
O historiador da diáspora Daniel Bastos apresentou, no passado dia 27 de junho, em Toronto, no Canadá, a obra “Portugal: da Ditadura à Democracia”, numa sessão integrada nas comemorações do “Mês do Património Português”, que reuniu uma expressiva participação da comunidade luso-canadiana e diversas personalidades ligadas ao associativismo, à política e à vida cultural portuguesa no Canadá.
Realizada na Peach Gallery, um dos mais relevantes espaços culturais da comunidade portuguesa em Toronto, a apresentação decorreu perante emigrantes, lusodescendentes, representantes de associações, órgãos de comunicação social e responsáveis institucionais, entre os quais o deputado federal canadiano Charles Sousa, o presidente da Aliança de Clubes e Associações Portuguesas de Ontário (ACAPO), Joe Eustáquio, e o presidente da Luso-Canadian Charitable Society, Jack Prazeres.
Editado em versão bilingue – português e inglês -, com tradução de Paulo Teixeira e apoio institucional da Fundação Mário Soares e Maria Barroso, o livro reúne mais de duas centenas de fotografias que documentam alguns dos momentos mais marcantes da história contemporânea portuguesa, desde os últimos anos da ditadura até ao processo de consolidação da democracia.
A obra resulta de uma investigação desenvolvida por Daniel Bastos a partir do vasto espólio fotográfico de Marques Valentim, ou seja, a publicação percorre alguns dos episódios mais marcantes da segunda metade do século XX português através do olhar de Marques Valentim, fotógrafo considerado um dos mais importantes fotojornalistas portugueses do século XX e que acompanhou diretamente acontecimentos decisivos da história nacional.
Entre os temas retratados encontram-se o conflito colonial em Moçambique, a Revolução de 25 de abril de 1974, o processo de integração dos chamados “retornados”, bem como momentos determinantes do período revolucionário, incluindo o 11 de março, o Verão Quente e o 25 de novembro.
Paralelamente ao retrato dos principais protagonistas políticos da época e do percurso que conduziu à integração europeia de Portugal, a obra dedica igualmente espaço ao quotidiano da sociedade portuguesa, documentando trabalhadores, famílias, comunidades do Portugal profundo e emigrantes que partiram em busca de melhores condições de vida, preservando a dimensão humana da transição democrática.
A apresentação esteve a cargo do empresário e filantropo Manuel DaCosta, que destacou a relevância histórica e documental da publicação, considerando-a um importante instrumento de preservação da memória coletiva portuguesa.
Ao enquadrar a importância da obra, salientou que o livro constitui um contributo para compreender um dos períodos mais decisivos da história nacional, sublinhando ainda a atualidade da sua mensagem perante os desafios que atualmente se colocam às democracias.
Segundo referiu, “Portugal: da Ditadura à Democracia” assume especial importância “num contexto internacional marcado pela crescente polarização política, pela ascensão dos extremismos e pelo enfraquecimento da confiança nas instituições democráticas”.
Mais do que uma apresentação literária, a iniciativa assumiu também um caráter simbólico de reconhecimento da própria comunidade portuguesa residente no Canadá, valorizando o papel desempenhado pelos emigrantes na preservação dos valores da liberdade, da democracia e da identidade portuguesa ao longo de várias gerações.
A sessão de Toronto teve ainda uma componente solidária: as receitas obtidas com a venda da obra revertem integralmente a favor da Magellan Community Foundation, instituição que está a desenvolver naquela cidade o primeiro lar de cuidados continuados destinado à população idosa de expressão portuguesa.
Antes da apresentação no Canadá, “Portugal: da Ditadura à Democracia” foi oficialmente lançado, a 18 de junho, na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa, numa sessão integrada nas comemorações do centenário do nascimento de Mário Soares e Maria Barroso.
Nos próximos meses, Daniel Bastos prevê continuar a divulgar a obra através de novas apresentações em diferentes localidades portuguesas e junto de várias comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, dando continuidade ao objetivo de promover a preservação da memória histórica e a valorização do património democrático português junto das novas gerações. ■






