
De acordo com dados do Portal da Imigração do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil analisados pela investigadora Inês Vidigal, do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL), do qual faz parte o Observatório da Emigração, entraram no Brasil 378 cidadãos portugueses em 2025, o valor mais baixo registado desde 2004 e uma diminuição de 20,6% face ao ano anterior.
A nova redução surge depois de uma quebra já significativa observada em 2024, quando as entradas de portugueses no Brasil tinham recuado 13%. Com a descida registada em 2025, a emigração portuguesa para este país aprofunda uma tendência recessiva que se vem consolidando ao longo da última década.
Segundo os dados analisados pelo Observatório da Emigração, o número de portugueses que escolheram o Brasil como destino migratório encontra-se agora abaixo dos níveis registados durante o período da pandemia de Covid-19, atingindo o valor mais reduzido de toda a série estatística em análise.
Em 2025, os 378 portugueses registados representaram apenas 0,9% do total de entradas de estrangeiros no Brasil. No mesmo ano, as autoridades brasileiras contabilizaram 41.715 entradas de cidadãos estrangeiros, o que evidencia a diminuição do peso relativo da imigração portuguesa neste país.
A comparação com os anos de maior intensidade migratória ilustra a dimensão desta transformação. Em 2013, ano que registou o pico da série analisada, entraram no Brasil 2.904 portugueses, número mais de sete vezes superior ao observado em 2025. Nessa altura, os cidadãos portugueses representavam 4,7% do total de migrantes que entravam no país.
Deste modo, os dados mostram uma perda gradual de relevância da emigração portuguesa para o Brasil, num contexto em que outros destinos internacionais têm assumido maior protagonismo nos fluxos migratórios portugueses.
Por outro lado, a tendência descendente observada nos últimos anos reforça o afastamento dos níveis registados no início da década passada e confirma a redução contínua da presença portuguesa entre os novos migrantes que escolhem o Brasil como destino. ■




