Câmara Portuguesa de Minas Gerais apresenta programação do “Jantar dos 7” com atos gastronómicos em Ouro Preto

“À Mesa da Independência” propõe uma experiência que cruza gastronomia, história e património luso-brasileiro, com sete chefs, sete vinhos, duas distinções honoríficas e um leilão silencioso de carácter beneficente

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Foto: divulgação
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A Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais (CPCBMG) promove, no próximo dia 7 de setembro, às 19 horas, a 5.ª edição do “Jantar dos 7 – À Mesa da Independência”, no Palácio D’Ouro, em Ouro Preto (MG), numa programação que combina gastronomia, memória histórica, património e solidariedade. A noite será organizada em sete atos gastronómicos, com sete chefs e sete vinhos, incluindo ainda um leilão silencioso beneficente e a outorga de duas distinções honoríficas.

A escolha do Dia da Independência do Brasil como data do jantar estabelece o enquadramento da iniciativa, que procura explorar, através da gastronomia, diferentes referências da história luso-brasileira. O percurso concebido para a noite parte dos sabores de Minas Gerais e de Portugal e acompanha, sucessivamente, o ouro das Gerais, os caminhos coloniais, a mesa dos barões, a relação entre Reino e Colónia, a presença da Corte nos trópicos, a Independência e o legado desse percurso histórico.

A programação foi concebida sob a curadoria gastronómica de David Faria, assessor da Presidência para Atividades Culturais, Patrimoniais e Institucionais da CPCBMG. O responsável estruturou o menu em sete momentos, entregando cada ato a um chef e associando-lhe uma proposta vínica específica, de forma a criar uma narrativa gastronómica articulada com o tema da noite.

Receção e leilão silencioso abrem a programação

A programação começa às 17h45, com a receção dos convidados na esplanada do Palácio D’Ouro, onde será servido um espumante de boas-vindas.

Às 18 horas, os convidados terão acesso a um leilão silencioso de carácter beneficente. Entre os itens previstos encontram-se estadias em hotéis Vila Galé, garrafas raras de vinho, joias, obras de arte e tratamentos de beleza.

A iniciativa pretende acrescentar uma dimensão de responsabilidade social ao encontro. Os bens disponibilizados para o leilão são destinados à Câmara Portuguesa, sendo os valores arrecadados encaminhados para ações de interesse social, com destaque, nesta edição, para a Sociedade de São Vicente de Paulo.

A instituição desenvolve trabalho de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade, abrangendo diferentes faixas etárias, incluindo crianças, jovens e idosos. Desta forma, a organização procura associar a celebração gastronómica a uma ação concreta de solidariedade.

Sete atos gastronómicos para percorrer a história

O jantar tem início às 19 horas e apresenta um percurso composto por sete atos, cada um entregue a um dos chefs convidados.

O primeiro ato, “O Ouro das Gerais”, será apresentado por David Faria e funcionará como uma introdução aos sabores de Minas Gerais e de Portugal. A receção inclui broas de fubá, pão de queijo, queijos artesanais, azeites portugueses, sardinhas de escabeche, torresmo, linguiça, milho e azeitonas, entre outros elementos. A harmonização será feita com Espumante Castellamare Brut.

“Os Caminhos do Ouro” dá nome ao segundo ato, assinado pela chef Cledir de Fátima da Silva. A proposta será uma terrine morna de porco curado com farofa de castanhas brasileiras, acompanhada por Santa Vitória Seleção Rosé 2023, Vinho Regional Alentejano, de Portugal.

O terceiro momento, “A Mesa dos Barões”, ficará a cargo do chef Tiago Borges, que apresentará robalo assado com emulsão cítrica. Para a harmonização foi escolhido o Primeira Estrada Sauvignon Blanc 2024, produzido na Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais.

O quarto ato, “Entre o Reino e a Colónia”, será conduzido pelo chef Marlon Sérgio de Sá. O prato será bacalhau confitado em azeite português sob migas mineiras, acompanhado por Valpaços Tinto Trás-os-Montes DOC 2022, da Casa José Pedro, de Portugal.

“A Corte nos Trópicos” corresponde ao quinto ato e terá como responsável o chef Wagner Salomão. A criação será uma cuisse de volaille farcie, uma coxa de ave recheada com cogumelos e redução de vinho tinto. A harmonização ficará a cargo de Santa Vitória Seleção Tinto 2024, Vinho Regional Alentejano.

O sexto ato, “A Independência”, será apresentado pelo chef Euler Edjar Silva. O prato será cordeiro ao molho de vinho tinto e jabuticaba, acompanhado de canjiquinha cremosa. Para este momento foi selecionado o Casa Rosada Syrah 2024, proveniente da região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais.

O percurso termina com “O Legado”, sétimo ato, apresentado pela chef Fernanda Aguilar. A sobremesa será uma interpretação contemporânea da doçaria luso-mineira, com fios de ovos e doce de leite artesanal, harmonizada com Porto Tawny, do Douro, em Portugal.

A harmonização dos vinhos será assinada por Tarcísio Costa, assessor de comunicação da Presidência da CPCBMG e formado em enologia pela WSET – The Wine & Spirits Education Trust.

Depois da conclusão dos sete atos, o convívio prosseguirá nos jardins do Palácio D’Ouro, com cafés, licores e doces tradicionais mineiros.

Miguel Jerónimo destaca dimensão cultural do jantar

Para Miguel Jerónimo, presidente da CPCBMG, a iniciativa foi pensada para ultrapassar a dimensão gastronómica e valorizar a ligação histórica entre os dois países. O presidente destacou o jantar como um momento de celebração e de encontro entre tradições culinárias que partilham uma história comum.

“Não é apenas uma noite para comer e beber bem. É um momento de celebração da Independência do Brasil e de encontro entre as tradições culinárias de dois países com histórias profundamente conectadas”, realçou.

Duas comendas encerram a dimensão honorífica

A programação inclui ainda a outorga de duas distinções honoríficas: a “Comenda da Liberdade”, também apresentada como “Estrela da Independência”, e a “Comenda da Ordem dos Cavaleiros da Liberdade”.

As distinções foram idealizadas por Miguel Jerónimo para reconhecer personalidades pelo seu percurso e pelo contributo para o fortalecimento das relações comerciais, culturais e sociais entre Minas Gerais e Portugal. A proposta associa as comendas a valores como honra, mérito, liberdade, coragem e compromisso com a preservação da história e da cultura.

As peças serão cunhadas em ouro, prata e pedras preciosas, assumindo a forma de verdadeiras joias. O design foi desenvolvido pelas artistas plásticas Zackia Daura e Fátima Santiago, duas artistas internacionalmente consagradas.

A própria simbologia das comendas está ligada ao conceito histórico do jantar. A proposta parte da referência às riquezas retiradas do Brasil durante o período colonial para as transformar, simbolicamente, numa homenagem às pessoas que representam, no presente, uma riqueza para a sociedade através da cultura, da arte e da ação social.

Miguel Jerónimo explicou esse significado através da relação entre memória histórica e reconhecimento contemporâneo.

“A entrega dessas comendas representa um momento histórico que une Brasil e Portugal em torno da cultura, da solidariedade e da valorização do ser humano. A medalha propõe uma devolução simbólica das riquezas outrora levadas do Brasil, transformada em homenagem às verdadeiras riquezas de hoje: as pessoas que fazem a diferença por meio da cultura, da arte e das ações sociais”, salientou. ■

Dinis Gonçalves

Estágio curricular supervisionado

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