos em que decidir não era uma frase inspiradora, era uma questão de sobrevivência. A doença e a morte do meu marido obrigaram-me a reconstruir a vida e a assumir responsabilidades num momento em que teria sido mais fácil parar. Não conto esta história para provocar pena. Conto-a porque explica a origem da minha convicção, não controlamos tudo o que nos acontece, mas podemos recuperar o poder sobre a resposta que damos. Como digo, já perdi tudo várias vezes e já revoe céu várias vezes, mas quem nos define somos nós e não o passado. A “Faz a Tua Mudança” nasceu dessa experiência e do trabalho que fui desenvolvendo com pessoas e organizações. O “EU DECIDO” é a materialização pública dessa missão. Não é um evento criado à volta da minha pessoa. É um espaço onde diferentes vozes ajudam cada participante a reencontrar a sua própria capacidade de escolha. No fundo, tudo converge numa ideia, a liderança começa em autoliderança. ■

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