Brasil: Maracanã recebe abertura e final do Mundial feminino de 2027

Estádio volta a acolher a seleção brasileira após mais de uma década; Brasil estreia a 24 de junho no estádio do Rio de Janeiro, onde não joga desde os Jogos Olímpicos de 2016; competição terá 32 seleções, 64 partidas e oito cidades-sede até à final de 25 de julho

49
Foto: reprodução internet/divulgação
- Publicidade -

O Maracanã, no Rio de Janeiro, vai receber o jogo de abertura e a final do Campeonato do Mundo feminino de futebol de 2027, competição que se realiza no Brasil entre 24 de junho e 25 de julho. A confirmação foi feita pela FIFA, em Zurique, na Suíça, durante a apresentação do calendário das 64 partidas do torneio. A abertura terá ainda um significado particular para o futebol brasileiro: a seleção feminina do Brasil voltará a jogar no estádio carioca mais de uma década depois da última presença no recinto.

A seleção anfitriã inicia a participação no Mundial no Maracanã, a 24 de junho de 2027, frente a um adversário que será conhecido após o sorteio da fase de grupos. Como país organizador, o Brasil integra o Grupo A. A segunda partida está marcada para 29 de junho, na Arena Itaquera, em São Paulo, seguindo-se o terceiro encontro da primeira fase, em 4 de julho, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.

A última partida da seleção brasileira feminina no Maracanã ocorreu em 16 de agosto de 2016, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Na semifinal frente à Suécia, Brasil e seleção sueca empataram 0-0 no tempo regulamentar e no prolongamento, antes de as brasileiras serem eliminadas no desempate por grandes penalidades. O encontro reuniu 70.454 espectadores, segundo dados divulgados pela Confederação Brasileira de Futebol.

O regresso ao estádio recupera também outra página da história da seleção feminina brasileira. Em 26 de julho de 2007, na final dos Jogos Pan-Americanos, o Brasil derrotou os Estados Unidos por 5-0 e conquistou a medalha de ouro perante 67.788 espectadores. Até à semifinal olímpica de 2016, aquele encontro representava o maior público registado no país num jogo de futebol feminino. Os dois jogos continuam entre as maiores assistências da modalidade no Brasil.

A FIFA já tinha anunciado, em maio de 2025, que o Maracanã receberia a final do Mundial de 2027. A divulgação do calendário, em 20 de agosto deste ano, acrescentou ao estádio a partida inaugural e confirmou a distribuição da competição pelas oito cidades-sede.

O Maracanã tornar-se-á, desta forma, o terceiro estádio a receber uma final de um Mundial masculino e uma final de um Mundial feminino. O recinto carioca recebeu a decisão do Campeonato do Mundo masculino de 2014, entre Alemanha e Argentina. Antes dele, apenas o Estádio Råsunda, em Solna, na Suécia, já demolido, com finais em 1958 e 1995, e o Rose Bowl, em Pasadena, nos Estados Unidos, em 1994 e 1999, acolheram decisões das duas competições.

O Mundial feminino de 2027 será o primeiro realizado na América do Sul e o segundo consecutivo disputado por 32 seleções, depois da edição de 2023, na Austrália e Nova Zelândia. Serão realizados 64 jogos, antes da expansão da competição para 48 seleções a partir de 2031, já aprovada pelo Conselho da FIFA.

Além do Rio de Janeiro, haverá partidas em Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo. Os estádios escolhidos são o Mineirão, o Estádio Nacional, a Arena Castelão, o Beira-Rio, a Arena de Pernambuco, o Maracanã, a Arena Fonte Nova e a Arena Itaquera. Todos fizeram parte da estrutura utilizada pelo Brasil no Campeonato do Mundo masculino de 2014.

Cada uma das oito cidades receberá pelo menos sete encontros e, no mínimo, uma partida da fase a eliminar. Brasília, Porto Alegre, Recife e Salvador terão jogos até aos oitavos de final, enquanto Belo Horizonte e Fortaleza receberão também quartos de final. Rio de Janeiro e São Paulo permanecerão na competição nas fases seguintes, com o Maracanã reservado igualmente para a decisão de 25 de julho.

A distribuição geográfica representa um dos desafios logísticos da organização. Ao anunciar o calendário, a FIFA informou que procurou garantir condições desportivas equivalentes para as 32 seleções e considerou as distâncias entre as cidades anfitriãs na definição dos percursos. A diretora de futebol feminino da FIFA, Sarai Bareman, destacou ainda a intenção de permitir que diferentes regiões brasileiras tenham contacto direto com a competição.

As distâncias constituíram, desde a escolha da sede, uma das diferenças entre as candidaturas. O Brasil foi eleito anfitrião em maio de 2024, superando a candidatura conjunta de Alemanha, Bélgica e Países Baixos, que apresentava uma proposta geograficamente mais concentrada. No território brasileiro, algumas deslocações entre sedes exigirão transporte aéreo para seleções, equipas técnicas, profissionais da comunicação social e adeptos.

A candidatura brasileira recebeu 119 votos no Congresso da FIFA que decidiu a sede. A competição será a décima edição do Campeonato do Mundo feminino e sucede ao torneio de 2023, conquistado pela Espanha.

No caso brasileiro, o calendário permite já antecipar o possível percurso da seleção após a primeira fase. Caso termine o Grupo A no primeiro lugar, o Brasil disputará os oitavos de final em Fortaleza, a 10 de julho. Se ficar na segunda posição, jogará em Belo Horizonte, a 11 de julho.

A passagem por São Paulo também recupera uma relação recente da seleção com a Arena Itaquera. Em junho de 2026, o Brasil venceu os Estados Unidos por 2-1 naquele estádio. Nos últimos dez anos, segundo a CBF, a seleção feminina realizou sete encontros no recinto paulistano, com seis vitórias e uma derrota. Em Brasília, a equipa mantém igualmente um historial recente sem derrotas no Estádio Nacional após a reinauguração da arena para o Mundial masculino de 2014.

A edição de 2027 deverá ainda servir de referência para a nova fase de crescimento da competição. A FIFA decidiu que o Mundial feminino passará de 32 para 48 participantes em 2031, seguindo um modelo de expansão da representação internacional na modalidade. A candidatura conjunta de Estados Unidos, México, Costa Rica e Jamaica é a proposta apresentada para organizar essa edição. A decisão deverá ser formalizada num Congresso Extraordinário da FIFA previsto para antes do final de 2026.

Com o calendário agora definido, o Maracanã concentra dois dos principais momentos da competição: a estreia da seleção brasileira e abertura do Mundial, em 24 de junho, e a final, em 25 de julho. Entre essas duas datas, 32 seleções disputarão 64 jogos num torneio que levará pela primeira vez o Campeonato do Mundo feminino à América do Sul e devolverá a seleção brasileira feminina ao principal estádio do Rio de Janeiro depois de quase 11 anos.

Até 27 de agosto de 2026, ainda não estão definidas as 32 seleções que vão disputar o Campeonato do Mundo feminino de 2027. A FIFA confirma, nesta fase, 18 equipas já qualificadas: Brasil, como país anfitrião, Austrália, China, Filipinas, Japão, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Argélia, Camarões, Malawi, Marrocos, Argentina, Colômbia, Nova Zelândia, Alemanha, Dinamarca, Espanha e França. Restam, portanto, 14 vagas por preencher, que serão decididas através das eliminatórias da Concacaf, dos play-offs europeus e do Torneio de Play-off da FIFA, que atribuirá as três últimas vagas. Entre as seleções já apuradas para disputar esta repescagem estão África do Sul, Equador, Gana, Papua-Nova Guiné, Taipé Chinês e Uzbequistão, enquanto outras participantes serão conhecidas nos próximos meses. A composição definitiva das 32 seleções deverá estar concluída antes do sorteio final, marcado para 11 de dezembro de 2026, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

- Publicidade -

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.