A Casa dos Açores de Minas Gerais, presidida por Cláudio Motta, promoveu a sua primeira “Missão Empresarial Minas Gerais – Açores”, entre os dias 20 e 24 de abril, em Ponta Delgada, na ilha açoriana de São Miguel, reunindo mais de três dezenas de empresários e investidores, além de instituições e autoridades, numa iniciativa de cooperação económica e empresarial entre Portugal e o Brasil, em particular entre a Região Autónoma dos Açores e o estado mineiro.
A nossa reportagem acompanhou esta iniciativa, que surgiu como desdobramento do primeiro Encontro Empresarial de Andrelândia, em Minas Gerais, realizado em fevereiro deste ano, e que representou um novo passo na estratégia de internacionalização da instituição, que se tem afirmado como ponte ativa entre os dois territórios.
Mais do que um encontro empresarial, a missão pretendeu “criar um espaço de intercâmbio de experiências, geração de oportunidades de negócio e reforço de parcerias duradouras”, aproximando agentes económicos dos dois lados do Atlântico.
Entre os principais destaques desta nova etapa esteve a implantação da primeira representação institucional da Casa dos Açores de Minas Gerais em Andrelândia, cidade fundada por um açoriano natural do Faial, André da Silveira, bem como a estruturação de uma delegação internacional em Lisboa, reforçando a presença da instituição em território português.

A agenda incluiu ainda a assinatura formal da parceria internacional durante a missão nos Açores e a realização de rondas de negócios, visitas técnicas, encontros com autoridades e momentos de networking qualificado, com o objetivo de potenciar novas ligações comerciais e institucionais entre Minas Gerais e os Açores.
Empresários conheceram realidade açoriana
O programa arrancou no dia 20 de abril com um encontro com o secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, na sede da Secretaria Regional, e posteriormente com o secretário regional da Agricultura e Alimentação, António Ventura, no Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel.
Seguiu-se um almoço oferecido pelo secretário regional da Agricultura e Alimentação no restaurante da Associação Agrícola de São Miguel, em Rabo de Peixe, após o qual decorreu um encontro com o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, na sede da Associação Agrícola de São Miguel, também em Rabo de Peixe.
No dia seguinte, 21 de abril, a comitiva iniciou trabalhos com visita à UNILEITE – União das Cooperativas Agrícolas de Laticínios da Ilha de São Miguel, na freguesia dos Arrifes, seguindo-se a cerimónia de criação da Delegação de Lisboa da Casa dos Açores de Minas Gerais, com a assinatura do Termo de Cooperação no Azoris Royal Garden Hotel, em Ponta Delgada. A cerimónia foi acompanhada por Paulo Estevão, José Andrade, Claudio Motta, Alexandre Brodheim, presidente da delegação em Lisboa, e Pedro Gouveia, vice-presidente.
Ainda nesse mesmo dia, o grupo voltou a experimentar a gastronomia açoriana no restaurante da Associação Agrícola de São Miguel, tendo, em seguida, um momento de prova de produtos açorianos organizada pela Secretaria Regional da Agricultura e Alimentação no Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, além de uma sessão de esclarecimento sobre oportunidades de investimento com o economista Camilo Moniz e o contabilista Emanuel Cordeiro, na sede da Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades.
O programa contou igualmente com a apresentação do livro “Somos Açores – Um arquipélago vivo pela ação das Casas dos Açores no Brasil”, da autoria do jornalista e escritor luso-brasileiro Ígor Lopes, no Hotel Marina Atlântico, em Ponta Delgada, com a presença dos empresários da missão, de leitores interessados no mundo literário entre os Açores e o Brasil, do diretor regional das Comunidades do governo dos Açores, José Andrade, do presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais, Claudio Motta, do prefeito de Andrelândia, Francisco Reginaldo Nogueira, e de João Luís Cogumbreiro de Melo Garcia, cônsul honorário da Suíça e da Alemanha em Ponta Delgada.
Já no dia 22 de abril, “Dia da Comunidade Luso-Brasileira”, a missão prosseguiu com encontro com o secretário regional das Finanças, Planeamento e Administração Pública, Duarte Freitas, sobre incentivos ao investimento, e com a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, ambos no Largo do Colégio, em Ponta Delgada.
Seguiu-se um encontro com a equipa da Câmara Municipal de Ponta Delgada, que falou sobre as potencialidades do território, após o qual decorreu uma visita ao “Ecoparque de São Miguel”, gerido pela MUSAMI – Empresa Intermunicipal de Operações do Ambiente, onde foi realizada uma apresentação em sala e visita técnica às instalações de tratamento de resíduos.
No dia 23 de abril, o programa foi dedicado a um percurso turístico pela ilha de São Miguel, com passagem por Vila Franca do Campo e pelo Vale das Furnas, incluindo uma prova de queijos na Queijaria Furnense, uma visita ao Parque Terra Nostra e uma deslocação à Fábrica de Chá Gorreana.
Em paralelo, nesse mesmo dia, realizou-se um programa institucional na ilha do Faial com a participação do presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais, Claudio Motta, do prefeito de Andrelândia, Francisco Reginaldo Nogueira, e da primeira-dama, Tânia, e do diretor regional das Comunidades, José Andrade, que incluiu um encontro com o presidente da Câmara Municipal da Horta, Carlos Ferreira, e almoço institucional. Nessa oportunidade, Claudio Motta entregou um exemplar da obra “Minas Business Guide”, publicação da Associação Comercial e Empresarial de Minas, que visa “conectar Minas Gerais ao mundo, promovendo oportunidades, relações institucionais e pontes duradouras”. Foi ainda discutida uma geminação entre Andrelândia e Horta. A ocasião teve ainda um momento de “grande emoção”, quando o prefeito de Andrelândia, cidade fundada pelo açoriano André da Silveira, natural da própria Horta, entregou uma imagem de Nossa Senhora do Porto da Eterna Salvação, a mesma devoção levada por André da Silveira ao Brasil e que hoje integra a Catedral de Andrelândia. Agora, a imagem retorna à terra natal do seu fundador.
A missão encerrou no último dia 24 de abril com uma visita ao Vale das Sete Cidades, em Ponta Delgada, seguida de almoço de encerramento oferecido por Paulo Estêvão na freguesia das Sete Cidades, terminando com tarde livre na cidade e um espetáculo de teatro na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada, intitulado “Quando o Mar Galgou a Terra”, com encenação de Eleonora Marino Duarte.
Responsáveis destacam importância estratégica da missão empresarial aos Açores
Em declarações à Agência Incomparáveis, várias personalidades ligadas ao setor institucional, empresarial e autárquico sublinharam a relevância desta Missão Empresarial Minas Gerais – Açores, considerando a iniciativa como “um passo concreto no reforço das relações económicas, históricas e culturais entre os dois territórios”.
O secretário regional dos Assuntos Parlamentares e Comunidades, Paulo Estêvão, considerou que esta missão representou “uma oportunidade de negócio, quer para os empresários que estão a ver o potencial que a Região Autónoma dos Açores tem, quer para nós próprios no governo açoriano, que também temos interesse em criar também componentes de negócio em Minas Gerais”.

O governante acrescentou que o arquipélago tem “uma posição extraordinária, uma vez que integramos a União Europeia, e isso significa que estamos num dos maiores espaços económicos do mundo, mas, por outro lado, também temos uma posição extraordinariamente importante junto dos Estados Unidos, onde temos uma comunidade enorme e, portanto, uma presença histórica muito boa e um bom relacionamento muito próximo”.
Paulo Estêvão referiu ainda que Minas Gerais “é um Estado com uma grande capacidade agrícola, mas não só, tem um desenvolvimento em todos os outros setores económicos que faz do Estado de Minas Gerais um dos Estados com a maior pujança económica do Brasil”, o que leva os Açores a ambicionar ter um “relacionamento próximo”, além de que Minas Gerais “é um Estado que tem tantos descendentes da comunidade açoriana”.
Também o diretor regional das Comunidades, José Andrade, salientou o significado da iniciativa, afirmando que a Casa dos Açores de Minas Gerais, apesar de fundada a 26 de julho de 2025, “já fez prova de vida, trazendo aos Açores pela primeira vez cerca de três dezenas de personalidades”, incluindo empresários do setor da agropecuária, dos laticínios, do turismo, do ambiente e do comércio.
José Andrade referiu também que esta missão permitirá gerar “resultados concretos e um retorno importante para a própria Região Autónoma dos Açores”, acrescentando que “as Casas dos Açores, como é o caso da entidade em Minas Gerais, são embaixadas socioculturais e económicas da Região Autónoma dos Açores junto das diferentes comunidades da diáspora açoriana”.
Por sua vez, o prefeito municipal de Andrelândia, Francisco Reginaldo Nogueira, descreveu a deslocação como “algo inédito não só para a Andrelândia, mas para várias regiões”, defendendo que esta missão “vai resgatar não só a questão financeira, mas também histórica”, até porque “a cidade de Andrelândia foi fundada por um açoriano, nosso querido André da Silveira”.
O presidente da Casa dos Açores de Minas Gerais, Cláudio Motta, classificou a experiência como “perfeitamente positiva”, falando numa “receção extraordinária do governo dos Açores em todos os aspetos”.
Este dirigente sublinhou que “é fundamental entendermos que as conexões empresariais não só trazem valores de empreendedorismo, mas, acima de tudo, elas trazem valores humanos, valores de transparência, de ética, de credibilidade”.
“Por isso, estamos aqui com muito orgulho, sendo recebidos pelo governo dos Açores, de forma inédita e única, porque é a primeira vez que uma missão de Minas Gerais vem aos Açores com trinta e dois empresários”, referiu, acrescentando que fizeram parte da comitiva líderes do segmento de leite, da tecnologia e do turismo.
Cláudio Motta concluiu destacando que, no âmbito desta missão empresarial, já endereçou um convite ao governo dos Açores para marcar presença na próxima Feira Internacional de Vinhos, a realizar brevemente em Belo Horizonte, capital mineira.
Entidades locais reiteraram visão estratégia mineira
Em entrevista à Agência Incomparáveis, o membro da Comissão Executiva da LactAçores, Luís Paulo Alves, destacou o simbolismo do encontro, recebendo com “o maior prazer aqui nos Açores os nossos irmãos de Minas Gerais”, uma vez que se trata de “uma comitiva muito importante” dado que “Minas Gerais é também uma região grande produtora de laticínios”.
O empresário acrescentou que a importância desta missão também se deve inserir na assinatura do novo acordo UE-Mercosul, o que “vai gerar oportunidades muito grandes nos dois lados do Atlântico”, uma vez que “Minas Gerais, com a sua dimensão, com o seu poder económico, o segundo maior PIB do Brasil, representa também para nós uma obrigação importante a desenvolver no futuro”.

Também Paulo Teves, diretor do Gabinete de Gestão e promoção da “Marca Açores”, defendeu uma estratégia que se reflete nesta missão empresarial, sublinhando que a entidade “trabalha na promoção e na tentativa de encontrar novos mercados para as nossas empresas”, inclusive para Minas Gerais, atuando como intermediária na certificação, valorização e promoção de produtos regionais como queijos, peixes, conservas, ananás, doçaria, vinhos, licores e artesanato, entre outros.
Por fim, e num momento de valorização dos produtos açorianos, o chef e confrade-mor da Confraria dos Gastrónomos dos Açores, António Cavaco, valorizou o ambiente criado durante a receção gastronómica.
“Se eu comer um determinado produto, sozinho, isolado, num dia sóbrio, num dia meio triste, tenho um arquivo que me vai ficar agravado. Se eu comer isto em conjunto, com pessoas bonitas, com pessoas diferentes, com pessoas que nos chegam de outra cultura, que querem conhecer os nossos produtos, que querem partilhar esse produto, isso valoriza o palato, grava-se no afeto, eu nunca mais vou esquecer isso”, salientou.
Recorde-se que a Casa dos Açores de Minas Gerais foi formalizada a 26 de julho de 2025, numa cerimónia realizada no Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, em Belo Horizonte, com a presença de José Andrade e Paulo Estêvão. A criação da entidade ocorreu no contexto das celebrações que incluíram, no dia 27, o VIII Encontro Açores Brasil, reunindo representantes das Casas dos Açores no país. O projeto teve como base um processo iniciado em 2024, consolidado com contactos institucionais entre os Açores e Minas Gerais, com o objetivo de estruturar uma plataforma permanente de ligação entre os dois territórios.
A instituição nasceu com uma orientação centrada na valorização da herança açoriana e na promoção de relações económicas bilaterais. A estratégia definiu a criação de um espaço dedicado à cultura, formação e apoio a iniciativas empresariais, com o propósito de incentivar investimento, missões económicas e cooperação institucional entre Minas Gerais e a Região Autónoma dos Açores. Liderada por Claudio Luciano Valença Motta, a Casa assumiu-se como instrumento de articulação entre memória histórica e desenvolvimento económico, reforçando a presença açoriana no Brasil e ampliando a rede internacional destas entidades.
Hoje, esta entidade conta já com representações ativas em Andrelândia e em Lisboa, buscando ampliar as relações entre Minas Gerais e Portugal. ■





