Guiana: Comunidade luso-guianesa assinala 191 anos da chegada dos primeiros emigrantes portugueses

Efeméride voltou a colocar em destaque um dos capítulos mais marcantes da diáspora portuguesa no continente sul-americano, recordando o contributo histórico de milhares de emigrantes lusos para o desenvolvimento económico, social e cultural da atual Guiana e para a construção de uma herança identitária que permanece viva quase dois séculos depois

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“Dia da Chegada dos Portugueses” à Guiana celebra-se anualmente a 3 de maio. Foto: Préfet de la région Guyane/divulgação
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A comunidade portuguesa e lusodescendente da Guiana, país localizado na América do Sul que faz fronteira com a Venezuela, Suriname e Brasil, assinalou, no passado dia 3 de maio, os 191 anos da chegada dos primeiros emigrantes portugueses ao então território da Guiana Britânica, uma data histórica que continua a simbolizar o início de uma das mais relevantes correntes migratórias portuguesas do século XIX no continente americano.

O reconhecimento oficial desta herança histórica ganhou nova dimensão a 27 de fevereiro de 2017, quando David Granger, então presidente da Guiana, decretou oficialmente o dia 3 de maio como o “Dia da Chegada dos Portugueses”, com o objetivo de homenagear os descendentes lusos e promover uma maior valorização da diversidade cultural no país.

A imigração portuguesa sob contrato para a então Guiana Britânica teve início a 3 de maio de 1835, data em que os primeiros quarenta emigrantes portugueses chegaram ao território a bordo do navio “Louisa Baillie”, após uma travessia marítima de 78 dias com passagem por Londres.

Maioritariamente oriundos da Madeira, estes pioneiros abriram caminho a uma vaga migratória que, ao longo de quatro décadas, entre 1841 e 1882, levaria mais 30.645 portugueses até à Guiana Britânica, provenientes também dos Açores, de Cabo Verde e do Brasil.

Cem anos após a chegada dos primeiros emigrantes, a comunidade portuguesa no território atingia o seu ponto mais expressivo, com uma população estimada em cerca de oito mil pessoas, assumindo um papel relevante em setores como o comércio, a agricultura e o desenvolvimento económico local.

Hoje, 191 anos depois, o legado português continua presente na memória coletiva da Guiana, nos apelidos de família, no tecido empresarial e na identidade multicultural de uma comunidade que ajudou a escrever uma página incontornável da história guianesa.

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