Brasil: “Espaço Cordel e Repente” leva literatura popular à 28ª Bienal do Livro de São Paulo

Coordenado por Lucinda Marques, diretora-presidente da Editora IMEPH, espaço reúne cordelistas, repentistas, escritores e artistas e destaca a força da cultura popular brasileira na maior cidade da América Latina

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Lucinda Marques, coordenadora do “Espaço Cordel e Repente” e diretora-presidente da Editora IMEPH. Foto: divulgação
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A literatura de cordel, o repente, a xilogravura e outras expressões da cultura popular brasileira ganharão espaço de destaque na 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi, Brasil.

Integrado aos 11 espaços temáticos do evento, o “Espaço Cordel e Repente” reunirá autores, artistas e pesquisadores em uma programação que inclui lançamentos, declamações, oficinas, contação de histórias, música, teatro de bonecos e encontros com escritores.

A programação é coordenada por Lucinda Marques, diretora-presidente da Editora IMEPH. À frente do espaço desde 2016, esta empresária e gestora cultural chega à quinta edição do projeto levando para a Bienal representantes de diferentes regiões do Brasil e fortalecendo a presença da literatura popular no principal evento literário do país.

Mais do que apresentar livros, o espaço cria oportunidades para que autores e artistas populares ampliem a circulação das suas obras e estabeleçam contacto direto com leitores e profissionais do mercado editorial. A programação valoriza tanto novos talentos quanto nomes consagrados, reafirmando o cordel como “uma manifestação cultural viva, contemporânea e capaz de dialogar com diferentes gerações”.

Para a coordenadora, a criação de um espaço dedicado ao cordel e ao repente representa também o “reconhecimento da importância dessas manifestações dentro do cenário literário nacional”. A iniciativa amplia a visibilidade dos artistas, aproxima diferentes públicos e contribui para a preservação e renovação da cultura popular brasileira.

Destaque para cultura nordestina

A programação começa no dia 4 de setembro, com abertura conduzida por Lucinda Marques e convidados, seguida de apresentação de Chambinho do Acordeon. Ao longo dos dez dias, o público poderá acompanhar lançamentos, declamações, contações de histórias, apresentações musicais, encontros literários e espetáculos de repente.

Entre os destaques está o lançamento de “70 Anos Grande Sertão: Veredas”, de João Gomes Sá, além da participação de nomes como Moreira de Acopiara, Daniel Yehudi, Tião Simpatia, Manoel Cavalcante, Mariane Bigio, Paulo de Tarso, Maciel Melo, Socorro Lira, Cacá Lopes, Del Feliz e Pedro do Cordel, entre outros representantes da literatura e da música popular.

Música dá tom ao espaço

O “Espaço Cordel e Repente” terá ainda, dia 10 de setembro, quinta-feira, das 18h às 19h, um pocket show de Mayana Neiva, sob o tema “TÁ TUDO AQUI DENTRO”. Mayana Neiva é uma multiartista brasileira nascida em Campina Grande, Paraíba, atua como atriz, cantora, escritora e diretora. A sua trajetória académica e artística inclui formação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e estudos de drama na Universidade de São Francisco, na Califórnia. É autora do livro infantil “Sofia”, publicado em 2011. Foi Miss Paraíba em 2003 e ficou conhecida nacionalmente por interpretar a modelo “Desireé”, em “Ti Ti Ti”, “Maria do Amparo”, em “Amor Eterno Amor”, “Leandra”, em “O Outro Lado do Paraíso”, e a delegada “Carolina Ramalho”, na série “Rotas do Ódio”.

A xilogravura, uma das linguagens mais tradicionais ligadas ao cordel, também terá presença marcante. A programação inclui a oficina “A Arte da Xilogravura”, com Nireuda Longobardi, além de encontros sobre a formação do xilogravurista e atividades dedicadas à obra de J. Borges.

Foto: divulgação

Literatura, memória, inclusão e identidade também estarão entre os temas abordados. O público poderá acompanhar discussões como “Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel”, apresentada por Alberto Perdigão, e “Toda cicatriz tem uma história para contar”, com Pollyana Gama e Camila Castro. O Coletivo Teodoras do Cordel apresentará ainda o espetáculo “Minha voz ecoa o grito da minha ancestralidade”.

Novas vozes e formação de leitores

A formação de leitores terá espaço especial na programação, com a participação de crianças e adolescentes entre os autores convidados. As atividades infantis e as sessões de contação de histórias contarão com nomes como Amélia Albuquerque, Andrea de Sousa, Erica Montenegro, Mariane Bigio e Lu Chamusca.

Autores publicados pela Editora IMEPH estarão entre os participantes, ao lado de escritores e artistas ligados a outros selos e projetos literários. A diversidade de convidados, segundo a organização do espaço, “amplia o diálogo entre diferentes gerações e linguagens, reunindo literatura, oralidade, música, ilustração e memória”.

As atividades encerram-se no dia 13 de setembro, com contação de histórias, o encontro “Afinal, o que é cordel?”, conduzido por Daniel Yehudi, e apresentações artísticas. As declamações estarão presentes diariamente, mantendo viva a tradição da palavra falada e sua conexão com a música e a literatura.

Com 86 mil metros quadrados, 269 expositores, cerca de 350 autores nacionais e internacionais e 3.450 horas de programação, a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece de 4 a 13 de setembro, estima receber mais de 700 mil visitantes.

“Nesse cenário, o “Espaço Cordel e Repente” chega para reafirmar a força da cultura popular e ampliar o lugar do cordel na cena literária contemporânea”, finalizou Lucinda Marques.

Saiba mais sobre o evento em: https://www.bienaldolivrosp.com.br/pt-br.html

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