Portugal reafirma compromisso com a CPLP no ano em que a comunidade celebra 30 anos

Presidente da República defendeu o reforço da cooperação lusófona, da concertação político-diplomática e da aproximação aos cidadãos, sublinhando o papel estratégico da CPLP na promoção da paz, do desenvolvimento, da juventude e da projeção internacional da língua portuguesa

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António José Seguro, presidente da República de Portugal, e Mária de Fátima Jardim, secretária executiva da CPLP. Foto: divulgação/Presidência da República Portuguesa
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O presidente da República, António José Seguro, reafirmou, no dia 3 de julho, o compromisso de Portugal com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), durante uma sessão solene realizada na sede da organização, em Lisboa, perante os representantes permanentes dos Estados-membros, no âmbito das comemorações dos 30 anos da organização.

Numa nota oficial divulgada pela Presidência da República no seu portal institucional, António José Seguro afirmou ter feito questão de realizar a visita “como sinal do compromisso inabalável de Portugal com a CPLP e do meu empenho pessoal no reforço da nossa Comunidade”, destacando que a organização continua a ser “um eixo incontornável da política externa portuguesa” e uma prioridade consensual entre os órgãos de soberania.

O chefe de Estado recordou que este mês se assinalam os 30 anos da fundação da CPLP, criada em Lisboa em 1996, salientando o crescimento da organização ao longo destas três décadas. 

Segundo referiu, a comunidade aumentou o número de Estados-membros, conta atualmente com 35 Observadores Associados e mais de uma centena de Observadores Consultivos, refletindo “a crescente atratividade global da CPLP” e o dinamismo da sociedade civil lusófona.

Durante o discurso, o presidente salientou os elementos que unem os países da comunidade, apontando a língua portuguesa como “um instrumento vivo de identidade, de conhecimento, de ciência, de diálogo e de entendimento”, bem como a cultura, as diásporas, o mar e a ambição comum de construir um futuro de cooperação e desenvolvimento.

A propósito do futuro da organização, António José Seguro defendeu que as comemorações dos 30 anos constituem uma oportunidade para refletir sobre a nova visão estratégica da CPLP para o período pós-2026, defendendo uma “comunidade para os povos”, mais próxima dos cidadãos e orientada para benefícios concretos para as populações.

De igual modo, o presidente atribuiu especial importância ao envolvimento das novas gerações, considerando que a Década da Juventude da CPLP 2026-2036 representa “uma oportunidade estratégica” para colocar os jovens no centro da cooperação lusófona, valorizando-os como agentes ativos de progresso e coesão entre os Estados-membros.

Na área da cooperação, destacou o potencial da CPLP na governação sustentável dos oceanos, saudando a recente aprovação do Plano Estratégico de Cooperação para os Oceanos da CPLP, adotado pelos ministros do Mar da comunidade em junho, considerando que este setor poderá afirmar a organização como uma referência internacional.

Já no plano político-diplomático, António José Seguro alertou para o atual contexto internacional de instabilidade e reafirmou a importância dos valores fundadores da CPLP, nomeadamente “a Paz, a Democracia e o Estado de Direito, os Direitos Humanos, o Desenvolvimento e a Justiça Social”, defendendo que a comunidade deve continuar a promover esses princípios dentro e fora das suas fronteiras.

No encerramento da intervenção, o presidente aproveitou para agradecer o apoio unânime dos países da CPLP à eleição de Portugal para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, considerando que esse apoio constituiu “um marco relevante” e uma demonstração da capacidade de atuação conjunta da comunidade. 

O chefe de Estado sublinhou, por isso, que Portugal assumirá essa responsabilidade “não representando só Portugal, representamos a nossa comunidade de países e de valores”, comprometendo-se a projetar, durante o mandato de 2027-2028, “a voz, as aspirações e os valores fundacionais da CPLP”, bem como a continuar a defender a elevação da língua portuguesa a língua oficial das Nações Unidas.

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