Ouvem-se muitas teorias em relação à nova realidade que se vai apresentar com nova proximidade comercial entre o Brasil e o mercado europeu.
Na minha opinião, como tenho relatado nas minhas colunas de perspectiva pessoal, as teorias mais pessimistas fazem-me recordar a personagem de Camões, “O Velho do Restelo”, onde a sua perspectiva de lamentação, não observava a quebra de “fronteiras” e de limites que se exasperava na época.
A ideia de uma competitividade saudável entre produtores, os quais irão poder elaborar ideias e formas de produção para atrair novos consumidores, é, de longe, uma imagem, que, para nós consumidores, apreciadores e formadores de opinião, uma interessante vantagem, com novos Blends e Uvas autóctones, uma vez descartadas, a tomarem evidência.
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia reduz gradualmente a taxa de importação para os vinhos europeus, que era de 27%.
As tarifas irão começar a decrescer, com expectativa de zerar completamente até 2034, e, com isso, deve baratear os rótulos europeus e acirrar a concorrência no mercado brasileiro.
Os impactos e desafios no mercado para o consumidor, serão, entre elas, a expectativa de que rótulos europeus fiquem mais acessíveis a médio prazo, ampliando a variedade de opções de vinhos importados disponíveis no Brasil.
Para os produtores nacionais brasileiros, iremos observar as vinícolas nacionais, especialmente as gaúchas, a manifestarem preocupação com a forte concorrência.
No entanto, temos observado que o setor tem buscado melhorar o custo de produção e focar em qualidade para se manter competitivo.
Assim sendo, deixemos o “Velho do Restelo” elaborar as suas ideias com a evolução de novos conceitos, e que observe a amplitude de “cultura” que se irá desenvolver gradualmente entre dois continentes com um potencial enorme de “Assemblage”.
Decantem-se! ■
João Carlos Farrapa
Petit Sommelier, empresário, apresentador do programa “Uvas e Personalidades”
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