Covilhã: PSD propõe plano preventivo para utilização de trotinetas elétricas e defende estratégia local para reforçar a segurança

Sociais-democratas consideram que o crescimento da micromobilidade exige uma resposta organizada das entidades públicas, defendendo medidas preventivas que conciliem os benefícios das trotinetas elétricas com a segurança rodoviária, a mobilidade pedonal e uma melhor gestão do espaço urbano

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PSD reconhece necessidade de adaptar utilização de trotinetas elétricas às características da cidade da Covilhã. Foto: Agência Incomparáveis
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Os deputados João Morgado e Ana Calmão, do Grupo do Partido Social Democrata (PSD) na Assembleia da União de Freguesias da Covilhã e Canhoso, apresentaram, a 30 de junho, uma declaração política acompanhada de uma recomendação onde defendem a adoção de um plano preventivo para a utilização de trotinetas elétricas na cidade, propondo um conjunto de medidas concretas dirigidas à União de Freguesias, à PSP da Covilhã e à Câmara Municipal.

No documento, o PSD reconhece que as trotinetas elétricas representam uma solução útil para deslocações curtas numa cidade “marcada por declives acentuados”, sobretudo “num contexto em que alguns elevadores e funiculares têm conhecido períodos alargados de paragem”. Os sociais-democratas recordam também que a Transdev disponibiliza atualmente cerca de 200 trotinetas elétricas na Covilhã.

Apesar de reconhecerem essa utilidade, os eleitos alertam para os riscos associados à utilização destes veículos. Citando dados da Guarda Nacional Republicana (GNR), os responsáveis recordam que, em Portugal, foram registados “mais de 1.900 acidentes nos últimos sete anos”, dos quais resultaram “10 vítimas mortais, 88 feridos graves e 1.442 feridos leves”, considerando que estes números “não devem servir para alarmismo, mas devem servir para responsabilidade”.

Segundo o PSD, a realidade da Covilhã agrava esses riscos devido às características da cidade, apontando para “descidas rápidas, cruzamentos apertados, passeios estreitos, zonas de fraca visibilidade e fraca iluminação pública”, bem como para a circulação frequente de jovens “muitas vezes sem capacete, sem elementos refletores e, nalguns casos, sem a necessária perceção do risco que correm na estrada”.

Neste sentido, os proponentes defendem que a intervenção política deve ocorrer antes da ocorrência de acidentes graves. “A política local também serve para isto: não apenas para reagir, mas também para antever e prevenir”, afirmam.

Na recomendação apresentada, o PSD propõe que a União de Freguesias assuma um papel ativo na discussão da micromobilidade e avance com cinco medidas concretas.

A primeira consiste na realização de um levantamento dos principais pontos críticos de circulação e estacionamento de trotinetas na cidade, permitindo identificar os locais onde os conflitos entre veículos e peões são mais frequentes.

Em segundo lugar, os sociais-democratas defendem que seja solicitada uma reunião de trabalho com a PSP da Covilhã, envolvendo, sempre que possível, representantes dos grupos com assento na Assembleia de Freguesia, para avaliar preventivamente a evolução deste fenómeno.

A terceira proposta passa pelo estudo da criação ou reforço de zonas próprias de estacionamento obrigatório para trotinetas, devidamente sinalizadas, evitando que estes veículos permaneçam abandonados em passeios, paragens de transportes públicos ou junto de edifícios públicos, prejudicando particularmente idosos, pessoas com mobilidade reduzida, invisuais e utilizadores de carrinhos de bebé.

O PSD recomenda ainda que a União de Freguesias apresente à Câmara Municipal uma estratégia integrada para a micromobilidade, contemplando sinalização específica, campanhas de sensibilização e mecanismos simples que permitam denunciar trotinetas mal-estacionadas. Os eleitos sugerem igualmente que “as famosas ciclovias que para nada servem sejam reajustadas a esta nova realidade das trotinetas”.

Por último, o documento propõe que, em articulação com a PSP, sejam promovidas ações pedagógicas junto das escolas, da Universidade da Beira Interior e das zonas de maior concentração juvenil, defendendo que “a prevenção começa antes da multa e antes do acidente”.

Os sociais-democratas sublinham que a intenção não passa por restringir este meio de transporte, mas antes garantir uma utilização mais segura e organizada. 

“O PSD não quer proibir por impulso, nem atacar soluções modernas de mobilidade. Pelo contrário: queremos que funcionem melhor, que sirvam a cidade e que não criem obstáculos onde já existem tantos”, concluem.

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