
A comunidade portuguesa consolidou a sua presença no setor de restauração do Rio de Janeiro ao longo do século XX, com negócios familiares que contribuíram para a economia urbana, como confirma o empresário luso Domingos Cunha, responsável pelo Bar Glória, localizado no centro da cidade.
Cunha chegou ao Brasil em 1964, aos 14 anos, vindo de Póvoa de Lanhoso, região do Minho, em Portugal, e iniciou a sua trajetória profissional no comércio local. O estabelecimento que hoje administra faz parte de um movimento de imigrantes que ingressaram precocemente no mercado de trabalho e avançaram até a gestão de negócios próprios.
Segundo este entrevistado, o centro do Rio é “um museu a céu aberto, mas com alma viva” e um “território de redescoberta”. O Bar Glória, fundado em 1945, atua como unidade económica que gera emprego e compõe cadeias de abastecimento.
A presença portuguesa no setor destacou-se pela “continuidade das atividades ao longo das gerações e pela organização empresarial baseada na gestão familiar”.
Esses estabelecimentos também ampliam a diversidade gastronómica e promovem a integração cultural entre tradições portuguesas e hábitos brasileiros.
Para Cunha, “o verdadeiro luxo do Rio de Janeiro está em poder sentar-se, olhar à volta e perceber que a beleza não está nas vitrinas, mas nas esquinas”. ■



