
O Presidente da República portuguesa, António José Seguro, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, apelaram ao regresso de emigrantes e lusodescendentes durante a cerimónia com a comunidade portuguesa no Luxemburgo, que marcou o arranque das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Perante centenas de portugueses, Seguro afirmou que Portugal é hoje um país moderno “que quer de volta os seus”, sublinhando que, além de ser “extraordinário para se viver”, deve também ser “extraordinário para se trabalhar”.
Luís Montenegro destacou o “potencial de desenvolvimento” do país e afirmou que Portugal precisa da participação dos portugueses residentes no estrangeiro, quer permaneçam nos países de acolhimento, quer decidam regressar.
“Portugal precisa de todos vós e nós contamos muito convosco para o nosso futuro”, afirmou o chefe do Governo, ao defender uma ligação mais próxima entre o Estado português e as comunidades. O primeiro-ministro reconheceu ainda que “muito há ainda a cultivar e a fazer” para reforçar essa proximidade.
António José Seguro valorizou a tradição de celebrar o 10 de Junho junto das comunidades portuguesas no estrangeiro e explicou que o Luxemburgo foi a sua “primeira opção” para assinalar a data. O chefe de Estado afirmou que a cerimónia representava “um abraço de Portugal aos seus”, dirigido aos portugueses que vivem e trabalham fora do país. Seguro destacou também a língua portuguesa como “o elo mais profundo” entre Portugal e a diáspora, defendendo que o Estado deve garantir uma rede que permita aos filhos dos emigrantes continuar a aprender português.
Os dois responsáveis saudaram ainda a recente eleição de Portugal para o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não permanente e elogiaram a evolução do país nas últimas décadas. Seguro referiu-se a Portugal como um país “moderno, aberto ao mundo” e marcado pelo contributo da diáspora. Montenegro, por sua vez, salientou a localização geoestratégica, a capacidade de trabalho, a ciência, a inovação e a criatividade como activos nacionais num contexto internacional marcado por mudanças geopolíticas.
As declarações no Luxemburgo tiveram também leitura política em Portugal. O secretário-geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, afirmou em Ponta Delgada, Açores, que o apelo de Seguro e Montenegro constituiu uma “homenagem” ao Programa Regressar, que disse ter ajudado a criar enquanto secretário de Estado das Comunidades Portuguesas. Segundo o líder socialista, o programa já contribuiu para o regresso de cerca de 40 mil portugueses e deve ser entendido como parte de uma estratégia mais ampla de valorização da diáspora.
As comemorações do 10 de Junho prosseguiram na ilha Terceira, nos Açores. ■
Agência Incomparáveis, com Lusa




