A primeira onda de calor do verão europeu de 2026 está a provocar temperaturas recorde em vários países e voltou a colocar as alterações climáticas no centro do debate. Segundo a revista científica Nature, foram registados valores históricos no norte de Espanha, em França, no Reino Unido, na Alemanha, na Polónia, na Dinamarca, na Lituânia, na Letónia e na Suécia, com temperaturas muito acima da média para a época.
De acordo com o professor Vasco Mantas, diretor do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, o fenómeno resulta de um bloqueio atmosférico conhecido como Omega Block, associado a uma “cúpula de calor” que permaneceu sobre a Europa Ocidental. Esta situação permitiu a entrada de massas de ar quente provenientes do Norte de África, agravando as temperaturas.

Os especialistas alertam que estes episódios estão a tornar-se mais frequentes e intensos. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) considera esta uma das ondas de calor mais severas alguma vez registadas na Europa. Em França, a cidade de Palluau atingiu 43,8 ºC, enquanto o sul da Europa e os Balcãs enfrentam condições extremas.
Além do impacto na saúde pública, o calor extremo está a pressionar os sistemas de saúde, o turismo e as infraestruturas urbanas. Crianças, idosos, pessoas em situação de sem-abrigo e doentes cardiovasculares encontram-se entre os grupos mais vulneráveis, sobretudo devido à persistência de temperaturas elevadas durante a noite.
Para os especialistas, as cidades europeias continuam pouco preparadas para responder a fenómenos desta natureza. Defendem o reforço das áreas verdes, a adaptação dos edifícios, a revisão das condições de trabalho em períodos de calor intenso e a implementação de estratégias que permitam reduzir os riscos para a população, numa realidade cada vez mais marcada pelas alterações climáticas. ■
Agência Incomparáveis, com Agência Brasil





