
O conselheiro das Comunidades Portuguesas eleito pelo círculo do Reino Unido, António Cunha, considera que o Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) atravessa “um dos períodos mais positivos da sua história”, defendendo simultaneamente uma maior aproximação entre Portugal e a sua diáspora, através de políticas públicas que incentivem o regresso dos emigrantes, valorizem o seu contributo económico e reforcem a ligação das novas gerações ao país.
As declarações foram prestadas à Agência Incomparáveis no âmbito da cerimónia comemorativa dos 45 anos do CCP, realizada, no dia 29 de junho, no Palácio das Necessidades, em Lisboa, onde atuais e antigos responsáveis governativos, deputados e conselheiros refletiram sobre o percurso da instituição e os desafios futuros das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
Com mais de duas décadas de experiência enquanto conselheiro das Comunidades Portuguesas pelo Reino Unido, António Cunha considera que a instituição registou uma evolução muito significativa, sobretudo na última década, muito diferente daquela que conheceu quando iniciou funções, destacando a sua independência partidária e a capacidade de representar todos os portugueses residentes no estrangeiro.
“Há cerca de mais de 20 anos que sou conselheiro da Comunidade Portuguesa no Reino Unido e quando comecei não era nada fácil. Tenho que deixar muito bem claro que nos últimos dez anos mudou radicalmente para bem. O Conselho está na direção certa, não é partidário, que é a coisa melhor que existe”, realçou.
“Portanto, o Conselho Permanente do CCP e os conselheiros não são partidários. Convidam todos os partidos com assento parlamentar, ouvem as ideias deles, muitas das vezes sem estar de acordo e discutem, mas tentam sempre fazer o melhor para as comunidades lá fora, sejam elas de onde forem, porque há portugueses que nunca vieram a Portugal, há portugueses que não falam português e há portugueses que são portugueses por causa dos pais e da ligação que têm às famílias”, explicou.
“O Conselho está sempre num caminho certo, está sempre a desenvolver-se e está sempre a lutar”, enfatizou.
Na sua perspetiva, um dos principais desafios atuais passa por criar melhores condições para os emigrantes que pretendem regressar a Portugal, criticando o atual regime fiscal aplicado às reformas obtidas no estrangeiro e defendendo novas soluções para facilitar o investimento das comunidades no país.
“Nós, em Londres, temos grandes empresas de investimento e isso é uma coisa importante a fazer. Há pessoas que viveram lá fora, têm uma reforma de 1.200, 1.500 ou 2.000 euros e chegam a Portugal e retiram-lhes 50%. Isto é ridículo. Tiveram que emigrar, trabalharam lá fora, pagaram os impostos e, para trazer as coisas deles, ainda é preciso trazer documentos para legalizar tudo, coisa que não se vê em lado nenhum”, criticou.
Este conselheiro aproveitou para elogiar a liderança do atual presidente do Conselho Permanente do CCP, Flávio Martins, considerando que tem conseguido promover um ambiente de maior coesão entre os conselheiros e uma atuação independente das diferenças partidárias.
“Tenho de dizer um nome: Flávio Martins. Apoio o trabalho dele enquanto presidente, incondicionalmente”, elogiou.
António Cunha rejeitou ainda as críticas de falta de transparência dirigidas ao Conselho Permanente, assegurando que toda a informação é regularmente distribuída aos conselheiros e que qualquer conselheiro eleito pode acompanhar as reuniões.
“Dizem que o Conselho Permanente não passa informação, mas isso não é verdade. As atas são feitas e enviadas para todos os conselheiros. Qualquer conselheiro, em qualquer parte do mundo, pode aceitar reunir-se nas reuniões do Conselho Permanente. Não tem direito a voto, mas pode acompanhar. As pessoas é que muitas vezes não leem as atas”, esclareceu.
Relativamente à comunidade portuguesa residente no Reino Unido, António Cunha nota que esta registou uma evolução “muito positiva” nas últimas décadas, valorizando a crescente presença de portugueses altamente qualificados em diversos setores da sociedade britânica.
Ainda assim, entende que existe margem para aprofundar a ligação entre essas comunidades e Portugal, referindo iniciativas que aproximem os lusodescendentes das instituições portuguesas e apelando a uma maior mobilização das novas gerações.
“A comunidade portuguesa no Reino Unido melhorou muito. Há portugueses na saúde, na engenharia, em grandes empresas da economia. Mas temos de olhar para a frente e melhorar cada vez mais. Quando houve o ‘Portugal Nação Global’, porque é que não convidaram as empresas portuguesas do Reino Unido? Porque é que não passamos a mensagem a todos os portugueses que estão lá fora para incentivarem os filhos a abrirem contas bancárias em bancos portugueses? Eu faço isso com os meus filhos e com os meus netos. É uma forma de interagir”, finalizou António Cunha. ■






