O escritor açoriano Diniz Borges lançou, no dia 3 de julho, através da Amazon, o livro “Os Livros Que Me Fizeram Americano – 250 vozes para os 250 anos da América”, obra publicada pela Bruma Publications, em parceria com a MoonWater Editions, que assinala as celebrações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos, estando disponível em formato impresso e digital para o mercado norte-americano e internacional.
Mais do que uma seleção de obras da literatura norte-americana, o livro apresenta-se como uma viagem intelectual, autobiográfica e histórica através de 250 escritores que marcaram a construção da identidade cultural dos Estados Unidos.
Ao longo da obra, Diniz Borges cruza o percurso da nação com a sua própria experiência enquanto emigrante açoriano radicado na Califórnia desde a infância, defendendo que foram os livros que lhe permitiram compreender o país onde cresceu e encontrar o seu lugar na sociedade americana.
No ensaio introdutório, o autor escreve que “esta lista não é, portanto, apenas e só uma celebração de livros. É uma cartografia do tornar-se. Um mapa de como uma criança emigrante aprendeu, lentamente, a habitar a bela, fraturada e contraditória imensidão chamada América”.
A obra percorre nomes incontornáveis da literatura dos Estados Unidos, entre os quais Walt Whitman, Ralph Waldo Emerson, Herman Melville, James Baldwin, Toni Morrison, Amy Tan e Ocean Vuong, integrando igualmente escritores luso-americanos como Katherine Vaz, Frank X. Gaspar, Sam Pereira e Carlo Matos.
Através das suas obras, Diniz Borges aborda temas como a liberdade, a imigração, a identidade, a democracia, a memória, a esperança, a pertença e a permanente reinvenção da sociedade americana.
Segundo o autor, o projeto nasceu após as eleições presidenciais norte-americanas de 2024, na sequência de cerca de dezoito meses de investigação, releitura e reflexão destinados a construir uma homenagem literária ao quarto de milénio da República. O resultado ultrapassa a crítica literária tradicional para se afirmar como uma reflexão sobre o significado histórico, cultural e humano da América.
Ao longo da obra, Diniz Borges sustenta que “a literatura sempre foi a república mais honesta que este país produziu”, acrescentando que “os governos mentem, os impérios reescrevem-se, mas a literatura preserva o tremor humano escondido sob a História”.
No prefácio, o escritor recorda que a América “foi pronunciada antes de ser compreendida”, defendendo que continua a ser uma nação permanentemente inacabada, cuja verdadeira identidade reside precisamente na capacidade de se questionar e de se reconstruir ao longo do tempo.
Coincidindo com as comemorações dos 250 anos da Independência dos Estados Unidos, a publicação assume igualmente um significado simbólico para as comunidades emigrantes, em particular para a comunidade luso-americana, cuja história integra a construção da sociedade norte-americana, embora nem sempre esteja presente nas narrativas históricas dominantes.
Na conclusão do ensaio introdutório, Diniz Borges sintetiza o espírito da obra ao afirmar: “Duzentos e cinquenta anos após a fundação desta república, estes escritores continuam a recordar-nos que a América nunca está concluída. Permanece, como o oceano que outrora trouxe tantos de nós até aqui, inquieta e inacabada sob as estrelas”. ■







