O músico brasileiro Haroldo Bontempo, 28 anos, lançou, no passado dia 3 de julho, o álbum “Ao Vivo em Quarteto”, um registo gravado em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, que revisita algumas das principais composições da sua carreira e assinala uma nova etapa de afirmação artística, marcada pela entrada no catálogo do selo internacional “Cantores del Mundo” e pela preparação de uma digressão europeia agendada para outubro e novembro deste ano.
Uma identidade musical construída entre tradição e inovação
Natural do interior de Minas Gerais, Haroldo Bontempo iniciou o seu percurso artístico em 2015, enquanto membro da banda de rock psicadélico “Mineiros da Lua”, projeto que conquistou reconhecimento no circuito independente brasileiro, sobretudo com o álbum “Queda” (2019), frequentemente apontado pela crítica especializada como um dos lançamentos mais relevantes desse ano.
Em 2020, decidiu iniciar uma carreira a solo, afastando-se do universo do rock para aprofundar uma linguagem fortemente enraizada na música popular brasileira. A sua obra passou a integrar referências do samba, da bossa nova, do choro e do legado do “Clube da Esquina”, sem abdicar da psicadelia, do experimentalismo e das sonoridades contemporâneas do indie brasileiro.
Essa combinação tornou-se uma das marcas da sua identidade artística, procurando revitalizar ritmos tradicionais brasileiros através de uma abordagem moderna, dialogando com artistas da nova geração como Tim Bernardes, Dora Morelenbaum e Bruno Berle.
Desde então, editou os álbuns Músicas para Travessia (2020) e Haroldo Bontempo (2022), aos quais se juntou o EP Indie Hippie Retrô Brasileiro (2024), trabalho que contou com a participação do histórico músico brasileiro João Donato e que ampliou significativamente a projeção internacional da sua música.
Ao longo da sua carreira, Haroldo colaborou também com nomes de destaque da música brasileira contemporânea, entre os quais Mariana Cavanellas (Rosa Neon), Dinho Almeida (Boogarins) e o percussionista Paulinho Santos, fundador do grupo UAKTI, reforçando o diálogo entre diferentes gerações da música brasileira.
De igual modo, o reconhecimento internacional do seu trabalho refletiu-se na difusão da sua música por várias emissoras internacionais, incluindo a BBC Radio 2, BBC Radio 6, NTS e Jazz FM, no Reino Unido, bem como rádios como KCRW, Free Brooklyn e KALW, nos Estados Unidos, Inter FM, no Japão, além de diversas estações de rádio na Europa e na Oceânia.
O interesse crescente da crítica internacional ficou ainda patente através de elogios de figuras reconhecidas da rádio britânica. Jamie Cullum, apresentador da BBC Radio 2, frisou que Haroldo “está construindo seu nome no cenário de música alternativa brasileira”, enquanto Gilles Peterson, da BBC Radio 6, considerou que “o legado de Jorge Ben continua em artistas como Haroldo Bontempo”.
“Ao Vivo em Quarteto” marca uma nova etapa da carreira
O mais recente álbum, Ao Vivo em Quarteto, apresenta uma abordagem intimista das canções do músico mineiro, privilegiando a espontaneidade da interpretação e a interação entre os quatro músicos que o acompanham: Bê Moura (bateria), Carol Ramalho (baixo elétrico) e Vinícius Mendes (flauta transversal e saxofone).
Gravado ao vivo no estúdio Galeria Resistor, em Belo Horizonte, o disco reúne novas leituras de temas já editados pelo artista, permitindo que os arranjos ganhem maior liberdade interpretativa, com espaço para improvisação e diálogo musical entre todos os elementos do quarteto.
O projeto resulta de uma colaboração construída ao longo dos últimos anos. Vinícius Mendes participou anteriormente na gravação dos instrumentos de sopro do álbum Haroldo Bontempo (2022), enquanto Bê Moura integrou as gravações do EP Indie Hippie Retrô Brasileiro. Desde 2024, Bê Moura e Carol Ramalho acompanham Haroldo Bontempo nas suas atuações ao vivo.

A gravação contou com direção técnica de Rafael Carneiro, João Myrha e Gabriel Elias Sadala, mistura de Rafael Carneiro, masterização de Fernando Delgado, identidade gráfica de Júlia Candelária e fotografias de Bárbara Moreira.
Além da edição digital, o álbum será igualmente disponibilizado em vinil, através do selo “Cantores del Mundo”, projeto fundado pelos artistas Tita Parra – neta de Violeta Parra – e Arthus Foschi, responsável pela distribuição física e digital das obras em mais de trinta países.
O lançamento inclui ainda um registo audiovisual integral da sessão ao vivo, desenvolvido pelo realizador Julio Folha, com produção de Vanessa Gomes, que será disponibilizado na plataforma YouTube, complementando a experiência musical com entrevistas e conteúdos exclusivos.

“Tudo isso parte de um sonho, em algum momento nos meus 9, 10 anos eu resolvi acreditar que eu poderia ser um grande músico e apesar das várias (e ponha várias) adversidades eu sou muito grato por me manter fiel ao meu sonho de menino”, salientou Haroldo Bontempo sobre este momento da sua carreira.
“Principalmente pelas amigas e amigos, parcerias e colegas somando nessa, embarcando comigo e me convencendo que é de verdade… O Raul cantou que ‘sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade’, hoje eu me sinto prova disso”, acrescentou.
Realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, Ao Vivo em Quarteto representa um novo passo na consolidação internacional de Haroldo Bontempo, que prepara agora uma digressão europeia em formato voz e violão, prevista para outubro e novembro de 2026, com o objetivo de apresentar o novo trabalho ao público europeu e aprofundar a ligação com os ouvintes que acompanham a sua música além-fronteiras. ■







