
Num pequeno apartamento em Cabo Verde, um jovem programador acorda, liga o computador e começa a escrever código para uma empresa em Lisboa. Há poucos anos, isso seria impensável sem um complicado e doloroso processo de emigração. Foi a ver histórias como esta que passei os últimos dias na Rio Web Summit 2026, atento aos espaços de ligação, a que chamam hubs, que aproximam empresas e profissionais que dificilmente se encontrariam.
Foi aí que conheci a AfricanDev, fundada por Marcos Jamir, cabo-verdiano que veio estudar para o Brasil. Ao notar que faltavam programadores a empresas brasileiras enquanto havia talento de sobra em Cabo Verde, Moçambique e São Tomé e Príncipe, uniu os dois lados. A tecnologia, para ele, leva trabalho digno a quem fica longe dos grandes centros, hoje sobretudo ao Brasil, mas com uma lógica que serve todo o mundo lusófono.
Esta mudança já se mede: segundo a Comissão Europeia, o teletrabalho duplicou na União Europeia desde 2019, e em 2024 um em cada cinco europeus, 20,3%, já trabalhava parcialmente a partir de casa. O Eurostat acrescenta que 57,5% das empresas europeias que procuraram especialistas em tecnologia em 2023 tiveram dificuldade em preencher essas vagas. Há trabalho à procura de gente e gente à procura de trabalho, e a AfricanDev faz essa ponte entre continentes.
Confesso que saí do evento com uma pergunta que vos deixo. Você confiaria o trabalho tecnológico de sua empresa para uma equipa a milhares de quilômetros de distância? Escrevam-me para aguiar@a2digitalhub.com.br e digam-me o que pensam. ■
André Aguiar
Especialista em Marketing, Escritor, Professor, Palestrante e Referência em Inteligência Artificial Aplicada aos Negócios e CEO
Linkedin: linkedin.com/m/in/aaguiar-mkt/
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