“O resultado que eu busco em Portugal é exatamente esse: que a comunidade se expanda e semeie frutos”

Após iniciar agenda em solo luso, no final de abril, em Lisboa, Andrea Francomano, especialista em “Apometria Sistémica" e "Mesa Radiónica Acessus", divulga apresentações em Lisboa e no Porto, com formações e monólogo; terapeuta brasileira sustenta que “existe hoje uma banalização da espiritualidade que precisa ser questionada”

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Andrea Francomano, especialista em “Apometria Sistémica" e "Mesa Radiónica Acessus". Foto: Agência Incomparáveis
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A terapeuta brasileira Andrea Francomano iniciou a sua agenda em Portugal, marcada por uma sequência de atividades que incluem participação em congresso, apresentações públicas e formação técnica. A agenda arrancou a 18 de abril, em Lisboa, no âmbito do Congresso Internacional Metamorfose da Alma, realizado no Seminário Torre d’Aguilha, iniciativa organizada por Tati Pinheiro e centrada em práticas de desenvolvimento humano e autoconhecimento. Esta especialista, conhecida do público português e brasileiro, chega a Europa após uma série de compromissos profissionais no Brasil, onde conduziu a 13.ª turma do método “Apometria Sistémica”, com 115 participantes.

Em entrevista, Andrea Francomano enquadrou a presença em Portugal como um percurso estruturado, que articula “pensamento, experiência e formação”.

“A minha agenda em Portugal foi construída como um percurso, não como uma sequência de eventos isolados”, afirmou esta profissional, ao detalhar que a participação no congresso marcou o início de um conjunto de iniciativas destinadas a apresentar a base conceptual do seu trabalho e a promover reflexão sobre consciência e responsabilidade espiritual. A sua agenda inclui ainda o monólogo Voz às Consciências, com apresentações, em maio, no Porto e em Lisboa, bem como a formação de operadores da “Mesa Radiónica Acessus”.

A presença em território português insere-se, segundo a entrevistada, numa estratégia de continuidade e consolidação internacional do trabalho desenvolvido no Brasil.

“Portugal representa um ponto de maturidade para o trabalho”, referiu Andrea Francomano, ao sublinhar a exigência do público local e o papel do país como plataforma de ligação à Europa. A terapeuta destacou que o objetivo passa por “criar base e continuidade, através da formação de profissionais capacitados, numa lógica que ultrapassa a realização de eventos pontuais e aposta na construção de uma comunidade estruturada”.

Qual a sua agenda atualizada em Portugal?

A minha agenda em Portugal foi construída como um percurso, não como uma sequência de eventos isolados. No dia 18 de abril participei como palestrante no Congresso Metamorfose da Alma, um espaço onde levei a base conceitual do meu trabalho, apresentando a estrutura que sustenta a Apometria Sistêmica e provocando uma reflexão mais profunda sobre consciência, responsabilidade espiritual e os desvios que hoje fragilizam esse campo. No dia 3 de maio realizo o monólogo Voz às Consciências no Teatro Sá da Bandeira, no Porto, e, no dia 12 de maio, em Lisboa, no Teatro Bocage. Esse trabalho não é teatro convencional. É uma experiência onde eu dou voz a três consciências que representam arquétipos distintos da leitura da existência: Helena Blavatsky; Guardião Sr. Porteira; e Ancestral Vó Maria. Não há troca de cenário, não há apoio externo. É presença, voz e campo, um monólogo em três atos, três presenças que vão além da matéria, tocam onde apenas a Alma é capaz de sentir. E isso muda completamente a relação do público com o que está sendo vivido ali. Já nos dias 9 e 10 de maio, realizo a formação de operadores da “Mesa Radiónica Acessus” no Hotel Costa da Caparica. E aqui é importante deixar claro: não é um curso introdutório. É uma formação técnica completa. A “Mesa Acessus” é uma ferramenta de leitura e reorganização de campo, e eu formo pessoas para utilizarem isso com método, não com crença. Então, o que eu levo para Portugal é uma estrutura completa: pensamento, experiência e formação. Cada etapa cumpre uma função dentro de um mesmo processo.

Quais as suas expetativas em relação a cada um dos pontos dessa agenda?

Expetativas passivas deixaram de fazer parte de meu trabalho desde que assumi o meu propósito para com essa minha Existência. Cada ato, palavra e ação estão alinhadas ao meu propósito de ser ponte entre os mundos espiritual e material. Assim, não há expetativas, mas sim intenção clara: de expandir consciência sem dogmas. No congresso, o meu papel é tensionar o discurso. Existe hoje uma banalização da espiritualidade que precisa ser questionada. Se eu conseguir fazer as pessoas saírem pensando diferente do que entraram, já cumpri o objetivo. No monólogo, a intenção é outra. Ali não é sobre entendimento racional. É sobre experiência. Eu não espero concordância. Eu espero impacto. E na formação da “Mesa Acessus”, o objetivo é formar pessoas capazes. O mercado não precisa de mais gente “interessada em espiritualidade”. Precisa de gente preparada para atuar com responsabilidade. Cada ponto da agenda não é um fim em si mesmo. É parte de uma construção maior.

Por que Portugal é um cenário importante para os seus projetos além do Brasil?

Portugal representa um ponto de maturidade para o trabalho. Não é um público que responde facilmente a estímulos emocionais. É um público mais crítico, mais observador, que exige consistência. E isso é extremamente positivo. Porque obriga-me a levar o trabalho no seu nível mais estruturado. Não há espaço para superficialidade. Além disso, existe uma comunidade luso-brasileira que já acompanha o meu trabalho há algum tempo. Essa ida não é uma expansão oportunista. É uma continuidade natural de algo que já está sendo construído. E há também um fator estratégico. Portugal é uma porta de entrada para um diálogo mais amplo com a Europa. Mas eu não tenho interesse em crescer geograficamente sem crescer em consistência. A expansão precisa ser sustentada.

Andrea Francomano. Foto: Agência Incomparáveis

Que agenda tem mantido no Brasil recentemente?

O Brasil continua sendo um campo de desenvolvimento intenso. Estamos com a formação em “Apometria Sistémica 2026” em andamento, com 115 alunos num processo ativo de prática supervisionada. Isso é um ponto central do meu trabalho. Não formo pessoas só na teoria. Elas atendem, são atendidas, são supervisionadas. E isso acelera o desenvolvimento de forma muito mais consistente. Uma Comunidade ativa, estruturante e estruturada para o desenvolvimento de todos. Mantemos também uma agenda estruturada de atendimentos com a “Terapia Psíquica Espiritual”, que organiza o processo em etapas e permite aceder as causas dos conflitos, não apenas os efeitos. E existe um movimento importante de expansão de conteúdo através dos podcasts. Tenho participado de diferentes programas, como “Filhos do Todo” e “Consciência Próspera”, levando esse debate para um espaço onde ainda é possível aprofundar sem simplificar demais. O que eu construo no Brasil não é pontual. É base. E é essa base que permite qualquer movimento fora dele.

O que o público em Portugal pode esperar das suas apresentações?

Pode esperar ser impactado de verdade. O meu conteúdo levado para Portugal não é para ser consumido. Eu levo um trabalho para ser vivido. Na palestra, eu apresento a estrutura que sustenta a “Apometria Sistémica”, que é o método que desenvolvi ao longo dos anos. Não é uma técnica isolada. É uma tecnologia metafisica/espiritual e arquitetura de pensamento e atuação que integra leitura de campo, relações sistémicas, organização energética e responsabilidade espiritual. Eu mostro como padrões se formam, como se mantêm e, principalmente, como podem ser reorganizados. Não é teoria abstrata. É compreensão aplicada. No monólogo “Voz às Consciências”, o impacto vem por outro caminho. Ali não é sobre aprender. É sobre se ver. A pessoa entra como espetadora e, em algum momento, percebe que está sendo atravessada por aquilo que está em cena. As consciências que se manifestam não estão ali para entreter. Estão para revelar. E isso, muitas vezes, emociona, desconcerta, reorganiza. Na formação da “Mesa Radiónica Acessus”, o que eu entrego é capacidade. A pessoa sai com ferramenta, com método e com um novo nível de perceção. No fundo, o que o público pode esperar é sair diferente do que entrou. Com mais consciência, mais responsabilidade e, principalmente, com menos ilusão sobre si mesmo.

Que resultados espera?

Ao longo da minha trajetória, já formei centenas de alunos, e hoje temos uma comunidade ativa, consistente, que não depende de mim para existir, mas que se fortalece a partir de uma base comum de conhecimento, prática e responsabilidade.
Portanto, eu não trabalho com resultados consistentes! Essa comunidade é um dos maiores resultados do meu trabalho. Porque ali não se forma apenas aluno. Se forma profissional. Pessoas que chegaram inseguras, muitas já terapeutas, mas sem conseguir se posicionar, sem conseguir atrair clientes, sem confiança na própria atuação. E que hoje estão atendendo, abrindo mercado, se mostrando, sustentando o próprio trabalho com consistência. Isso não acontece por motivação. Acontece por estrutura, prática supervisionada e pertencimento a um campo que exige crescimento. Nós temos alunos que assumiram funções dentro da própria comunidade, liderando grupos, organizando práticas, aprofundando estudos. Isso gera autonomia real. E esse movimento começa a atravessar fronteiras. Porque quando você forma pessoas preparadas, você não expande só o seu nome. Você expande um trabalho. E hoje já temos atuação que não se limita mais ao Brasil. O resultado que eu busco em Portugal é exatamente esse: formar base, gerar continuidade e permitir que esse trabalho se sustente por meio de pessoas capacitadas, não de eventos pontuais. Que a comunidade se expanda e semeie frutos aqui em Portugal.

De que forma o seu trabalho pode ajudar o público num momento de grandes desafios globais?

O mundo vive hoje uma crise que não é apenas económica, política ou social. É uma crise de sentido. As pessoas estão cansadas, ansiosas, sobrecarregadas de informação e, ao mesmo tempo, desconectadas de si mesmas. E o que se apresenta muitas vezes como solução é raso. Ou é excesso de racionalização, que ignora completamente o campo emocional e espiritual, ou é uma espiritualidade sem estrutura, que convida à fuga em vez de promover consciência. Nenhum dos dois resolve. O que eu desenvolvo é um trabalho que integra. Ciência, no sentido de método, observação, repetição, estrutura.
E espiritualidade, no sentido de compreensão do campo invisível que influencia escolhas, emoções e padrões. A terapia integrativa, quando bem conduzida, permite aceder causas. E isso muda tudo. Porque a maior parte das pessoas tenta resolver efeito.
Mas o efeito sempre volta se a causa permanece. Quando você atua na causa, você altera o futuro. E isso não é discurso bonito. É prática. Nós vemos isso dentro da comunidade. Pessoas que chegam sem direção, presas em padrões emocionais repetitivos, e que ao longo do processo começam a reorganizar a própria vida, relações, carreira. E mais do que isso. Começam a ajudar outras pessoas a fazer o mesmo. Isso cria um efeito em cadeia. Num mundo que caminha para cenários cada vez mais instáveis, formar pessoas com consciência, capacidade de leitura e responsabilidade interna deixa de ser um luxo. Passa a ser necessário. Porque sem isso, qualquer crise externa se torna insustentável internamente. O meu trabalho não promete uma vida sem problemas. Ele prepara a pessoa para lidar com a realidade com mais lucidez, mais estabilidade e mais consciência das próprias escolhas. E isso, hoje, já é uma mudança de futuro.

Andrea Francomano. Foto: Agência Incomparáveis

Como avalia o público português que já atende à distância?

É um público mais consciente no sentido de escolha. Não é impulsivo. Não entra por curiosidade. Observa, analisa, testa. E isso muda completamente a qualidade da relação com o trabalho. Ao mesmo tempo, existe uma busca real por profundidade. Não é só por solução rápida, como muitas vezes acontece em outros contextos. O público português tende a se comprometer mais quando reconhece consistência. E isso gera processos mais sólidos. Eu percebo também uma abertura crescente para integrar espiritualidade com estrutura. Não como crença, mas como campo de estudo e aplicação. E isso cria um terreno muito interessante. Porque não se trata de convencer.
Trata-se de sustentar. E quando o trabalho se sustenta, esse público responde. ■

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